31.3.10

Regulamento


Universidade do Algarve
Regulamento de Funcionamento das Bibliotecas

I - Leitores
Art. 1.°
São bibliotecas da Universidade do Algarve a Biblioteca Central, as bibliotecas da ESE, ESGHT e EST e a biblioteca do Pólo de Portimão.

Art. 2.°
As bibliotecas da UAlg estão abertas à comunidade académica e à comunidade externa, nomeadamente a:
1. Alunos, docentes, investigadores e funcionários da Universidade do Algarve.
2. Utilizadores de arquivos e de outros serviços de documentação e/ou informação no âmbito dos respectivos protocolos de colaboração.
3. Outros utilizadores, desde que possuidores do cartão de leitor.

II - Sala de leitura

Art. 3.°
Os utilizadores das bibliotecas podem entrar nas instalações com pastas, carteiras ou mochilas. Caso se revele necessário, à saída, o funcionário procederá à verificação dos pertences.

Art. 4.°
Nas salas de leitura o utilizador poderá servir-se de publicações das bibliotecas e/ou de outros materiais estranhos às mesmas, desde que não perturbe o normal funcionamento desses espaços, nem ponha em causa a integridade e o bom estado de conservação dos documentos, do mobiliário, do equipamento e das instalações.

Art. 5.°
Nas salas de leitura e gabinetes nela integrados:
1. Não é permitido fumar, comer, beber, ou tomar quaisquer atitudes que ponham em causa o ambiente de silêncio e disciplina exigido nesses espaços.
2. Não é permitida a utilização de telemóveis, pelo que estes terão de estar desligados durante o período de permanência nestes espaços.
3. Caso se verifique qualquer atitude que ponha em causa o bom funcionamento das salas de leitura, o utilizador será avisado e, em caso de reincidência, identificado, sendo a ocorrência comunicada superiormente. .
4. Os utilizadores não podem utilizar em grupo mesas de leitura individuais, nem deslocar mesas ou cadeiras para lugares diferentes daqueles onde estejam colocadas.
5. As obras consultadas devem ser colocadas nas mesas e nunca recolocadas nas estantes pelos utilizadores.
6. É expressamente proibido anotar, riscar, dobrar ou de qualquer outra forma danificar o material utilizado, assim como retirar do mesmo qualquer carimbo ou etiqueta. O não cumprimento desta disposição implica, além de outras possíveis sanções, a reposição da publica-ção danificada ou o seu pagamento integral.
7. Os funcionários podem, a todo o momento, interpelar e proceder a acções de verificação, caso observem comportamentos que indiciem danos nas obras das bibliotecas.
8. É reservado o direito de impedir o acesso às bibliotecas a qualquer utilizador cujo comportamento se tenha anteriormente revelado inadequado no local.

Art. 6.°
Horário:
1. O horário de funcionamento das bibliotecas será anualmente afixado em local visível nas bibliotecas.
2. As alterações ao horário de funcionamento das bibliotecas serão, exceptuando situações imprevistas, sempre anunciadas com uma antecedência de três dias e mediante aviso escrito afixado em local visível na biblioteca.

III - Leitura de presença
Art. 7.°
Entende-se por «Leitura de presença» a que é efectuada nas salas de leitura, dentro dos horá¬rios de funcionamento.

Art. 8º
Os leitores têm direito à leitura de presença de todos os documentos que se encontrem nas salas de leitura em regime de livre acesso.

Art. 9.°
A documentação que se encontra em arquivo deverá ser solicitada no balcão de atendimento ou, antecipadamente, por correio electrónico. (...)

http://www.bib.ualg.pt



I

1. O texto apresentado é o Regulamento das Bibliotecas da Universidade do Algarve.
1.1 Classifica-o como:
a) regulamento geral;
b) ou regulamento parcial.
1.2 Justifica a tua opção.

2. Apresenta a sua estrutura.

3. Selecciona a tipologia textual em que se insere:
a) texto descritivo :
b) texto conversacional
c) texto instrucional ou directivo

4. Considera o Art. 2.°.
4.1 Indica as condições de acesso à biblioteca estipuladas aos utilizadores não pertencentes à comunidade académica.

5. Regista, de forma sintética, o que o conteúdo do Art. 4.°.

6. Lê o Art. 5.° e assinala com verdadeiro (V) ou falso (F) as seguintes afirmações:
a) É proibido sorrir.
b) Cada mesa só pode ser ocupada por uma pessoa.
c) Os leitores têm de arrumar as obras nas estantes de onde as tiraram.
d) Assinalar, na obra requisitada, um assunto do interesse do Leitor é punível com sanção.
e) Um funcionário pode impedir a entrada de um utilizador frequente.

7. De acordo com o Art. 6.°, esclarece se o horário anual de funcionamento pode ser altera-do. Fundamenta a tua resposta.

8. Refere os procedimentos necessários para aceder a documentos que não estão nas salas de leitura.


II

1. Identifica a classe de palavras em que se insere a numeração que ordena os artigos.

2. Classifica as seguintes frases quanto ao tipo e à polaridade:
a) Não é permitido fumar, comer, beber, ou tomar quaisquer atitudes que ponham em causa o ambiente de silêncio ou disciplina exigido nesses espaços.
b) Os leitores têm direito à leitura de presença de todos os documentos que se encontrem nas salas de leitura em regime de livre acesso.

3. Esclarece a constituição morfológica dos vocábulos:
a) «documentação»
b) «deverá»

4. Classifica sintacticamente as frases:
a) e nunca recolocados nas estantes pelos utilizadores (Art. 5.°).
b) que se encontrem nas salas de leitura (Art. 8.°).
4.1 Refere a função sintáctica das expressões destacadas.


III

Considera que a tua escola vai realizar um concurso para uma revista on-line onde serão divulgadas mensalmente as suas actividades culturais.
Elabora três artigos que integrem o regulamento desse concurso.



Arroz do Céu



Ora, à esquina de certa rua, no Uptown, há uma igreja, a de São João Baptista e do Santíssimo Sacramento, a todo o comprimento de cuja fachada barroca e cinzenta os respiradouros do sub-way formam uma longa plataforma de aço arrendado. Os casamentos são frequentes, ali, por ser chique a paróquia e imponente a igreja. O arroz chove às cabazadas em cima dos noivos, à saída da cerimónia, num grande estrago de alegria. Metade dele some-se logo pelas grelhas dos respiradouros, outra parte fica espalhada nas placas de cimento do passeio. Depois dos casamentos, o sacristão ou porteiro da igreja, de cigarro ao canto da boca, varre o arroz para dentro das grades, por comodidade. Provavelmente é irlandês, o arroz não lhe interessa, nem se ocupa de pombos: pombos é lá com os italianos, que, apesar de se dizerem católicos, são uma espécie de pagãos. O que se derramou no pavimento da rua,lá fica:é com os varredores municipais.[...]
Aquela chuva de grãos atravessa as grades, resvala no plano inclinado do respiradouro, e, se não adere à sujidade pegajosa ou ao chewing gum (o bairro é pouco dado a mastigar o chicle), ressalta para dentro do subterrâneo, numa estreita passagem de serviço vedada aos passageiros.
A primeira vez que viu aquele arroz derramado no chão, e sentiu os bagos a estalar-lhe debaixo das botifarras, o limpa-vias não fez caso; varreu-os com o resto do lixo para dentro do saco cilíndrico, com um aro na boca. Mas como ia agora por ali com mais frequência, notou que a coisa se repetia. O arroz limpo e polido brilhava como as pérolas de mil colares desfeitos no escuro da galeria. O homem matutou: donde é que viria tanto arroz? Intrigado, ergue os olhos pela primeira vez para o Alto [...]. Mas o respiradouro, [...] e a grade, ela própria, ficava-lhe invisível do interior. Era dali, com certeza, que caía o arroz, como as moedas, a poeira, a água da chuva e o resto. O limpa-vias encolheu os ombros,sem entender. Desconhecia os ritos e as elegâncias. No casamento dele não tinha havido arroz de qualidade nenhuma, nem cru, nem doce, nem de galinha.
Até que um dia, depois de olhar em roda, não andasse alguém a espiá-lo, abaixou-se, ajuntou os bagos com a mão, num montículo, e encheu com eles um bolso do macaco. Chegado a casa, a mulher cruzou as mãos de assombro: alvo, carolino, de primeira!

José Rodrigues Migueis, Gente da Terceira Classe


I

1.Indica a cidade onde a acção se desenrola.
2.Há, no texto, referência a dois espaços distintos. Refere-os.
3. Identifica o herói.

II

1. «Depois dos casamentos, o sacristão ou porteiro da igreja, de cigarro ao canto da boca, varre o arroz para dentro das grades, por comodidade.»
1.1. Caracteriza o sacristão, tendo em conta o seu comportamento.
1.2. Escreve urna frase, onde o nome «sacristão» apareça no plural.
1.3.0 limpa-vias não tem conhecimento do que faz o sacristão. Porquê?

2. «Provavelmente é irlandês, [...] pombos é lá com os italianos, que, apesar de se dizerem católicos, são uma espécie de pagãos.»
2.1. Faz uma frase com o plural de «irlandês».
2.2. Faz o plural dos adjectivos abaixo apresentados.
-alemão
- catalão
- dinamarquês
- espanhol
- hindu
- zulu
2.3. Escreve os mesmos adjectivos no feminino singular.
2.4. Copia, no feminino, a frase sublinhada em 2.
2.5. Completa os espaços abaixo com emigrante(s)/imigrante(s).
Um primo do sacristão disse, em Besfast, a um amigo que o primo era nos Estados Unidos.
Os Estados Unidos têm muitos árabes, lituanos, italianos, portugueses, etc.

3. Atenta nestas frases:
(1) «Aquela chuva de grãos atravessa as grades, [...] num estreita passagem de serviço vedada aos passageiros.»
(2) «O arroz limpo e polido brilhava como as pérolas de mil colares desfeitos no escuro da gale-ria.»
(3) «O homem matutou: donde é que viria tanto arroz?»
3.1. Regista um sinónimo para cada uma das palavras sublinhadas.
3.2. Relê a frase (2).
3.2.1. Identifica o recurso expressivo aí presente.
3.2.2. Releva o contraste posto em evidência na frase (2).
3.3. Compara a utilidade do arroz nos casamentos com a que o limpa-vias lhe dá.

4. Reconta a história, começando-a por «Era uma vez um limpa-vias».

5. Explica o título atribuído ao conto.



A Pérola




Na pérola, via Coyotito na escola, sentado à sua carteira, como outros que Kino uma vez espreitara por uma porta entreaberta. E Coyotito trazia uma blusa, um colarinho branco e uma gravata de seda. E Kino olhou os vizinhos cheio de orgulho:
- O meu filho irá à escola.
Os vizinhos ficaram mudos. Joana conteve a respiração. Os olhos brilhavam-lhe postos no marido. Baixou-os rapidamente para o Coyotito que tinha nos braços, para ver se aquilo podia ser possível.
Mas a face de Kino iluminou-se com aquela profecia. "O meu filho saberá ler e abrirá livros, o meu filho escreverá, o meu filho saberá escrever. O meu filho fará números. E essas coisas tornar-nos-ão livres, porque ele terá conhecimentos, saberá. Através dele, teremos conhecimentos também." E, na pérola, Kino via-se já agachado na cabana, ao pé do lume, com Joana ao seu lado, enquanto Coyotito lia um livro enorme.
- Tudo isso a pérola fará - afirmou Kino.
Nunca dissera tantas palavras duma vez em toda a vida.

John Steinbeck, A Pérola


I

1. Identifica a personagem principal deste texto e caracteriza-a psicologicamente.

2. Que tipo de relacionamento existe entre Kino, Joana e Coyotito?
2.1. Retira do texto dois exemplos que confirmem a tua resposta.

3. Os vizinhos ficaram mudos.
3.1. Pensas que os vizinhos concordavam com Kino? Porquê?

4. Porque seria a pérola tão importante para a vida futura de Kino?

5. E essas coisas tornar-nos-ão livres, porque ele terá conhecimentos, saberá.
5.1. A que se refere Kino?

6. Retira do texto os seguintes elementos e justifica o seu valor expressivo:
6.1. uma enumeração;
6.2. uma metáfora;
6.3. dois exemplos do uso do tempo verbal futuro simples do modo indicativo.

7. O meu filho irá à escola.
7.1. Analisa esta frase sintacticamente.
7.2. Classifica morfologicamente todas as palavras de mesma frase.

8. Nunca dissera tantas palavras duma vez em toda a vida.
8.1. Num pequeno texto, com um máximo de oito linhas, tenta explicar as razões que Kino teria para ter falado tanto.

Frei Luís de Sousa, Acto II, Cena II


CENA II
Maria, Telmo e Manuel de Sousa Coutinho

Manuel – Aquele era D. João de Portugal, um honrado fidalgo, e um valente cavaleiro.
Maria (respondendo sem olhar quem lhe fala) – Bem mo dizia o coração.
Manuel (desembuçando-se e tirando o chapéu com muito afecto) – Que te dizia o coração, minha filha?
Maria (reconhecendo-o) – Oh meu pai, meu querido pai! Já me não diz mais nada o coração senão isto. (Lança-se-lhe nos braços e beija-o na face muitas vezes) – Ainda bem que viestes. – Mas de dia! … Não tendes receio, não há perigo já?
Manuel – Perigo pouco. Ontem à noite não pude vir; e hoje não tive paciência para aguardar todo o dia: vim bem coberto com esta capa…
Telmo – Não há perigo nenhum, meu senhor; podeis estar à vontade e sem receio. Esta madrugada muito cedo estive no convento e sei pelo senhor Frei Jorge que está, se pode dizer, tudo concluído.
Manuel – Pois ainda bem. Maria! E tua mãe, tua mãe, filha?
Maria – Desde ontem está outra…
Manuel (em acção de partir) – Vamos a vê-la.
Maria (retendo-o) – Não, que dorme ainda.
Manuel – Dorme? Oh, então melhor. Sentemo-nos aqui, filha, e conversemos. (Toma-lhe as mãos; sentam-se) Tens as mãos tão quentes! (Beija-a na testa) E esta testa, esta testa… escalda! Se isto está sempre a ferver! Valha-te Deus, Maria! Eu não quero que tu penses!
Maria – Então que hei-de eu fazer?
Manuel – Folgar, rir, brincar, tanger na harpa, correr nos campos, apanhar as flores… E Telmo que não te conte mais histórias, que te não ensine mais trovas e solaus. Poetas e trovadores padecem todos da cabeça… e é um mal que se pega.
Maria – Então para que fazeis vós como eles? … Eu bem sei que fazeis.
Manuel (sorrindo) – Se tu sabes tudo! Maria, minha Maria! (Animando-a) Mas não sabias ainda agora de quem era aquele retrato…
Maria – Sabia.
Manuel – Ah! Você sabia e estava fingindo?
Maria (gravemente) – Fingir não, meu pai. A verdade… é que eu sabia de um saber cá de dentro; ninguém mo tinha dito, e eu queria ficar certa.
Manuel – Então adivinhas, feiticeira. (Beija-a na testa) Telmo, ide ver se chamais meu irmão: dizei-lhe que estou aqui.

Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa


I

1 – O início desta II cena (II Acto) começa com Manuel a dar uma informação à sua filha Maria.
1.1 – Indica qual é essa informação.
1.2 – Manuel responde à filha sem problema algum, quando na cena anterior, Telmo fizera precisamente o contrário, isto é, não fora capaz de dizer nem de dar esse esclarecimento a Maria. Compara e justifica a atitude e o comportamento das duas personagens.
1.3 – Demonstra, retirando expressões do texto, que Maria não necessitava de uma resposta para saber de quem era aquele retrato.

2 – A acção apresentada no II Acto passa-se num contexto espacial (espaço) diferente do apresentado no I Acto.
2.1 – Houve uma personagem que reagiu de forma negativa a esse espaço. Escreve o nome dessa personagem.
2.2 – Identifica os dois cenários, isto é, o do I Acto e o do II Acto.
2.3 – Indica em que medida a mudança do espaço contribuiu para a criação de uma atmosfera trágica.

3 – Houve um acontecimento, sucedido no final do I Acto, que originou essa alteração de espaço e que constitui a peripécia da obra a que pertence o excerto que se está a analisar.
3.1 – Refere qual foi esse acontecimento.
3.2 – Justifica tal acontecimento relacionando-o com o facto de nos remeter para um contexto social e político.

4 – Explicita as relações existentes entre as personagens presentes nesta cena (Manuel e Maria; Manuel e Telmo) e mostra, com exemplos do texto, a forma de linguagem aplicada e adequada a cada situação concreta de comunicação.

5 – Dos verbos “rir”, “brincar” e “correr” escolhe três substantivos da mesma família etimológica e constrói três frases com esses substantivos.

6 – Atenta nestas frases: “Garrett decidiu escrever a peça Frei Luís de Sousa. Recolheu informações sobre o domínio filipino. Garrett queria conhecer bem o contexto histórico.”
6.1 – Constrói uma só frase, frase complexa, integrando o mesmo conteúdo informativo das frases de cima e aplicando-lhe os termos quando e porque para estabelecer entre elas relações de tempo e causa.


II

1 – Lê atentamente o comentário que se segue:

“É o regresso do Encoberto que perturba o estádio feliz do presente e conduz à catástrofe final: a tragédia resulta da inversão opressiva dos tempos (…).”

Maria de Lourdes Cidraes Vieira, “O Frei Luís de Sousa – Ou a Segunda Morte de D. Sebastião”

Tendo em conta o estudo que fizeste de Frei Luís de Sousa, elabora uma composição bem estruturada e cuidada onde procures comprovar que há a existência de uma forte componente trágica nessa obra de Almeida Garrett.


30.3.10

A Palavra Mágica

Nunca o Silvestre tinha tido uma pega com ninguém. Se às vezes guerreava, com palavras azedas para cá e para lá, era apenas com os fundos da própria consciência. Viúvo, sem filhos, dono de umas leiras herdadas, o que mais parecia inquietá-lo era a maneira de alijar bem depressa os dinheiros das rendas. Semeava tão facilmente as economias, que ninguém via naquilo um sintoma de pena ou de justiça ─ mesmo da velha ─ mas apenas um desejo urgente de comodidade. Dar aliviava. (…)
Ora um domingo, o Silvestre ensarilhou-se, sem querer, numa disputa colérica com o Ramos da loja. Fora o caso que ao falar-se, no correr da conversa, em trabalhadores e salários, Silvestre deixou cair que, no seu entender, dada a carestia da vida, o trabalho de um homem de enxada não era de forma alguma bem pago. Mas disse-o sem um desejo de discórdia, facilmente, abertamente, com a mesma fatalidade clara de quem inspira e expira. Todavia o Ramos, ferido de espora, atacou de cabeça baixa:
- Que autoridade tem você para falar? Quem lhe encomendou o sermão?
- Homem! - clamava o Silvestre, de mão pacífica no ar. - Calma aí, se faz favor. Falei por falar.
- E a dar-lhe. Burro sou eu em ligar-lhe importância. Sabe lá você o que é a vida, sabe lá nada. Não tem filhos em casa, não tem quebreiras de cabeça. Assim, também eu.
- Faço o que posso - desabafou o outro.
- E eu a ligar-lhe. Realmente você é um pobre-diabo, Silvestre. Quem é parvo é quem o ouve. Você é um bom, afinal. Anda no mundo por ver andar os outros. Quem é você, Silvestre amigo? Um inócuo, no fim de contas. Um inócuo é o que você é.
Silvestre já se dispusera a ouvir tudo com resignação. Mas, à palavra «inócuo», estranha ao seu ouvido montanhês, tremeu. E à cautela, não o codilhassem por parvo, disse:
- Inoque será você.
Também o Ramos não via o fundo ao significado de «inócuo». Topara por acaso a palavra, num diálogo aceso de folhetim, e gostara logo dela, por aquele sabor redondo a moca grossa de ferro, cravada de puas. Dois homens que assistiam ao barulho partiram logo dali, com o vocábulo ainda quente da refrega, a comunicá-lo à freguesia:
- Chamou-lhe tudo, o patife. Só porque o pobre entendia que a jorna de um homem é fraca. Que era um paz-de-alma. E um inoque.
- Que é isso de inoque?
- Coisa boa não é. Queria ele dizer na sua que Silvestre não trabalhava, que era um lom-beiro, um vadio.
Como nesse dia, que era domingo, Paulino entrara em casa com a bebedeira do seu descan-so, a mulher praguejou, como estava previsto, e cobriu o homem de insultos como não estava inteiramente previsto:
- Seu bêbedo ordinário. Seu inoque reles.
Quando a palavra caiu da boca da mulher, vinha já tinta de carrascão. E desde aí, inoque significou, como é de ver, vadio e bêbedo.

(…)

in Contos de Vergílio Ferreira


I

1 – Expressa, por palavras tuas, qual a situação que provocou, em todo o conto, o mal-entendido que se gerou à volta da palavra «inócuo».

2 – Explica porque é que a palavra «inócuo», ao longo do conto, se transformará na “palavra mágica”.

3 – A palavra «inócuo» transformou-se ao nível do significado.
3.1 – Indica quais são os dois significados atribuídos à palavra neste texto.
3.2 – Escreve mais seis significados que lhe são aplicados ao longo do conto.
3.3 – Diz qual é a verdadeira definição dessa palavra e a classe gramatical a que pertence.

4 – Ao nível da pronúncia, a palavra «inócuo» derivou para dois novos termos. Aponta quais são esses termos.

5 – No diálogo entre os dois homens e a sua freguesia, um deles irá usar uma expressão que alterará o verdadeiro significado da palavra «inócuo». Transcreve do texto essa expressão.

6 – Localiza no tempo e no espaço o início do mal-entendido que se instalará na aldeia.

7 – Atenta na personagem Silvestre. Faz a sua caracterização física e psicológica.

8 – Indica o tipo de narrador quanto à sua presença.


II

1 – Explicita o significado principal das seguintes palavras:
a) caldeireiro
b) cróia
c) incendiário
d) parricida
e) taberneiro

2 – Descobre os nove pares de sinónimos que se encontram entre as palavras que se seguem:

pega comodidade desarmonia complicar preocupação conforto pobre-diabo ensarilhar carestia quebreira briga carência sintoma discórdia lombeiro infeliz indício indolente


III

1 – Lê atentamente o excerto que se segue:

“ (…) Dias depois, porém, um colega precisou de o insultar, e arremessou-lhe outra vez com o termo nefando. Toda a gente conhecia já a opinião do dicionário. Mas o furor era sempre mais forte do que um simples livro impresso.
Pelo que, nessa noite, o filho do Gomes não dormiu, preocupado apenas em descobrir uma maneira eficaz de esborrachar o colega, para ter mais tento na língua.”

in Contos de Vergílio Ferreira


Tomando em consideração o sucedido no conto “A Palavra Mágica”, desenvolve num texto cuidado e coerente e cujo conteúdo procure mostrar a maneira eficaz que o filho do Gomes descobriu para fazer com que o seu colega tivesse “mais tento na língua”.



Saudades para a Dona Genciana


Ponho-me a olhar a Avenida cá de cima, da minha água-furtada e meu refúgio, e digo-lhe, seu Apolinário: tudo isto levou uma grande volta. Antigamente vivia-se aqui como num céu aberto. Nem faz ideia. Onde isso vai, parece que não, os dias passam devagar, mas os anos vão-se depressa. A gente só dá por isso quando já não há remédio.
Foi nos começos da República, e eu, de calção, com os sapatos nas poças da chuva, travava os primeiros corpo a corpo com a gramática latina e o verbo Amar. A Avenida era então novinha em folha, como o regime. Começava lá em baixo, num boqueirão sinistro, um rio de lama onde às vezes havia inundações e gritos, entre ribanceiras e prédios esguios, e ia-se perder ao alto, nas quintas e azinhagas. As casas, modestas e limpinhas, tinham fachadas de azulejo de mau gosto, outras eram pintadas a cor.
Havia as «terras», lotes vagos de barro viscoso onde a gente ia «reinar», e as carroças se atolavam até aos eixos, com muitas pragas dos carroceiros. As árvores eram frágeis e verdes, de mocidade e esperança. Que sossego o desses dias agitados! Isto não era Avenida, era a Rua do Lá-Vai-Um. O mundo acabava-se ali no redondel da praça: um muro decrépito e, para além dele, era a poesia, o silêncio, o bucolismo e a Perna-de-Pau. As noites, uma paz.

José Rodrigues Migueis, «Saudades para a Dona Genciana» in Léah



I

1. Situa a acção no tempo e no espaço.
1.1 Transcreve expressões que confirmem a tua resposta.

2. «Antigamente vivia-se aqui como num céu aberto.».
2.1 O narrador recua no tempo. Como se designa essa forma de organização do tempo do discurso?
2.2 Classifica o narrador quanto à sua presença.
2.3 Identifica o narratário.
2.4 Refere a figura de estilo utilizada na frase transcrita.
2.4.1 Explica o seu valor expressivo.

3. «Havia as "terras", lotes vagos de barro viscoso onde a gente ia "reinar", e as carroças se ato-lavam até aos eixos, com muitas pragas dos carroceiros.».
3.1 Explicita o sentido que adquire na frase a palavra «reinar».
3.2 Aponta o(s) registo(s) de língua utilizado(s) na transcrição.
3.3 Substitui «a gente» por um pronome pessoal.
3.4 Transcreve da frase dois adjectivos e coloca-os no superlativo absoluto analítico.
3.5 Regista palavras da família de «carroceiros».


II

Opta por um dos seguintes temas e faz uma composição concisa e cuidada com cerca de 200 palavras:
1. A beleza da minha rua.
2. A minha terra (cidade) daqui a 50 anos.


29.3.10

A Fuga de Wang-Fô - escolha múltipla

1. No tempo de Wang-Fô a grande China era conhecida por:
a. império do Sol.
b. reino dos Han.
c. reino do Dragão Celeste.

2. Wang-Fô era pintor.
a. Vendia as suas pinturas a quem as apreciasse.
b. Vendia as suas pinturas a quem lhas pagasse.
c. Dava as suas pinturas a quem as apreciasse ou trocava-as por comida.

3. Ling era discípulo de Wang-Fô e para pagar ao seu mestre:
a. dava-lhe moedinhas de prata.
b. dava-lhe agasalhos.
c. arranjava lugares para ele passar a noite.

4. Wang-Fô foi preso pelos soldados
a. numa estrada.
b. numa estalagem.
c. junto à costa do Pacífico.

5. Os soldados conduziram Wang-Fô até ao palácio do imperador a quem chamavam:
a. Filho do Céu, Mestre Celeste e Dragão Celeste.
b. Mestre do Céu, Filho de Han e Dragão Imperial.
c. Mestre Imperial, Dragão Celeste e Mestre Divino.

6. O imperador estava sentado num:
a. trono de ouro.
b. trono de cristal.
c. trono de jade.

7. O imperador era:
a. um ancião com as mãos cobertas de rugas.
b. um jovem com as mãos cobertas de rugas.
c. um ancião com as mãos lisas.

8. O imperador fora criadado sem sair do palácio imperial. Conhecia o mundo através dos quadros de Wang-Fô. Imaginava-o:
a. cheio de pessoas, de estradas poeirentes e de pedras.
b. com planícies onde a neve não derrete e as árvores não perdem as flores.
c. como um vasto oceano com enormes vagas vistas a partir da costa.

9. Para castigar Wang-Fô, o imperador decidiu
a. mandá-lo decapitar.
b. queimar-lhe os olhos e cortar-lhe as mãos.
c. cortar-lhe as mãos e os pés.

10. Ling quis defender o seu mestre.
a. Enfrentou os guardas com um sabre.
b. Tirou uma faca da cintura e precipitou-se sobre o imperador.
c. Colocou-se entre Wang-Fô e os guardas.

11. Ling foi:
a. decapitado.
b. torturado.
c. morto com uma faca.

12. Antes de mandar matar Wang-Fô, o imperador obrigou-o a terminar um quadro inacabado que representava:
a. as montanhas, o estuário de um rio e o mar.
b. um jardim repleto e mulheres parecidas com flores.
c. uma floresta cheia de antílopes e pássaros.

13. Quando viu o quadro inacabado, Wang-Fô sorriu, porque:
a. ele lhe lembrava a juventude.
b. ia ter uma última oportunidade de pintar.
c. o quadro era muito belo.

14. Quando Wang-Fô começou a pintar aconteceu um fenómeno estranho.
a. O pavimento começo a ficar húmido.
b. Um fio de agua começou a escorrer pelas janelas.
c. Agua começou a escorrer pelas paredes.

15. Ou viu-se então um ruído de remos. O escaler aproximava-se do quadro. O barqueiro era Ling. Trazia:
a. a manga direita com as marcas de um rasgão; sobre os ombros um lenço vermelho.
b. a manga esquerda com as marcas de um rasgão; à volta do pescoço um lenço vermelho.
c. a manga direita com as marcas de um rasgão; à volta do pescoço um lenço vermelho.

16. Quando Ling ajudou Wang-Fô a subir para o barco a água era tanta que:
a. as cabeças dos cortesãos flutuavam à superfície como um lótus.
b. as tranças do imperador submerso ondulavam à superfície como cobras.
c. a cabeça do imperador flutuava à superfície como um lótus.

17. Wang-Fô e Ling afastaram-se no barco e salvaram-se da morte porque:
a. fugiram no escaler que Ling roubou no palácio.
b. hipnotizaram os cortesãos e fugiram.
c. se perderam dentro de um quadro.

28.3.10

Impressão digital


Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
uns descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros, gnomos, e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

António Gedeão


I

1. Na primeira estância, surge a oposição entre os "olhos" do "eu" poético e os "olhos" dos outros.
1.1. Explica em que consiste essa oposição.
1.2. Indica as palavras que remetem para essa diferença.

2. No poema são apresentadas formas distintas de percepcionar a realidade, dependendo daqueles que a captam.
2.1. Transcreve o verso que melhor traduz o sentido desta afirmação.

3. Refere o significado da utilização dos verbos ser e ver, na penúltima estância, tendo em conta a leitura global do poema.

4. Explicita o sentido das interrogações e respectivas respostas, nos dois últimos versos do poema.


II

Num texto expressivo e criativo, define (tendo em conta o valor conotativo que a expressão adquire no título do poema) a tua "impressão digital".

A rã


Lê atentamente o texto e responde de forma clara, correcta e completa às questões.

1. Qual é o assunto principal deste texto?

2. Este poema pode dividir-se em duas partes distintas: os movimentos da rã e as formas do corpo da rã.
2.1. Faz o levantamento de palavras e/ou expressões textuais que confirmam esta afirmação.
2.2. Qual terá sido a intenção do sujeito poético ao usar itálico no último verso do poema? Justifica.

3. O sujeito poético utiliza determinados recursos expressivos. Justificando devidamente o seu uso, retira do texto:
3.1. dois exemplos de repetição;
3.2. um exemplo de metáfora;
3.3. um exemplo de enumeração;
3.5. uso de travessões e ponto de exclamação.

4. Observa o poema e:
4.1. classifica-o quanto ao seu esquema rimático e estrófico;
4.2. analisa o esquema métrico da primeira estrofe do poema.

5. Redige um poema, à maneira de Alexandre O'Neill, sobre um crocodilo ou um outro animal aquático de que gostes.

27.3.10

A Fuga de Wang-Fô



I

Recorda o conto estudado e responde às seguintes questões:

1. Que laços uniam Wang-Fô e o seu discípulo? Dá um exemplo.

2. Qual o poder das pinturas de Wang-Fô?

3. Como era o dia-a-dia destas duas personagens?

4. O que veio alterar essa situação?

5. Como era a vida do Imperador até aos dezasseis anos e depois desta idade?

6. Concordas com o seu juízo acerca do pintor Wang-Fô? Porquê?

7. «As tranças dos cortesãos submersos ondulavam à superfície como cobras, e a cabeça do Imperador flutuava como um lótus.»
7.1. Identifica o recurso expressivo utilizado no excerto transcrito.
7.2 Compara a imagem dos cortesãos com a do Imperador.

8.Justifica o título do conto.


II

1.Observa as orações que se seguem:
a) Mestre e discípulo partiram.
b) Os soldados prenderam Wang-Fô.
c) O Imperador esperava ansiosamente Wang-Fô.
d) Wang-Fô foi ao palácio com o seu discípulo.
e) Ling manifestou grande dedicação ao seu mestre.
f) Depois, Wang-Fô acrescentou uma pequena ondulação à superfície do mar.

2. Selecciona, nas orações que observaste, um exemplo para cada caso.
Sujeito
Predicado
Complemento directo
Complemento indirecto

O Velho e o Mar


Era um velho que pescava sozinho num esquife na Corrente do Golfo, e saíra havia já por oitenta e quatro dias sem apanhar um peixe. Nos primeiros quarenta dias um rapaz fora com ele. Mas, após quarenta dias sem um peixe, os pais do rapaz disseram a este que o velho estava definitivamente e declaradamente salao , o que é a pior forma de azar, e o rapaz fora por ordem deles para outro barco que na primeira semana logo apanhou três belos peixes. Fazia tristeza ao rapaz ver todos os dias o velho voltar com o esquife vazio e sempre descia a ajudá-lo a trazer as linhas arrumadas ou o croque e o arpão e a vela enrolada no mastro. A vela estava remendada com quatro velhos sacos de farinha e assim ferrada parecia o estandarte da perpétua derrota.

O velho era magro e seco, com profundas rugas na parte de trás do pescoço. As manchas castanhas do benigno cancro da pele que o sol provoca ao reflectir-se no mar dos trópicos viam-se-lhe no rosto. As manchas iam pelos lados da cara abaixo e as mãos dele tinham as cicatrizes profundamente sulcadas que o manejo das linhas com peixe graúdo dá. Mas nenhuma destas cicatrizes era recente. Eram antigas como erosões num deserto sem peixes.
Tudo nele e dele era velho, menos os olhos, que eram da cor do mar e alegres e não vencidos.
- Santiago - disse o rapaz, ao virem da praia para onde fora alado o esquife.- Posso tornar a ir contigo. Já ganhámos algum dinheiro.
O velho ensinara o rapaz a pescar e o rapaz gostava muito dele.




Navegavam bem, e o velho mergulhou as mãos na água salgada e fez por manter claras as ideias. Havia altos cúmulos e bastantes cirros por cima deles, e o velho sabia que assim a brisa duraria a noite inteira. Fitava constantemente o peixe, para ter a certeza de que era verdade. Não passara uma hora quando o primeiro tubarão o mordeu.
O tubarão não era acidental. Viera de muito fundo, ao dispersar-se no mar a escura nuvem de sangue. Ascendera tão rapidamente e tão absolutamente sem cautelas, que abriu a superfície das águas azuis e apareceu ao sol. Caiu depois no mar e farejou e começou a nadar na esteira do esquife e do peixe.
Por vezes perdia o cheiro. Tornava, porém, a dar com ele, ou a sentir apenas um vago rasto, e nadava rapidamente na esteira. Era um enorme "mako", feito para nadar tão velozmente como o mais veloz peixe dos mares, e tudo nele era belo excepto as queixa-das. O dorso era azul como o de um espadarte, a barriga prateada, e os flancos macios e belos. Era tal qual um espadarte, com a diferença das medonhas queixadas que levava cerradas ao nadar veloz, logo abaixo da superfície, com a alta barbatana dorsal anavalhando as águas sem vacilar. Dentro dos lábios apertados, as oito ordens de dentes inclinavam-se para o interior da boca. Não eram os vulgares dentes piramidais da maior parte dos tubarões. Eram como os dedos de uma mão humana quando crispada em garra. Eram quase tão compridos como os dedos do velho e afiados como navalhas dos dois lados. Eis um peixe feito para comer todos os peixes do mar, mesmo os velozes e fortes e bem armados, que outro inimigo não têm. Aí vinha ele por ter cheirado melhor, e a barbatana dorsal azul cortava as águas.
Quando o velho o viu vir, reconheceu que era um tubarão que nada temia e havia de fazer exactamente o que lhe apetecia.

Ernest Hemingway, O velho e o Mar
(tradução de Jorge de Sena)





1. No 1.º excerto, apresenta-se a personagem principal. A sua caracterização é principalmente física:
A) magro, seco, com rugas, pele manchada e olhos cor de mar.
B) velho, magro, seco e olhos alegres.
C) magro, seco, mãos com cicatrizes e olhar persistente.
D) magro, seco, tolo e azarado.

2. Há um aspecto positivo que é realçado na caracterização do velho:
A) "... com profundas rugas na parte de trás do pescoço".
B) " Mas nenhuma destas cicatrizes era recente".
C) "... olhos alegres... e não vencidos".
D) "As manchas castanhas do benigno cancro da pele..."

3. O rapaz gostava muito do velho porque:
A) o velho era muito simpático.
B) ele tinha muita experiência.
C) ele o ensinara a pescar.
D) os outros o desprezavam.

4. O pai do rapaz proíbe-o de continuar a ir à pesca com o velho porque:
A) o velho era uma má companhia.
B) o rapaz corria perigo de vida ao acompanhá-lo.
C) o velho demonstrava estar louco.
D) o velho já não pescava nada.

5. A frase "... o velho estava definitivamente e declaradamente salao..." significa que o velho:
A) estava completamente louco.
B) mostrava sinais de senilidade.
C) sendo azarado, não conseguia pescar nada.
D) precisava de alguém que o ajudasse.

6. A frase coordenada copulativa "O velho ensinara o rapaz a pescar e o rapaz gostava muito dele." poderá ser transformada numa frase ligada por subordinação causal:
A) O rapaz gostava muito dele porque ele o ensinara a pescar.
B) Quando o velho o ensinou a pescar, o rapaz passou a gostar muito dele.
C) O rapaz gostava muito que ele o ensinasse a pescar apesar de ser velho.
D) Muito embora fosse velho, ele ensinou o rapaz a pescar.

7. O 2.º excerto foca o aparecimento de um tubarão. Antes disto suceder, o velho:
A) lava-se com água salgada e fita somente o mar.
B) adormece por breves instantes e sonha com um grande peixe.
C) lava as mãos no mar e observa o céu limpo e sem nuvens.
D) tenta manter-se acordado e observa atentamente o céu e o peixe.

8. O comportamento do velho justifica-se, porque ele:
A) sabia que o esperava uma longa e difícil tarefa.
B) tinha medo do que pudesse surgir das profundezas do mar.
C) receava perder-se no meio do mar.
D) sabia que uma tempestade se aproximava.

9. O tubarão surge repentinamente porque:
A) ouviu movimentos à superfície.
B) sentiu o cheiro do pescador.
C) farejou o peixe preso ao barco.
D) foi atraído pelos raios de sol.

10. As sensações presentes na descrição do tubarão são:
A) visuais e olfactivas.
B) visuais e tácteis.
C) tácteis e gustativas.
D) gustativas e olfactivas.

11. A figura de estilo mais utilizada para realçar algumas das características do tubarão é a:
A) comparação.
B) metáfora.
C) hipérbole
d) antítese.

12. A comparação "Eram como os dedos de uma mão humana quando crispada em garra." acentua:
A) as características humanas do tubarão.
B) o aspecto selvagem dos humanos.
C) a malvadez do ser humano.
D) toda a agressividade do animal.

13. A descrição do tubarão está marcada pela subjectividade através do uso:
A) das comparações e da adjectivação.
B) das hipérboles.
C) das metáforas e antíteses.
D) dos substantivos e tempos verbais.

14. Uma expressão que comprova a determinação do tubarão é:
A) "... nadava rapidamente na esteira".
B) "... anavalhando as águas sem vacilar".
C) "... como o mais veloz peixe dos mares...".
D) "Eis um peixe feito para comer todos os peixes do mar...".

15. A oração "... que nada temia..." é subordinada:
A) relativa.
B) integrante.
C) consecutiva.
D) final.

16. A palavra "que", na questão anterior, morfologicamente, é:
A) uma conjunção.
B) uma preposição.
C) um advérbio.
D) um pronome relativo.

17. O aspecto verbal na expressão "... havia de fazer..." é:
A) durativo.
B) frequentativo.
C) conclusivo.
D) incoativo.

18. O aspecto dessa forma verbal está expresso pelo uso:
A) de uma forma verbal simples.
B) do sufixo verbal -ia.
C) da conjugação passiva.
D) da conjugação perifrástica.

19. O modo de apresentação dominante nestes excertos é:
A) narração.
B) o diálogo.
C) a descrição.
D) o monólogo.

20. O narrador deste texto é:
A) participante e objectivo.
B) não participante e subjectivo.
C) não participante e objectivo.
D) participante e subjectivo.

26.3.10

Sermão de Santo António



Antes, porém, que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Servir-vos-ão de confusão, já que não seja de emenda. A primeira cousa que me desedifica, peixes, d vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande. Olhai como estranha isto Santo Agostinho: (....) Os homens, com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes, que se comem uns aos outros. (...) Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é, quero que o vejais nos homens. Olhai, peixes, lá do mar para a terra. Não, não: não é isso o que vos digo. Vós virais os olhos para os matos e para o Sertão? Para cá, para cá; para a Cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só os Tapuias se comem uns aos outros? Muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os brancos. Vede vós todo aquele bulir, vede vós todo aquele andar, vede vós aquele concorrer às praças e sair sem quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão-de comer, e como se hão-de comer.
Morreu algum deles, vereis logo tantos sobre o miserável a despedaçá-lo e comê-lo. Comem-no os herdeiros, comem-no os testamenteiros, comem-no os legatários, comem-no os credores; comem-no os oficiais dos órfãos, e o dos defuntos e ausentes; come-o o Médico, que o curou ou ajudou a morrer; come-o o sangrador que lhe tirou o sangue; come-o a mesma mulher, que de má vontade lhe dá para a mortalha o lençol mais velho da casa; come-o o que lhe abre a cova, o que lhe tange os sinos, e os que, cantando, o levam a enterrar; enfim, ainda o pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra. (...)
(...) Nestas palavras, pelo que vos toca, importa, peixes, que advirtais muitas outras tantas cousas, quantas são as mesmas palavras. Diz Deus que comem os homens não só o seu povo, senão declaradamente a sua plebe: Plebem meam, porque a plebe e os plebeus, que são os mais pequenos, os que menos podem e os que menos avultam na República, estes são os comidos. E não só diz que os comem de qualquer modo, senão que os engolem e os devoram: Qui devorant. Porque os grandes que tem o mando das Cidades e das Províncias, não se contenta a sua fome de comer os pequenos um por um, ou poucos a poucos, senão que devoram e engolem os povos inteiros. (...) E de que modo os devoram e comem? (...) não como os outros comeres, senão como pão. A diferença que há entre o pão e os outros comeres, é que para a carne , há dias de carne, e para o peixe, dias de peixe, e para as frutas, diferentes meses do ano; porém o pão é comer d todos os dias, que sempre e continuadamente se come: e isto
é o que padecem os pequenos. São o pão quotidiano dos grandes; e assim como o pão se come com tudo, assim com tudo e em tudo são comidos os miseráveis pequenos, não tendo nem fazendo ofício em que os não carreguem, em que os não multem, em que os não defraudem, em que os não comam, traguem e devorem (...)Parece-vos bem isto, peixes? (...)

Padre António Viera, Sermão de Santo António



I

1- Neste excerto, Vieira vai censurar os peixes pelos seus “vícios”.
1.1- Identifica a razão que está na origem da primeira repreensão que lhes é dirigida.
2- Demonstra, por palavras tuas, que a atitude do Padre António Vieira é oposta àquela que teve Santo Agostinho.
3- “Vós virais os olhos para os matos e para o Sertão? Para cá, para cá; para a Cidade é que haveis de olhar.”
3.1- Refere a ordem que Vieira dá aos peixes no excerto anterior.
3.2- Assinala as razões que presidiram a essa ordem do pregador.
4- “São o pão quotidiano dos grandes; e assim como o pão se come com tudo, assim com tudo e em tudo são comidos os miseráveis pequenos.”
Explica esta passagem.
5- Selecciona, no excerto, um exemplo de cada um dos seguintes recursos:
-apóstrofe
- metáfora
- enumeração

II

1- “Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes(...)
1.1- Classifica a oração sublinhada.
1.2- Faz a análise sintáctica da seguinte oração: “Santo Agostinho (...) mostrou-lho nos peixes”.


III

1- No mundo em que vivemos, todos os dias ouvimos discutir questões polémicas acerca das quais também temos a nossa opinião.
Temas como a violência no desporto, a legalização de emigrantes em situação irregular, a interrupção voluntária da gravidez, estão na ordem do dia.
Escolhe um tema, de entre os que te são apresentados, e elabora sobre ele um texto argumentativo que tenha entre cento e sessenta e duzentas palavras.


Dias de Festa e Outras Histórias

Quando o pai arranjou trabalho em Lisboa e resolveu levar consigo a mulher e o filho, o Augusto ficou muito contente. Ele nunca tinha ido a Lisboa; só uma vez a Viseu, que até era uma cidade bonita, mas Lisboa havia de ser ainda mais e maior.
Com muitos automóveis, autocarros e um comboio que andava por debaixo do chão (tinham-lhe contado). E casas altas. Com dez andares! E um rio com vapores. E uma grande ponte.
Mas afinal…
Ao fim de um mês, o Augusto não se sentia tão feliz como julgava que havia de estar.
Lisboa seria uma cidade grande e bonita, seria, mas era talvez grande demais.
O Augusto ainda não tinha visto a estátua, nem a ponte, nem o rio com vapores, nem tinha andado no comboio debaixo do chão, nem…nem…
Assim brincava na rua, ou no pátio da escola.
Mas também aí…
No primeiro dia, quando a professora o mandou ler e o Augusto começou: « No chimo da iárvore o pacharinho tinha o ninho que era a chua caja…», os outros largaram-se a rir.
O Augusto parou. Não percebia o que tivesse dito que fosse tão engraçado. Lá na terra, a professora até dizia que ele era bom aluno e lia muito bem.
- Continua Augusto – disse a professora de Lisboa, depois de ter mandado calar os outros.
Leu o trecho todo até ao fim da página, mas agora com menos confiança, cheio de medo de que as gargalhadas o interrompessem novamente.
Mas ninguém se riu mais.
- Muito bem Augusto! – disse a professora sorrindo para ele.
E depois explicou que a maneira de falar do Augusto era a pronúncia da Beira Alta, nem pior nem melhor que a do Alentejo, a do Algarve, a do Minho, a dos Açores, a da Madeira… Ou a de Lisboa. Todas estavam certas e tudo era Língua Portuguesa.
Os outros acreditaram ou não. Dentro da aula nunca mais fizeram troça dele, mas lá fora chamavam-lhe o Chantos (Augusto dos Santos era o nome dele), e não lhe ligavam importância nenhuma. Naturalmente, porque já eram conhecidos e amigos uns dos outros desde a primária, e o Augusto acabava de chegar.

Maria Isabel Mendonça Soares, Dias de Festa e Outras Histórias


I

1. Classifica o narrador quanto à sua presença na acção. Justifica.

2. Quantos parágrafos têm o texto?

3. Identifica o protagonista do texto.

4. Que alteração se verificou na sua vida?

5. “ Ao fim de um mês, o Augusto não se sentia tão feliz como julgava que havia de estar”
5.1. Por que razão não se sentia Augusto “tão feliz como julgava que havia de estar”?

6. Quando chegou à escola, na capital, passou a ser motivo de troça.
6.1. Explica porquê.

7. Além da pronúncia, que outros motivos levaram Augusto a sentir-se desadaptado?

8. Redige a frase lida por Augusto, corrigindo a ortografia resultante da pronúncia.


II

1. O Augusto ficou muito contente.
1.1. Indica em que grau se encontra o adjectivo presente na frase.

1.2. Reescreve a frase colocando o adjectivo no grau superlativo absoluto sintético.

2. “ Lá na terra, a professora até dizia que ele era bom aluno e lia muito bem. “
2.1. Analisa morfologicamente as palavras destacadas.


3. Analisa sintacticamente a seguinte frase:
Naquele dia, a professora apresentou o Augusto aos colegas.


III

Na tua opinião, o que poderia ser feito para integrar o rapaz na turma e na escola? Redige um pequeno texto ( escreve no mínimo quinze linhas ).


Foi remédio santo!

Para que a catástrofe fosse total, o tal pontapé em cheio foi reforçado por uma presença detestável, ali mesmo, na “minha” paragem de autocarro, com cara de iogurte com pedaços, uma cara cheia de altos e baixos, borbulhas que lembram a paisagem rugosa e pedregosa, árida e fria, da superfície de Marte, gigantescas crateras com 24 metros de diâmetro, resultantes do impacto de um meteorito, há 23 milhões de anos, montanhas de acne com 48 metros de altura, o ar mais imbecil da via láctea, o rapaz mais parvalhão, aborrecido, incómodo e feio da escola: o Falinhas Mansas. Estava lá, mas não devia – ele usa habitualmente a paragem do autocarro do bairro dele que, felizmente, fica a mais de dez minutos de distância, e usa-a por mero bom senso, já que passa à porta de casa dele e pára à porta da escola. Deve ter acordado antes do mundo nascer para estar ali àquela hora – e, mal me viu, saiu de transe ou acordou, sacudiu as borbulhas, arrastou o esqueleto, avançou dois passinhos, pôs-me a mão no ombro, repelente, só não parecia uma cobra porque as cobras não têm mãos.
Notei que ao falar deixava sair pela boca um cheiro esquisito, flocos de aveia australianos, leite gordo holandês, talvez uma fatia de pão com manteiga açoriana e pasta de dentes com hortelã serrana, à mistura com uma coisa qualquer, pastilha elástica ou isso, americana ou dessas que não têm marca nem origem, mas que eu acho que são feitas numa terra chamada Formosa, ou na China, por operários que trabalham a troco de pouco salário e muito sofrimento, que usam os restos das bolas de basquete e das solas dos ténis de boa marca, que também fazem.
Dei dois passos atrás, com pavor, e ele deu três passos à frente, com descaramento e determinação e eu gritei: “este rapaz quer passar à frente. Está a furar a fila!”
Foi remédio santo, logo uma senhora gorda começou a protestar, um homem magro deu-lhe um abanão, uma mulher carregada com malas e sacos pregou um tabefe ao Falinhas Mansas, que, com falinhas mansas, explicou-se, desfazendo-se em sorrisos e saltitando ora num ora noutro pé, como se estivesse aflito para ir à casa de banho ou atrás da árvore mais próxima, sanitário público de muitos rapazes como ele:
- Sou colega dela, andamos na mesma escola, quero apenas [...]

Uma Argola no Umbigo, Alexandre Honrado, Ed. AMBAR



I

1. Indica as personagens mais relevantes do texto.

2. Presta atenção ao primeiro parágrafo, em especial à caracterização do Falinhas Mansas.
2.1. Por que motivo foi usada a expressão “cara de iogurte com pedaços”?
2.2. Que outras expressões remetem para a caracterização da cara do rapaz?
2.3. Explica o sentido da expressão “o ar mais imbecil da via láctea”.
2.4. Indica o nome que o adjectivo “repelente” está a qualificar.

3. Atenta agora no segundo parágrafo.
3.1. Faz o levantamento de palavras que referem países ou regiões.

4. Presta atenção ao terceiro parágrafo.
4.1. Explica o motivo da reacção inicial da narradora.
4.2. Qual te parece ser o sentimento que a narradora nutre pelo colega?

5. A explicação final do Falinhas Mansas não está completa. Imagina-a e regista-a, mas tem atenção que ele vai dar uma explicação falsa.

6. Classifica o narrador desta história quanto à presença, apoiando-te em expressões do texto.

7. Localiza a acção no espaço. Justifica a tua resposta.

8. Retira do texto a expressão que comprova que a acção se desenrola de manhã.

9. Retira do texto um exemplo de narração e um exemplo de diálogo.


II

1.
Encontra no texto um exemplo para cada determinante:
a) determinante artigo indefinido, feminino, singular
b) determinante indefinido, masculino, singular
c) determinante possessivo, feminino, primeira pessoa do singular (um possuidor)

2. Classifica morfologicamente as palavras destacadas nos excertos que se seguem:
a) O Falinhas Mansas era o rapaz mais imbecil da escola.
b) A narradora e aquele rapaz andavam na mesma escola.
c) Ele não usa a minha paragem, usa outra.

3. Analisa sintacticamente as frases que se seguem.
a) O Falinhas Mansas era muito tímido.
b) O rapaz comprou flores à amiga.
c) Ambos moravam em Lisboa.

III

Já alguma vez te sentiste apaixonado por alguém que não repara em ti? Imagina que és o Falinhas Mansas. Como reagirias naquela situação?
Escreve um pequeno texto que dê continuidade ao encontro dos dois colegas na paragem do autocarro. Agora és tu (Falinhas Mansas) o narrador!
(Cerca de 150 palavras.)


25.3.10

Aurora



A poesia não é voz - é uma inflexão.
Dizer, diz tudo a prosa. No verso
nada se acrescenta a nada, somente
um jeito impalpável dá figura
ao sonho de cada um, expectativa
das formas por achar. No verso nasce
à palavra uma verdade que não acha
entre os escombros da prosa o seu caminho.
E aos homens um sentido que não há
nos gestos nem nas coisas:

voo sem pássaro dentro.

Adolfo Casais Monteiro


1. O texto «Aurora» é a expressão da caracterização de dois modos literários. Identifica-os.

2. Qual é a palavra que, de imediato, caracteriza este texto como poético, tendo em conta que, segundo o poeta, essa palavra identifica a forma de expressão da poesia?

3. Atenta no 1° e 2.º versos e em parte do 3° a poesia não é voz - «é uma inflexão Dizer, diz tudo a prosa No verso nada se acrescenta a nada (...)»

4. Que relação o eu lírico estabelece entre os dois modos literários anteriormente identificados?


24.3.10

Prece

Leia o poema, com atenção, e elabore um comentário tendo em conta os tópicos propostos:


XII. PRECE

Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.

Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistaremos a Distância —
Do mar ou outra, mas que seja nossa!

Fernando Pessoa, Mensagem

I

1. Estado do sujeito no passado e no presente
2. Esperança que ainda resta
3. Sentido da prece no contexto do Quinto Império
4. Marca de expressividade



II

Álvaro de Campos é um engenheiro naval estrangeirado e deprimido.
Alberto Caeiro é «ignorante da vida e quase ignorante das letras, quase sem convívio nem cultura...»

Num texto entre 40-50 palavras, diferencie estes dois heterónimos de Fernando Pessoa salientando o sensacionismo em cada um.


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