27.5.10

A Fuga de Wang-Fô



1. Mestre e discípulo andavam pelas estradas do reino dos Han.
1.1 Identifica os seus nomes, assinalando a resposta correcta.
a) Wang-Tsai e Ming
b) Wang-Fô e Ling
c) Han e Liang

2. O discípulo revelava uma grande preocupação e generosidade para com o seu mestre.
2.1 De que modo o demonstra? (Assinala as respostas correctas.)
a) Oferecendo-lhe flores.
b) Massajando-lhe os pés.
c) Roubando fruta.
d) Mendigando arroz.
e) Roubando dinheiro.
f) Encostando-se a ele para o aquecer.

3. Centra-te na personagem principal.
3.1 Caracteriza-a física e psicologicamente.

4. Presta atenção ao local onde se desenrola a acção.
4.1 Refere-o, transcrevendo uma frase comprovativa.

5. «Uma tarde, ao pôr do Sol, chegaram aos subúrbios da capital [...].»
5.1 Como é descrito o local onde pernoitaram?
5.2 Que sentimentos despertou no mestre aquela estalagem?
5.3 Descreve o acontecimento importante ocorrido naquela madru¬gada.
5.4 O que pensou o discípulo sobre o que se estava a passar?

6. «Chegaram à entrada do palácio imperial.»
6.1 Retira do texto uma frase que revele a grandiosidade do mesmo.
6.2 Que música podia ouvir «quem atravessasse o palácio do nascer ao pôr do Sol»?

7. Detém-te na figura do Imperador
7.1 Indica os nomes que lhe são atribuídos, assinalando as opções correctas.
a) Jovem Arcanjo
b) Filho do Céu
c) Rapaz Celestial
d) Mestre Celeste
e) Majestade Suprema
f) Dragão Celeste
7.2 Que idade tinha?
7.3 Como o caracterizas?
7.4 Por que motivo mandou prender o mestre?
7.5 Para o Imperador, qual é o «único império onde vale a pena reinar»?
7.6 Apresenta o castigo atribuído ao velho pintor.

8. Identifica os recursos estilísticos presentes nas frases.
a) «Os soldados entraram com lanternas. [...] Rugiam como animais ferozes [...].»
b) «[...] cujas formas simbolizavam as estações, os pontos cardeais, a Lua e o Sol, a longevidade e a Omnipotência.»
c) «[...] os teus olhos são as duas portas mágicas por onde tu penetras no teu reino.»

Vocabulário
9. Diz o significado das palavras apresentadas.
«discípulo»
«subúrbios»
«Omnipotência»
«vagas» )
«bruxuleantes»
«soergueu»
«ancião»
«prece»
«enigmáticos»
«friccionava»
«fuligem»
«prosternado»
«avarentas»
«insinuavam»
«liteira»
«cercanias»
«longevidade»
«fealdade»

10. Explica o sentido da frase seguinte.
«Tu és como o Verão; eu sou como o Inverno.»

Funcionamento da Língua
11. Analisa sintacticamente os segmentos destacados.
a) «Os soldados entraram com lanternas.»
b) «Chegaram à entrada do palácio imperial.»
c) «— Dragão Celeste, disse Wang-Fô prosternado [...].»
12. Observa as frases.
a) «O velho pintor Wang-Fô e o seu discípulo Ling andavam pelas estradas do reino dos Han.»
b) «Ninguém pintava melhor que Wang-Fô as montanhas [...].»
c) «[...] Ling encostou-se a ele [...].»
d) «[...] quem é que iria ajudar o velho [...].»
12.1 Substitui as palavras destacadas pêlos pronomes correspondentes.
12.2 Identifica as subclasses de todos os pronomes.

Expressão Escrita
13. Ao analisares o título deste texto, certamente concluis que Wang-Fô conseguiu fugir.
13.1 Elabora um texto em que relates como o pintor escapou à morte.

26.5.10

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades



Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.

E, afora¹ este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor² espanto:
Que não se muda já como soía³.

Camões


¹afora- além de ²mor- maior ³soía- costumava



I

1- Este poema de Camões tem como tema um motivo tipicamente renascentista, de raiz greco-latina. Identifica-o.

2- Descreve a estrutura formal (estrófica, rimática e métrica) do poema transcrito.

3- A estrutura interna desta composição poética obedece a um tipo de organização específico.
3.1.Delimita essa estrutura, justificando a tua resposta.

4- Procede ao levantamento de vocábulos ou expressões que pertencem ao campo lexical de mudança, organizando-os por classes de palavras.

5- A mudança tem efeitos diversos na Natureza e no ser humano.
5.1. Explicita essa diferença, nomeadamente no que ao sujeito poético diz respeito.

6- No último terceto, o sujeito refere uma outra mudança.
6.1. Explica de que modo esta contribui para acentuar o tom disfórico (negativo) do poema.

7- Identifica as figuras de estilo presentes nas frases:
a) “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,”
b) “Do mal ficam as mágoas na lembrança, / E do bem, se algum houve, as saudades”


II

1- Identifica o antecedente do pronome relativo ‘que’ presente no verso 10 do poema.

2- Atenta nas frases:
a) Li quantos poemas tinha.
b) Contaram-me a história do livro que acabaste de ler.
c) Quem chega a horas está atento.
2.1. Identifica o pronome relativo presente em cada frase e indica se é variável ou invariável.

3- Indica o tipo de acto ilocutório presente em cada um dos enunciados.
a) É a resposta da Rita que está certa.
b) A aula terminou.
c) Parabéns!
d) Prometo que vou estudar mais Português.
e) Quero que pesquises sobre Camões na Internet.
f) Negou que tivesse copiado pelo colega.

4- Indica os sujeitos presentes em cada frase e classifica-os.
a) Camões é um poeta fenomenal.
b) Fala-se que teve uma vida muito atribulada.
c) Havia muitas histórias para contar sobre ele.

III

1- Escolhe um dos temas propostos e desenvolve-o em aproximadamente 200 palavras. Não te esqueças de identificar o tema na folha de resposta.

A) Imagina que te encontras a uma janela perante uma paisagem campestre nos meados do Outono. Tendo em conta as características desta tipologia textual, elabora a descrição do que vês a partir do local em que te encontras.

B) Tudo na vida é mutável, transitório e precário. Por mais que tentemos assegurar uma certa previsibilidade, um certo controlo, a vida muda e dá cabo da nossa metódica organização. É assim a vida.Compara um fenómeno da vida actual, por exemplo a Educação ou os Transportes ou a Guerra, com esse mesmo fenómeno há cem anos atrás; depois imagina como será daqui a cem anos e redige um texto onde dês conta do teu espírito crítico e da tua capacidade visionária.

23.5.10

Viola chinesa


Ao longo da viola amorosa
Vai adormecendo a parlenda,
Sem que, amadornado, eu atenda
A lengalenga fastidiosa.

Sem que o meu coração se prenda,
Enquanto, nasal, minuciosa,
Ao longo da viola morosa,
Vai adormecendo a parlenda.

Mas que cicatriz melindrosa
Há nele, que essa viola ofenda
E faz que as asitas distenda
Numa agitação dolorosa?

Ao longo da viola, morosa...

Camilo Pessanha


A Clepsidra, com toda a evidência, programa em alguns dos seus textos a releitura. Neste poema, concretamente, a última estrofe aparece reduzida a um verso, que é de facto o primeiro verso da primeira estrofe, bastando, portanto, voltar ao princípio a esse sinal, e aí ler a última e primeira estrofes coincidentes do poema sem¬pre recomeçado. Mas uma tal circularidade de leitura pode ser menos evidente.
Cabral Martins,in Colóquio/Letras, n.° 60,Março de 1981


1. Concorda com a opinião acima expressa?

2. O que lhe sugere a abundância de sons nasais em «Viola chinesa»?

3. Que versos, em cada um dos poemas, nos reenviam para uma certa apreensão do sofrimento sem motivo?

4. De que forma os poemas ilustram o gosto simbolista?





Fonógrafo




Vai declamando um cómico defunto.
Uma plateia ri, perdidamente,
Do bom jarreta... E há um odor no ambiente.
A cripta e a pó, _ do anacrónico assunto.

Muda o registo, eis uma barcarola:
Lírios, lírios, águas do rio, a lua...
Ante o Seu corpo o sonho meu flutua
Sobre um paul, _ extática corola.

Muda outra vez: gorjeios, estribilhos
Dum clarim de oiro - o cheiro de junquilhos,
Vívido e agro! - tocando a alvorada...

Cessou. E, amorosa, a alma das cornetas
Quebrou-se agora orvalhada e velada.
Primavera. Manhã. Que eflúvio de violetas!

Camilo Pessanha


O subjectivo no domínio da percepção
(*) Note que o real da música no fonógrafo desperta, estimula a construção de outro real distinto do eu. Repare, também, no ritmo intersectado, criando ambiguidades, sinestesias. Há uma imitação da marcha militar, compassada, automatizada.

É a partir do modo como os sons se inscrevem no eu que este os transcreve, produzindo o texto.

1. Saliente a origem de cada um dos conjuntos de registos sonoros captados pelo eu.

2. Em cada um desses conjuntos, as sensações auditivas ligam-se a outras sensações. Exemplifique.

3. Que figura de estilo melhor exprime a associação aludida em 2.1 Dê exemplos.

4. Associe o percurso da agulha no disco ao percurso de escrita.


21.5.10

Poema à Mãe



No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? –
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade, Poesia


I

1. Neste poema, o poeta afirma «eu sei que traí, mãe.» (v. 2).
1.1 Explicita a forma como se revela essa «traição» na relação entre mãe e filho.

2. A imagem estática do «retrato adormecido» (v. 4) evolui para o dinamismo «Eu saída moldura» (v. 33).
2.1 Refere os factores que determinaram essa evolução.

3. Ao longo do poema está patente a dualidade perda / recuperação.
3.1 Indica o modo como se concretiza.
3.2 Refere a importância da reiteração do advérbio «ainda» (vs. 23, 25, 28).
3.3 Identifica a figura de estilo presente em «rosas tão brancas» (v. 26) e explicita o seu valor expressivo.

4. Interpreta a simbologia subjacente à referência a «aves» (v. 38).


II

1. Selecciona do texto dois conectares discursivos e classifica-os.

2. O percurso de vida do sujeito poético é expresso através de verbos que nos transportam para momentos diferentes.
2.1 Inventaria as formas verbais que se referem ao passado e as que se reportam ao presente.
2.2 Tira conclusões.

III

O crescimento de um adolescente implica transformações físicas e psicológicas, vividas, de modo mais ou menos consciente, pelo próprio e observadas com interesse pelos adultos, sobretudo por aqueles que lhe estão mais próximos (a família, os amigos). Muitas vezes, surgem dúvidas, conflitos e uma adaptação contínua às novas realidades.
Num texto autobiográfico, de 100 a 150 palavras, relembra as modificações que tens experienciado, ao longo da tua vida, bem como as mudanças nas relações com os teus familiares mais queridos.

19.5.10

Carta




Meu amigo:
Sete horas da manhã. Pela janelinha sem vidro do meu quarto entra uma coluna de sol que empoeira de oiro o sobrado. As pedras, de que é construído este casebre, são mal unidas e toscas. Dum lado arrima-se aos penedos: sinto palpitar o coração dos montes. Do outro lado abre para o s panorama, píncaros sobre píncaros, fragas revolvidas e um ar tão fino que me farto de o beber.
Cheira bem. Pela fresta vejo pedras, montes cobertos de neve, o céu, coisas grandes e eter-nas... Porque fugi ao ódio, aos desesperos, aos mil nadas que complicam a vida?... Para ter este pão negro, que tão bem me sabe, este ar e esta paz que me penetram. Sou feliz. Vivo!...
Cismo e a paz é tanta neste triste casebre onde o pão não sobra, que o não trocaria pelas maio-10rés riquezas do mundo. O meu sonho corre, incha, transborda. Ninguém o tolda. Farto-me...
Esta gente que me rodeia, pobres cavadores, pastores, homens que se parecem um pouco com as árvores pela sua simplicidade e grandeza - e porque dão sombra também, são criaturas dife¬rentes das que tu conheces... Sombra, perguntas? Não é a bondade das árvores - a sua sombra? Nunca sentiste, junto a um velho sobro, a simpatia e frescura de que seus ramos se evolam?
Pois muitos homens dão sombra como as árvores: acolhem; estendem os ramos, protegendo os que se aproximam; a simpatia que de certas criaturas se exala é uma frescura só com-parável à frescura das árvores.

Raul Brandão, A Farsa



I

1. A observação do espaço físico é feita do interior para o exterior.
1.1 Descreve o casebre e enquadra-o na paisagem.
1.2 Indica as reacções benéficas que esse ambiente provoca no emissor.

2. Refere o motivo pelo qual o «eu» se encontra instalado naquele «triste casebre».

3 A pobreza é profunda, mas não seria trocada «pelas maiores riquezas do mundo».
3.1 Explica esta aparente contradição.

4. «O meu sonho corre, incha, transborda».
4.1 Identifica a figura de estilo que mais se evidencia nesta transcrição.
4.2 Caracteriza o estado de espírito do sujeito de enunciação.

5. Retrata o «eu» em «Esta gente que (...) rodeia».

6. Tendo em conta o registo utilizado no início da carta, classifica-a.
6.1 A carta está incompleta. Termina-a, aplicando os conhecimentos que possuis sobre a sua estrutura.


II

1. Na carta, existem referências concretas ao interlocutor.
1.1. Transcreve marcas deícticas que o comprovam.

2. Identifica os actos ilocutórios presentes nas expressões:
a) «Cheira bem»
b) «Sombra, perguntas?».
2.1 Explicita a sua intencionalidade comunicativa.

3. Selecciona, do primeiro parágrafo, os nomes no grau diminutivo.

4. Considera as expressões: «pão negro» e «pobres cavadores».
4.1 Esclarece o valor (restritivo / não restritivo) dos adjectivos.
4.2 Refere o grau superlativo absoluto sintético de: «tosca», «negro», «feliz», «pobre» e «grande».

5. Clarifica as diferentes acepções do vocábulo «pão» nas seguintes frases:
a) Comeu o pão que o diabo amassou.
b) O pão de centeio é o que mais aprecio.
c) Sai, de madrugada, para ganhar o pão de cada dia.
d) A cultura é o pão do espírito.
5.1 Constrói três frases onde utilizes a palavra «coluna» com diferentes acepções.


III

As férias de Natal chegaram. Vais passá-las em casa de um colega (num local do interior ou do litoral do país).
Elabora uma carta, dirigida à tua melhor amiga, contando-lhe os acontecimentos experienciados nesse espaço.