30.3.09

Eu chamei-te para ser a torre
Que viste um dia branca ao pé do mar.
Chamei-te para me perder nos teus caminhos.
Chamei-te para sonhar o que sonhaste.
Chamei-te para não ser eu:
Pedi-te que apagasses
A torre que eu fui a minha vida os sonhos que sonhei.

Sophia de Mello Breyner Andresen


A uma escrava que lhe ocultou o sol

Ela ergueu a figura ocultando
da minha vista o disco solar
- oculta esteja aos olhos da volúvel fortuna!
Ela bem sabe, juro que é uma lua.
Quem pode eclipsar o sol
senão a face da lua?

Al-MuTamid

Indian Beauty

I

1. No poema de Sophia há um apelo do EU, que se pretende anular, sugerindo uma trans-formação no TU.
1.1. Faça um levantamento das marcas identificativas do EU.
1.2. Mostre as razões da anulação do EU e da transformação no TU.
1.3. Como se processa essa transformação?

2. Compare o texto de Sophia com o de AI-MuTamid. tendo em conta o assunto e os símbolos que utiliza.

3. Identifique os principais recursos estilísticos presentes nos poemas e mostre a sua expressividade.


II

1. Cada uma das frases que se segue contém dois espaços em branco que indicam que foram omitidas duas palavras. Escolha o par que melhor completa o sentido global da frase.

«O que há afinal num……..?», pergunta-se angustiada Julieta, na tragédia que Shakespeare dedicou ao seu amor infeliz por Romeu. «No fundo, uma rosa, ainda que lhe déssemos outro nome, manteria sempre o seu _____...»

A: nome …. Perfume
B: ser…. Aroma
C: pessoa … brilho
D: homem …. Matiz
E: amor …. odor

Construa uma frase contendo o substantivo discrição e outra contendo o substan¬tivo descrição - se necessário, associando-lhes outras frases, de modo a mostrar claramente a diferença semântica entre os dois substantivos.


III

«Se fizermos uma retrospectiva, verificamos que a mulher aparece evocada constantemente pela sua beleza, pela fragilidade, pela sensualidade, por despertar o amor ou, simplesmente, por se apresentar como protectora, cúmplice ou mãe.
São poucas as figuras femininas que tiveram voz activa e acesso à cultura. Só no século XX, é que as mulheres ganharam voz e fizeram dela mensagem e pensamento.»

Tendo em conta a afirmação transcrita, escreva um texto cuidado onde exponha os seus conhecimentos e argumentos sobre o assunto.


Cá nesta Babilónia donde mana matéria

Cá nesta Babilónia1 donde mana matéria
a quanto mal o mundo cria;
cá onde o puro Amor não tem valia,
que a Mãe, que manda mais, tudo profana;

cá, onde o mal se afina, e o bem se dana,
e pode mais que a honra a tirania;
cá, onde a errada e cega Monarquia
cuida que um nome vão a Deus engana;

cá, neste labirinto, onde a nobreza
com esforço e saber pedindo
vão às portas da cobiça e da vileza;

cá neste escuro caos da confusão,
cumprindo estou o curso da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!1

Luís de Camões



Notas:
1. Babilónia e Sião são símbolos bíblicos que, aqui, podem ser entendidos como exílio e pátria. No sentido bíblico:
- Babilónia: símbolo do triunfo passageiro de um mundo material. É ainda o mal presente,
- Sião: símbolo da vida espiritual e do bem da glória passada,
2. Mãe: Vénus, símbolo do amor sensual.




I

1. Todo o poema, à excepção do último verso, se ocupa da caracterização de um lugar.
1.1. Metaforicamente, que nome se dá a esse lugar?
1.2. Indique:
- o(s) deíctico(s) que introduz(em) a caracterização do lugar;
- a figura de estilo que vem associada ao emprego do(s) deíctico(s).
1.3. Inventarie os males atribuídos a esse lugar.
1.4. Refira-se à dupla simbologia de «Babilónia».

2. Quase nada se diz sobre Sião.
2.1.Dequeforrna se tem acesso ao que Sião representa?
2.2. Interprete os últimos dois versos do soneto.

3. De que forma este soneto se assemelha a uma página de diário?



II
Que terá Camões para nos dizer sobre a vida social e política no Oriente, onde se exilou?



Alma minha gentil, que te partiste


Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís de Camões


I

1. O assunto do poema é logo indicado no primeiro verso.
1.1. Refira-o.
1.2. Que figura de estilo se liga ao emprego do verbo partir?
1.3. Faça o levantamento, na primeira quadra, das marcas textuais que reenviam para a relação eu/tu.

2. Há, no poema, dois deícticos que dão conta da distância que separa o eu do tu.
2.1. Indique-os.
2.2. A que lugares se referem?

3. Indique o recurso morfossintáctico que reforça a ideia de morte prematura do tu.

4. Atente nos desejos do poeta, expressos na segunda quadra e no segundo terceto.
4.1. Registe-os.
4.2. Que tipo de frase serve a expressão desses desejos?

5. A morte do eu é o remédio para a «mágoa sem remédio» que o atormenta. O que representa aqui a morte?






29.3.09

Carlos e Eusebiozinho

Os noivos tinham chegado de uma pitoresca e perigosa viagem, e Carlos parecia descontente de sua mulher; comportara-se de uma maneira atroz; quando ele ia governando a mala-posta, ela quisera empoleirar-se ao pé dele na almofada... Ora senhoras não viajam na almofada.
– E ele atirou-me ao chão, titi!
– Não é verdade! Demais a mais é mentirosa! Foi como quando chegámos à estalagem... Ela quis-se deitar, e eu não quis... A gente, quando se apeia de viagem, a primeira coisa que faz é tratar do gado... E os cavalos vinham a escorrer...
A voz de D. Ana interrompeu, muito severa:
– Está bom, está bom, basta de tolices! Já cavalaram bastante. Senta-te aí ao pé da senhora viscondessa, Teresa... Olha essa travessa do cabelo... Que despropósito!
Sempre detestara ver a sobrinha, uma menina delicada de dez anos, a brincar assim com o Carlinhos. Aquele belo e impetuoso rapaz, sem doutrina e sem propósito, aterrava-a: e pela sua imaginação de solteirona passavam sem cessar ideias, suspeitas de ultrajes, que ele poderia fazer à menina. Em casa, ao agasalhá-la antes de vir para Santa Olávia, recomendava-lhe com força que não fosse com o Carlos para os recantos escuros, que o não deixasse mexer-lhe nos vestidos!... A menina, que tinha os olhos muito langorosos, dizia: «Sim, titi.» Mas, apenas na quinta, gostava de abraçar o seu maridinho. Se eram casados, porque não haviam de fazer nené, ou ter uma loja e ganharem a sua vida aos beijinhos? Mas o violento rapaz só queria guerras, quatro cadeiras lançadas a galope, viagens a terras de nomes bárbaros que o Brown lhe ensinava. Ela, despeitada, vendo o seu coração mal compreendido, chamava-lhe arrieiro; ele ameaçava boxá-la à inglesa: – e separavam-se sempre arrenegados.
Mas quando ela se acomodou ao lado da viscondessa, gravezinha e com as mãos no regaço – Carlos veio logo estirar-se ao pé dela, meio deitado para as costas do canapé, bamboleando as pernas.
– Vamos, filho, tem maneiras – rosnou-lhe muito seca D. Ana.
– Estou cansado, governei quatro cavalos – replicou ele, insolente e sem a olhar.
De repente, porém, de um salto, precipitou-se sobre o Eusebiozinho. Queria-o levar à África, a combater os selvagens: e puxava-o já pelo seu belo plaid de cavaleiro da Escócia quando a mamã acudiu aterrada:
– Não, com o Eusebiozinho não, filho! Não tem saúde para essas cavaladas... Carlinhos, olhe que eu chamo o avô!
Mas o Eusebiozinho, a um repelão mais forte, rolara no chão, soltando gritos medonhos. Foi um alvoroço, um levantamento. A mãe trémula, agachada junto dele, punha-o de pé, sobre as perninhas moles, limpando-lhe as grossas lágrimas, já com o lenço, já com beijos, quase a chorar também. O delegado, consternado, apanhara o boné escocês, e cofiava melancolicamente a bela pena de galo. E a viscondessa apertava às mãos ambas o enorme seio, como se as palpitações a sufocassem.
O Eusebiozinho foi então preciosamente colocado ao lado da titi; e a severa senhora, com um fulgor de cólera na face magra, apertando o leque fechado como uma arma, preparava-se a repelir o Carlinhos, que, de mãos atrás das costas e aos pulos em roda do canapé, ria, arreganhando para o Eusebiozinho um lábio feroz. Mas nesse momento davam nove horas, e a desempenada figura do Brown apareceu à porta.
Apenas o avistou, Carlos correu a refugiar-se por detrás da viscondessa, gritando:
– Ainda é muito cedo, Brown, hoje é festa, não me vou deitar!
Então Afonso da Maia, que se não movera aos uivos lancinantes do Silveirinha, disse de dentro, da mesa do voltarete, com severidade:
– Carlos, tenha a bondade de marchar já para a cama.

Eça de Queirós, Os Maias, cap. III



I

1. Integre este excerto na estrutura global da obra a que pertence.

2. Ponha em evidência o contraste que existe entre Carlos e Eusebiozinho.

3. Comente a reacção da mãe à queda de Eusebiozinho.

4. Afonso «não se movera aos uivos lancinantes do Silveirinha» que Carlos deitara ao chão. Acha essa atitude correcta? Justifique.

5. Comente, a partir de exemplos representativos, a expressividade da linguagem do texto tendo em vista a corrente literária em que se insere e as características de estilo do autor.


II

Comente a seguinte afirmação: «A partir da acção fulcral – amores de Carlos e Maria Eduarda – Eça de Queirós pretendeu, em Os Maias, retratar a sociedade portuguesa dos fins do século XIX.»



Zé Manel


Um dia, Zé Manel contou-me aqui na praia, estava eu sentada a seu lado sobre aquela areia dourada e fina e ouvíamos ambos a grande música do mar misturada com o cantar pequenino dos grilos:
- Sabe de que eu gosto? De ir ao Campo de Aviação e ver os aviões levantar e baixar (os aviões chegavam e partiam só duas vezes por semana naquela ilha). E perguntei-lhe:
- Que te vem à ideia quando vês os aviões, Zé Manel?
- Grandes pássaros e outras terras! Mas do que eu gosto mais é de vir à praia.
- E porquê?
Eu quase sabia a resposta daquele menino de bonezinho branco e azul e de olhos cor dos montes varridos pelos ventos.
Ele respondeu rindo muito, mostrando os dentes brancos como seixos lavados pelo mar.
- Gosto de tomar banho e de andar de canoa. E perguntei-lhe mais:
- Zé Manel, quando fores um homem, o que queres fazer? A sua voz delicada, misturada com a música grande do mar (nesta altura os grilos faziam silêncio), respondeu:
- Eu quero ir trabalhar para o bar do hotel aqui da praia.
- Gostas desse trabalho?
- Sim, senhora.
- E porque gostas dele?
- Para ganhar dinheiro.
- E para que queres ganhar dinheiro?
- Para me vestir e me calçar e comer.
- E não continuas a estudar?
- Eu vou continuar a estudar sozinho.
- Tu tens brinquedos, Zé Manel?
- Eu não tenho brinquedos.
- Nunca os tiveste?
- Não, senhora.
Eu pensei então e digo-vo-lo agora alto: Zé Manel é um sol sobre a areia, todo ele nesta ilha quase deserta e tão bela, chamada Porto Santo.
Zé Manel é um sol para aqueles homens e meninos que desprezam o trabalho, que tudo querem para si e nada amam, que não pensam que há meninos que vão estudar sozinhos, por não terem quem os ensine, meninos que nunca tiveram outro brinquedo senão o mar e os aviões que chegam e se vão duas vezes por semana. E o seu sorriso é o próprio Sol.
E beijei as faces do Zé Manel como se beijasse tudo que ainda não tem o verdadeiro Amor.

Matilde Rosa Araújo, O Sol e o Menino dos Pés Frios


I

1. De entre cada grupo de afirmações, assinala a que, segundo o texto, é verdadeira.

1.1. Zé Manel gostava mais de:
a. trabalhar no bar do hotel
b. tomar banho e andar de canoa
c. voar

1.2. Para a narradora, Zé Manel compara-se:
a. ao vento
b. à música do mar
c. ao próprio Sol

2. De entre a função informativa ou referencial, a função poética e a função emotiva
ou expressiva, faz corresponder a cada extracto do texto aquela que melhor se lhe adequa.
"E o seu sorriso é o próprio Sol."
"(nesta altura os grilos faziam silêncio)"
"Grandes pássaros e outras terras!"

3. Distingue as situações em que a expressão "Zé Manel" tem a função sintáctica de sujei-to, vocativo e complemento determinativo.
sujeito:
vocativo:
complemento determinativo:

4. De entre os títulos indicados, escolhe aquele que melhor se ajusta ao texto:
simplicidade;
isolamento;
homenagem;
afectividade,
e justifica a tua escolha.

5. Destaca do texto marcas que mostrem que a narração é feita na primeira pessoa e por uma personagem feminina.
II

Com base no excerto apresentado e também com a ajuda de transcrições, elabora um comentário com cerca de sessenta palavras, sobre a frase final do texto:

... como se beijasse tudo que ainda não tem o verdadeiro Amor.



28.3.09

Os Parâmetros da Vida

Faz a leitura integral do conto «Os Parâmetros da Vida» de Maria Isabel Barreno.

1. AS PERSONAGENS
1.1. Cada história tem as suas personagens.
1.1.1. Considerando a classificação de personagens em principais, secundárias e figurantes, classifica as personagens da história do ladrão.
1.1.2. Aplica o mesmo modelo às histórias em que os narradores são também personagens.


2. O TEMPO / O ESPAÇO
2.1. Sublinha no texto as frases que situam a acção no tempo e no espaço.
2.1.1. Que concluis quanto às possibilidades de existência real desse espaço?
2.2. "É um mundo onde uma certa (. ..) -coexistência de passado, presente e até futuro, é possível;"
2.2.1. O que significa a palavra coexistência?
2.2.2. Quer então esta frase dizer que este é um mundo onde:
-coisas de diferentes épocas se podem passar ao mesmo tempo
- se pode viajar para o passado e para o futuro
-se pode antecipar o futuro
-num determinado momento se podem juntar pessoas do passado e do futuro

(Escolhe a resposta que consideres mais adequada.)


3. A HISTÓRIA
3.1. Na leitura que fizeste apercebeste-te que estás diante de várias histórias que de algum
modo se ligam entre si.
Que histórias? Quem as conta?


4. O NARRADOR
4.1. Pela leitura do texto, apercebeste-te, com certeza, que há vários narradores: narrador ausente e dois narradores presentes.
4.1.1. Quando a narração é feita por um narrador ausente, em que pessoa te aparece a maior parte dos verbos?
4.1.2. E quando o narrador é presente?
4.2. Vais anotar, na margem do texto, as entradas respectivas de cada tipo de narrador através do pronome pessoal que o identifica.
4.3. Faz agora corresponder o pronome pessoal que indica o narrador presente à personagem (ou personagens) que ela representa.
4.3.1. Que verificaste?
4.4. Compara a maneira de contar do narrador ausente e a do(s) narradore(s) presente(s) quanto à objectividade ou subjectividade das respectivas narrações.



27.3.09

Ah, minha Dinamene assi deixaste



Ah, minha Dinamene assi deixaste
Quem não deixara nunca de querer-te!
Ah, Ninfa minha, já não posso ver-te,
Tão asinha esta vida desprezaste!

Como já para sempre te apartaste
De quem tão longe estava de perder-te?
Puderam estas ondas defender-te
Que não visses quem tanto magoaste?

Nem falar-te somente a dura Morte
Me deixou, que tão cedo o negro manto
Em teus olhos deitado consentiste!

Ó mar! Ó céu! Ó minha escura sorte!
Qual pena sentirei, que valha tanto,
Que ainda tenho por pouco o viver triste?

Luís de Camões


I

1. Identifique o facto que inspirou o poema.

2. O sentimento de dor do eu poético é visível em todo o texto.
2.1. Relacione o emprego abundante dos advérbios de intensidade com o sofrimento do eu.
2.2. Indique, exemplificando, outros recursos que reenviem para a emoção que o sujeito poético experimenta.
2.3. Que ideia subjaz às questões levantadas na segunda quadra?

3. Interprete o estado de espírito do eu, no segundo terceto.


26.3.09

Transforma-se o amador na cousa amada




Transforma-se o amador na cousa amada
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar.
Pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
que, como um acidente2 em seu sujeito,
assi co a alma minha se conforma,

está no pensamento como ideia;
(e) o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria3 simples busca a forma.

Luís de Camões



Notas:
1. O amor é, assim, a ideia da amada vivida pelo amante;
2. Acidente: aquilo que pertence a um ser e pode ser afirmado dele em verdade: ser alto, branco, etc. As características ou qualidades do sujeito são, pois, acidentes;
3. Matéria e forma, categorias aristotélicas. A matéria é a existência virtual, que só se concretiza mediante as formas. Numa mesa de madeira, a madeira é a matéria; o modelo seguido pelo carpinteiro é a forma. A matéria precisa, pois, da forma para ser mesa. Matéria e forma não são duas realidades, mas uma só.



I

1. Este soneto organiza-se em relação a dois tipos de amor.
1.1.Identifique-os.
1.2. Transcreva os versos que, na primeira e na segunda qua¬dras, melhor os ilustram.
1.3. Ponha em evidência as teorias que servem de suporte a esses conceitos de amor.

2. Atente nas palavras «logo» e «pois», na primeira quadra.
2.1. Classifique-as morfologicamente.
2.2. Relacione o seu emprego com a tese aí defendida pelo eu poético.

3. Saliente a comparação presente no primeiro terceto.

4. Pode dizer-se que os últimos dois versos respondem à questão formulada na segunda quadra.
4.1. Integre, no plano do amor, os conceitos de matéria e forma.
4.1. Ponha em evidência a tentativa de síntese expressa pelos últimos dois versos.



21.3.09

Desconcerto do Mundo




Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos;
E pêra mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pêra mim,
Anda o Mundo concertado.

Luís de Camões


I

1. Segundo o sujeito poético, como estão distribuídos, no mundo, o prémio e o castigo?
1.1 Em função do que viu, como decidiu proceder?
1.1.1 Refere as consequências do seu procedimento.
1.2 Que conclusão tirou do que viu e do que fez?
1.2.1 Indica os versos que apresentam essa conclusão.

2. Selecciona do texto frases que apresente uma metáfora e uma hipérbole.
2.1 Clarifica o seu valor expressivo.

3. Interpreta o título do poema. Esclarece a sua importância.

4. Faz a sua análise formal.


II

1. Integra na respectiva classe e subclasse as seguintes palavras:
a) «Sempre» (v. 1)
b) «bem» (v. 7)
c) «só» (v. 9)

2. Refere palavras da família de «desconcerto».

3. Esclarece o valor aspectual implícito no último verso.

20.3.09





Mote seu
De que me serve fugir
de morte, dor e perigo,
se me eu levo comigo?

Voltas
Tenho-me persuadido,
por razão conveniente,
que não posso ser contente,
pois que pude ser nacido.
Anda sempre tão unido
o meu tormento comigo
que eu mesmo sou meu perigo.

E se de mi me livrasse,
nenhum gosto me seria;
que, não sendo eu, não teria
mal que esse bem me tirasse.
Força é logo que assi passe:
ou com desgosto comigo,
ou sem gosto e sem perigo.

Luís de Camões

I

1. Qual a função do mote e das voltas em que o poema se encontra dividido?

2. Interpreta a pergunta presente no mote.

3. Explicita o determinismo / fatalismo expressos na 1.ª volta.

4. Na última estrofe o sujeito poético apresenta, em alternativa, os dois modos de vida que lhe são possíveis.
4.1 Identifica-os.
4.2 Como prefere viver?
4.2.1. Transcreve expressões que fundamentem a resposta anterior.


II

1. Selecciona, do texto, palavras do campo semântico de «sofrimento».

2. O vocábulo «que» está presente ao longo do poema, com diferentes funções.
2.1 Localiza no texto, as situações enunciadas, de A a D.
A. conjunção subordinativa integrante - introduz frase subordinada substantiva completiva.
B. conjunção subordinativa causal - introduz frase subordinada adverbial causal.
C. pronome relativo - introduz frase subordinada adjectiva relativa restritiva com antecedente.
D. conjunção subordinativa consecutiva - introduz frase subordinada adverbial consecutiva.

19.3.09

Mote Alheio

Campos bem-aventurados,
tornai-vos agora tristes,
que os dias em que me vistes
alegre são já passados.


Campos cheios de prazer,
vós, que estais reverdecendo,
já me alegrei com vos ver;
agora venho a temer
que entristeçais em me vendo.
E, pois a vista alegrais
dos olhos desesperados,
não quero que me vejais,
para que sempre sejais
campos bem-aventurados.

Porém, se por acidente,
vos pesar de meu tormento,
saberei que Amor consente
que tudo me descontente,
senão descontentamento.
Por isso vós, arvoredos,
que já nos meus olhos vistes
mais alegrias que medos,
se mós quereis fazer ledos,
tornai-vos agora tristes.

Já me vistes ledo ser,
mas despois que o falso Amor
tão triste me fez viver,
ledos folgo de vos ver,
porque me dobreis a dor.
E se este gosto sobejo
de minha dor me sentistes,
julgai quanto mais desejo
as horas que vos não vejo
que os dias em que me vistes.

O tempo, que é desigual,
de secos, verdes vos tem;
porque em vosso natural
se muda o mal para o bem,
mas o meu para mor mal.
Se perguntais, verdes prados,
pelos tempos diferentes
que de Amor me foram dados,
tristes, aqui são presentes,
alegres, já são passados.

Luís de Camões


I

1.O texto estrutura-se em dois tempos distintos: o presente e o passado.
1.1 Transcreve as expressões que caracterizam os campos nessas duas dimensões temporais.

2. Identifica os sentimentos antagónicos que os «campos» despertam no eu poético.
2.1 Neste sentido, interpreta os versos 10 e 11.

3. Esclarece o motivo do estado de espírito do sujeito poético no presente.
3.1 Selecciona as expressões que justificam a resposta à questão anterior.

4. Na penúltima estrofe, o eu poético exprime o desejo de sofrer profundamente.
4.1 Neste contexto, explica os dois últimos versos.

5. Avalia os efeitos da passagem do tempo sobre os «campos» e sobre o eu poético.

6. Refere as duas figuras de estilo em que se alicerça o poema.

7. Analisa formalmente o poema.


II

1. O texto documenta um estilo engenhoso, artístico, revelando a mestria linguística de Camões.
1.1 Selecciona e classifica os conectores discursivos que sequencializam o discurso.
1.2 Regista os vocábulos do campo semântico de «Campos» e «prazer».


File:Claude Lorrain 021.jpg



16.3.09

Verdes são os campos,





Verdes são os campos,
de cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendeis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís de Camões



I

1. Identifica no poema os vocábulos e as expressões correspondentes às afirmações seguintes:
a) Os olhos da amada do poeta são verdes.
b) O campo é belo e alimenta os animais.
c) O eu «alimenta-se» de recordações da amada.
d) O sujeito poético observa subjectivamente a natureza.

2. Interpreta o cromatismo dominante no poema.

3. Identifica a figura de estilo presente no penúltimo verso da última estrofe, referindo a sua expressividade.


II

1. Tendo em conta a coesão do texto, classifica o vocábulo sublinhado no verso «Isso que comeis», explicitando o seu uso.

2. Considera as expressões «verdura bela» e bela verdura.
2.1. Integra as palavras entre aspas na classe e respectiva subclasse.
2.2. Distingue a expressividade do vocábulo «bela», quanto à sua posição.

3. Escreve frases com:
3.1. uma palavra homógrafa de «cor» (v. 2)
3.2. uma palavra homónima de «são» (v. 3)
3.3. uma palavra homófona de «traz» (v. 10)

4. Estabelece a ligação entre os dois primeiros versos da primeira estrofe com os dois últimos, usando um conector de sentido equivalente ao que se encontra no texto.

5. Considera os vocábulos «cor» e «ovelhas»
5.1. Apresenta hipónimos de cor.
5.2. Refere um hiperónimo de ovelhas.




12.3.09

Quem ora soubesse



Chiste

Quem ora soubesse
onde o amor nace,
que o semeasse.

Voltas

D'Amor e seus danos
me fiz lavrador;
semeava amor
e colhia enganos.
Não vi, em meus anos,
homem que apanhasse
o que semeasse.

Vi terra florida
de lindos abrolhos:
lindos para os olhos,
duros para a vida.
Mas a rês perdida
que tal erva pace
em forte hora nace.

Com quanto perdi,
trabalhava em vão;
se semeei grão,
grande dor colhi.
Amor nunca vi
que muito durasse,
que não magoasse.

Luís de Camões

I

1. Esclarece o sentido do mote.

2. O Amor dominou as experiências do eu poético que metaforicamente se define, de «lavrador» (v. 2) e de «rês perdida» (v. 12).
2.1 Refere o significado dessas metáforas.

3. Encontra no poema as antíteses correspondentes às afirmações:
a) Paixão profunda / Incorrespondência
b) Beleza exterior / Sofrimento intenso
c) Muita dedicação / Muitos desgostos
d) Paixão ardente / Mágoa profunda

4. Explicita o sentido dos versos 12 a 14, relacionando-os com a autocaracterização que lhes está subjacente.

5. «Não vi, em meus anos» (v. 5), «nunca vi» (v. 19).
5.1 Interpreta a negatividade das expressões sublinhadas, considerando a sua contextualização.

6. Que conclusões se podem tirar acerca do amor e da visão do sujeito poético sobre este sentimento?

7. Analisa formalmente a composição poética.


II

1. «Quem ora soubesse / (...) / que o semeasse» (vs. 1-3)
1.1 Classifica as formas verbais sublinhadas, quanto ao tempo e ao modo.
1.2 Interpreta o seu uso.

2. Classifica a frase «Quem ora soubessse».



7.3.09

Carta de Guia de Casados

Uma das coisas que mais assegurar podem a futura felicidade de casados é a proporção do casamento. A desigualdade no sangue, nas idades, na fazenda, causa contradição; a contradição, discórdia. E eis daqui os trabalhos por onde vêm. Perde-se a paz, e a vida é inferno.
Para satisfação dos pais convém muito a proporção do sangue, para o proveito dos filhos, a da fazenda, para o gosto dos casados, a das idades. Não porém que seja preciso uma conformidade, de dia a dia, entre o marido e mulher; mas que não seja excessiva a vantagem de um a outro. Deve ser esta vantagem, quando a haja, sempre a parte do marido em tudo à mulher superior. E quando em tudo sejam iguais, essa é a suma felicidade do casamento.
Dizia um nosso cortesão, havia três castas de casamento no mundo: casamento de Deus, casamento do diabo, casamento de morte. De Deus, o do mancebo com a moça. Do diabo, o da velha com o mancebo. Da morte, o da moça com o velho.
Ele certo tinha razão porque os casados moços podem viver com alegria; as velhas casadas com moços vivem em perpétua discórdia; os velhos casados com moças apressam a morte, ora pelas desconfianças, ora pelas demasias.
Mas porque estas coisas são muito gerais, e ainda os incapazes têm delas conhecimento que aos entendidos lhes sobeja, é tempo de passar a alguns mais particulares avisos.
Senhor, saiba V. M.cê que à sua alma se acrescenta outra alma de novo: à sua obrigação se junta outra obrigação. Assim devem crescer seus cuidados, e seus respeitos. E da mesma sorte que, se a um homem que possuísse uma herdade, a qual cultivasse, lhe fosse deixada outra de novo, para o mesmo efeito esse tal homem, sem diminuir em sua alegria, era força que na diligência se avantajasse, por abranger com o seu trabalho a ambas aquelas suas fazendas; nem mais nem menos deve o casado multiplicar o tento e a fadiga (sem que por isso se entristeça), por não faltar ao novo cargo que tomou, e lhe entregaram, com a mulher que lhe deram; não para que a arriscasse, e perdesse (e a si mesmo com ela), mas para que maior cómodo e descanso pudesse passar com ela a vida.

D. Francisco Manuel de Melo, Carta de Guia de Casados, Capítulo III



I

1. Explane as ideias principais que o autor tem sobre o casamento.

2. Diga se concorda ou discorda das opiniões do autor, justificando a sua resposta.

3. Desenvolva a ideia contida na frase «Para satisfação dos pais convém muito a proporção do sangue, para o proveito dos filhos, a da fazenda, para o gosto dos casados, a das idades».

4. A que obrigação se refere o autor no último parágrafo do texto? Justifique.

5. Identifique duas figuras de estilo e comente o seu valor expressivo.

6. Atente na seguinte frase: « Ele certo tinha razão porque os casados moços podem viver com alegria.»

6.1. Divida e classifique as orações da frase.

6.2. Diga que função sintáctica desempenha a expressão «os casados moços».

6.3. Explique a formação da palavra «casados».


II

No máximo de quinze linhas, relacione as ideias de D. Francisco Manuel de Melo sobre o casamento com certas atitudes dos casais na actualidade, servindo-se de um ou mais exemplos que conheça.

5.3.09

Expositor à força



Naquela noite Miguel não conseguia dormir e nem sequer chorar. Era como se lhe tivessem roubado um pedaço da sua alma, tão só e tão magoado se sentia.
No fim do dia seguinte o homem voltou e trouxe consigo a pintura, agora metida numa moldura dourada e farfalhuda. Pousou-a junto da parede, donde s ressaltava tão alegre na riqueza das suas cores como o arco-íris ressalta das nuvens brancas.
- Agora vamos ensaiar, Miguel, disse o homem. Eu faço o papel duma pessoa que anda na rua. Põe-te ao lado do quadro e dá-te ares de artista.
Depois, apontando com o seu indicador gordo para uma mancha cor de fogo, perguntou:
- Que representa esta mancha cor de fogo, meu rapaz?
- Uma cor bonita, respondeu Miguel.
- Disparate!, berrou o homem. Não podes dar respostas sem sentido. Devias dizer, por exemplo: é um incêndio.
- Mas não é nenhum incêndio. É mentira.
- Mentira! Mentira! Porque há-de ser mentira? Uma mancha destas pode ser tudo o que quiseres. De resto, não importa se é mentira ou não, importa sim que vendas aborratada, percebes? (...)
Apontou então para uma mancha cor-de-rosa e perguntou:
- E isto, o que é?
- A nuvem onde nascem as pessoas boas, respondeu Miguel.
- E este borrão negro?
- A nuvem onde nascem as pessoas más, respondeu Miguel.
- Bravo!, exclamou o homem. Assim, sim! Toda a gente gosta de ouvir respostas extravagantes, à maneira dos poetas.
Miguel sentiu-se infeliz, mas (...) não se atreveu a contrariá-lo.
(...) Tens de aprender a sorrir modestamente, meio simpático, meio triste, para que as pessoas se enterneçam. Vamos experimentar.
Miguel esboçou sorrisos de todas as maneiras, embora tivesse muito mais vontade de chorar. Em certo momento o homem deu-se por satisfeito:
- Agora acertaste! Lembra-te bem deste último sorriso, que te pode render dinheiro. Vejo que és um rapaz inteligente.
Em seguida mostrou-lhe uma nota de dinheiro, comprida e azulada.
- É por cinco notas destas que tens de vender o quadro. Olha bem, para não te enganares. (...) Explica que levaste duas semanas a pintar o quadro.
- Levei muito mais tempo, retorquiu Miguel. E ainda não o acabei.
- Credo! (...) Não te atrevas a dizer tal disparate. Ninguém acharia graça a borrões desses se soubesse que levaram mais de duas semanas a fazer.
Na manhã seguinte Miguel encontrava-se numa rua curtinha, só de peões, que ligava a grande praça com a via central da cidade.

Ilse Losa, Miguel

I

1. De entre cada grupo de afirmações, assinala a que, segundo o texto, é verdadeira.

1.1. Miguel não conseguia dormir, porque o quadro:
a. não estava acabado
b. tinha uma moldura feia
c. ia ser posto à venda

1.2. O homem era:
a. controlador
b. opressivo
c. afectivo

2. Presta atenção ao segundo parágrafo.
2.1. Que apreciação nos transmite a adjectivação da moldura?
2.2. Como é caracterizada a pintura dessa moldura?

3. Faz o levantamento das expressões que, ao longo do texto, vão marcando a passagem do tempo.

4. Faz o levantamento de duas interjeições presentes no texto e interpreta o seu valor

5. Caracteriza com adjectivos o estado de espírito de Miguel ao longo da acção.

II

Com base no texto, elabora um comentário com cerca de sessenta palavras, sobre a afirmação:
O homem pensou em tudo para vender o quadro bem e depressa.




4.3.09

Se eu pudesse desamar


Se eu pudesse desamar
a quen me sempre desamou,
e pudess' algun mal buscar
a quen mi sempre mal buscou!
Assi me vingaria eu,
se eu podesse coita dar,
a quen mi sempre coita deu.

Mais sol non posso eu enganar
meu coraçon que m' enganou,
per quanto mi faz desejar
a quen me nunca desejou.
E per esto non dormio eu,
porque non poss' eu coita dar,
a quen mi sempre coita deu.

Mais rog' a Deus que desampar
a quen mh' assi desamparou,
ou que podess' eu destorvar
a quen me sempre destorvou.
E logo dormiria eu,
se eu podesse coita dar,
a quen mi sempre coita deu.

Vel que ousass' en preguntar
a quen me nunca preguntou,
per que me fez en si cuidar,
pois ela nunca en min cuidou.
E por esto lazeiro eu,
porque non poss'eu coita dar,
a quen mi sempre coita deu.


Pêro da Ponte, CV 567, CBN 923



I

1. Contraponha a dicotomia desejo-realidade testemunhada pelo poeta.

2. Explicite o assunto da cantiga.

3. Por que razão é que o poeta sofre?

4. Relacione as variantes introduzidas no refrão com o desejo do poeta e a realidade que se interpõe.

5. Em que género da poesia trovadoresca incluiria esta cantiga? Justifique.

6. Explique até que ponto esta cantiga se afasta ou se aproxima da estética provençal.


II

Numa composição cuidada, comente a seguinte afirmação de Georges Duby:

«No comum dos ritos de corte, o amor vive da esperança dum triunfo final que levará a dama a entregar-se toda, uma vitória secreta e perigosa sobre a proibição maior e sobre os castigos prometidos aos uniões adúlteras.»

1.3.09

Farsa de Inês Pereira - global


1. Delimite as várias partes deste auto fazendo um breve resumo de cada uma delas.

2. De que se queixa Inês Pereira? Justifique.

3. Há um conflito de gerações entre Inês e a Mãe. Explicite-o.

4. Explique o conflito no primeiro diálogo de Inês Pereira com a Mãe.

5. Caracterize a personagem Inês Pereira tendo em conta as três fases diferentes da sua vida amorosa.

6. Que papel desempenha a Lianor Vaz?

7. Lianor Vaz conta um caso que teve com um clérigo. Resuma-o.

8. Que dizia a carta remetida por Pêro Marques?

9. Comente os conselhos que a Mãe dá à Inês.

10. Explique o significado da seguinte fala da Mãe: «toucar-te, se cá vier».

11. Compare o discurso de apresentação de Pêro Marques com o do Escudeiro.

12. Que pensou Inês Pereira de Pêro Marques?

13. Dê exemplos de cómico de situação nas cenas em que entra o Pêro Marques.

14. Que tipos sociais são criticados no Escudeiro, na Lianor Vaz e nos Judeus casamenteiros? Justifique.

15. Por que razão é que Inês Pereira preferiu inicialmente o Escudeiro a Pêro Marques?

16. Há uma antinomia entre o comportamento inicial do Escudeiro e o comportamento posterior ao casamento. Refira-a.

17. Comente a situação económica do Escudeiro.

18. Que função desempenha o Moço no auto?

19. Que acontecimento leva Inês Pereira a libertar-se do compromisso assumido com o Escudeiro?

20. Explicite as concessões de Pêro Marques da cena final face às exigências de Inês Pereira.

21. Explique o significado das seguintes expressões: «panela sem asa» e «sam coruja ou corujo».

22. Explique o significado da seguinte expressão: «A Madanela quando achou a aleluía».

23. Explique as seguintes palavras da Mãe, tendo em conta as razões que estão na génese desta farsa: «Mata o cavalo de sela e bom é o asno que me leva».

24. Que relação tinha o Ermitão com Inês Pereira?

25. Como reage Inês às palavras do Ermitão?

26. O que é que se prevê que suceda depois que Inês Pereira aceitou Pêro Marques?

27. Será Inês Pereira fiel ao novo marido? Justifique a sua resposta com expressões do texto.

28. Desenvolva, numa composição cuidada, o tema da mulher e do casamento na época dos Descobrimentos, tendo em conta a dicotomia idealismo / realidade.