27.7.11

Sindbad, o marinheiro

(...)

– Socorro! – gritei correndo como um louco e com a água a chegar-me aos pés. Lentamente comecei a afundar-me à medida que o monstro desaparecia.
– Alá, salva-me! – gritei, lutando desesperadamente para manter a cabeça fora de água e acenando furiosamente para o barco. Mas ninguém me via. O capitão, convencido que eu já me tinha afogado, içara as velas e preparava-se para se fazer ao mar. Quando vi o barco desaparecer
no horizonte, o meu coração desesperou.
– Deixaram-me aqui e vou morrer afogado! – disse aflito. – É o fim de Sindbad, o marinheiro.

As Mil e Uma Noites, Edinter




1. Lê as frases seguintes e assinala a opção correta: Sindbad teve que trabalhar arduamente para ficar rico.
  1. Sindbad gastou toda a sua fortuna.
  2. Alá é o nome de uma personagem do texto.
  3. Antes de partir, Sindbad vivia em Lisboa.
  4. Sindbad decidiu ser mercador como o seu pai.
  5. Sindbad não fez nenhuns preparativos para a sua viagem.
  6. Sindbad navegou e fez comércio em diferentes ilhas.
  7. Sindbad e a sua tripulação foram parar a uma ilha estranha.
  8. Todos conseguiram regressar a tempo ao navio.
  9. Sindbad conseguiu salvar-se facilmente.


2. Sindbad é a personagem principal deste texto. Caracteriza-a (através das suas palavras e acções).

3. Sindbad decidiu tornar-se mercador.
a. Aponta as razões que o levaram a tomar essa decisão.
b. Enumera as mercadorias que ele comercializava.

4. Conta, por palavras tuas, o que aconteceu na “ilha estranha”.

5. Classifica o tipo de narrador presente neste texto, transcrevendo três fragmentos que justifiquem a tua resposta.

26.7.11

O rapaz e o livro




“Só está contente a ler”, dizia a mãe do rapazinho. “Trabalho não é com ele.” No seu espírito, leitor e mandrião identificavam-se, via-se à distância. E estava na razão, na sua razão. Ali, um homem não pode perder tempo com leituras. E ali é que ela e o filho-pastor, já sem pai, viviam e lutavam para subsistir. Isto passava-se há coisa de catorze anos.
Quando vim para Lisboa resolvi mandar-lhe livros com a indicação “para ler ao domingo”. Esperava poupá-lo assim às iras familiares. Fui à estante dos “restos” e fiz uma escolha que julguei criteriosa. Uns livros “para rapazes”, dois ou três de Emílio Salgari que ali tinham ancorado não sei como, alguns policiais. Óptimo. E se lhe mandasse um bom livro? À tarde passei pela livraria e comprei um volume acabado de sair e de que eu tinha gostado muito. E mandei o embrulho para o correio.
Nada de resposta, o que era natural. Quem lhes ensinou que se deve agradecer um presente, mesmo pequeno? E o caso caiu no esquecimento.
No ano seguinte voltei à quinta pelo Natal. O rapazinho ainda por lá andava a guardar ovelhas. Veio ter comigo, todo risonho, de pelico e bordão.
“Muito obrigado pelos livros”, disse. “Gostei muito, então de um deles gostei mesmo muito. Já o li três vezes.”
“Ah, sim? Então de qual?”
“O nome não me lembro, mas era de um senhor Alves.”
“Alves?”
“Alves, pois. Um livro muito bonito.”
Devia ser qualquer livro que eu metera no embrulho e de que me esquecera. “Era então muito bom, dizes tu?”
“É que nunca li nada tão bonito.” E os olhos do rapazinho brilhavam. “Os outros que a senhora mandou, deve haver quem goste mas eu confesso que não gostei assim muito. Agora do livro do senhor Alves… Eram histórias, sabe a senhora… Havia uma então… Ah, agora me lembro como se chama: “Olhos de Água.”
Alves Redol, pronto. O tal livro de que eu gostara muito. Senti-me de repente envergonhada pelos outros que lhe tinha mandado como quem os deita fora, muito envergonhada. É uma estupidez pensar que um rapazinho lá porque tem só a 4.ª classe, lá porque guarda ovelhas no fim do mundo, não pode ter já o seu gosto e esse gosto não pode ser certo.
Lembrei-me desta história sem história, há alguns dias, durante uma conversa sobre “teatro para o povo”. O que deve dar-se-lhe? Havia quem perguntasse. Teatro difícil? Teatro fácil? Nem uma coisa nem outra, talvez. Teatro bom e não importa que lhe chamem bonito, é um modo de dizer.

Maria Judite de Carvalho, A Janela Fingida, Ed. Seara Nova, 1975



Nas perguntas 1., 2., 3., 5. e 7., assinala com uma cruz (X) a afirmação correcta.

1. A narradora conheceu um rapazinho
a. de Lisboa, que trabalhava, pois vivia com dificuldades.
b. que vivia apenas com a mãe e trabalhava, pois vivia com dificuldades.
c. que era órfão de pai e era pobre, embora não trabalhasse.

2. O grande entretimento do rapaz
a. era levar as ovelhas a pastar.
b. era a leitura.
c. era conversar com a narradora.

3. A narradora decidiu enviar ao rapaz
a. uma selecção de livros para jovens que tinha em casa.
b. uma selecção de bons livros que adquiriu.
c. uma selecção de livros que possuía e um outro que comprou.

4. Explica, por palavras tuas, o motivo por que os livros foram enviados com a indicação “para ler ao domingo”.

5. A escolha da narradora revelou-se
a. parcialmente acertada.
b. completamente acertada.
c. completamente errada.

6. Justifica a afirmação que seleccionaste na pergunta anterior.

7. Este episódio permitiu à narradora tirar a seguinte conclusão:
a. na literatura como no teatro, há que escolher obras que as pessoas entendam.
b. as peças de teatro e os livros para o povo devem ser bonitos.
c. na literatura como no teatro, o importante é a qualidade.