30.7.08

Falar Verdade a Mentir



CENA IV

Criado, (trazendo uma carta). – Para o senhor Brás Ferreira, do Porto.
Brás Ferreira – Sou eu: dá cá. (abre) Ah! é para o tal pagamento. (O criado sai.) Vejamos as minhas contas: quanto tenho eu em dinheiro? ... Dá-me licença, Duarte; tenho uns papéis que arranjar. Conversa com minha filha. (Tira a sua carteira, e vai sentar-se à esquerda.)
Amália (baixo a Duarte) – Não se emenda, está visto.
Duarte – De a adorar? Não, decerto.
Amália – Não é disso, é do seu maldito vício que nos deita a perder: meu pai jurou que desfazia o nosso casamento se daqui até à noite o apanhasse numa mentira.
Duarte – Oh meu Deus, o que fiz eu?!
Amália – Pois que é, Duarte? Tudo quanto tem estado a dizer? ...
Duarte – É verdade no fundo; acredite: agora os detalhes... os pormenores…eu não sei como isto é... não é com má tenção... mas a maior parte das vezes, as coisas contadas tais quais como elas são... ficam duma sensaboria tal...
Amália (com ironia) – Que não pode resistir ao desejo de as enfeitar, e de mostrar a riqueza da sua imaginação.
Duarte – Não torno mais. Juro-lhe que nunca mais.
Amália – Cale-se, que pode ouvir meu pai.
Duarte – Não me importa, não tenho medo: estou emendado e para sempre. Amália, prometo, hei-de ser o modelo dos maridos, leal, sincero, verdadeiro, sempre...
Amália – Sempre! Se meu pai ouvisse essa palavra, desfazia logo o nosso casamento.
Duarte – Amália, isso também é de mais! ...
Brás Ferreira (chegando com um papel) – Não tenho dinheiro que chegue. E eu sem me lembrar! Duarte, hás-de-me fazer um favor.
Duarte – Qual? Estou pronto.
Brás Ferreira – Uma letra de três contos de réis para descontar.
Duarte – Em bem má ocasião, coa fortuna! não tenho pinto.
Brás Ferreira – Não tens!... e aquele dinheiro?
Duarte – Qual dinheiro?
Brás Ferreira – O da tua casa.
Duarte – Da minha casa? ... Ah sim, é verdade. É que actualmente...
Brás Ferreira – Já dispuseste dele?
Duarte – Não, não, isto é, de certo modo já; mas propriamente...
Amália (baixo a Duarte) – Vê o que é mentir.
Duarte – Em suma, porque lhe não hei-de dizer francamente o que é, meu tio? ... Eu tinha minhas dívidas...
Amália – Outra, Duarte?
Duarte – Não, esta não; é verdade puríssima. Um rapaz não pode viver sem isso. Ora sucedeu, por uma coincidência esquisita, que o comprador da minha casa, o tal senhor José Marques...
Brás Ferreira – Inda agora disseste Tomás...
Duarte – Tomás José Marques, um fino agiota de gema...
Brás Ferreira – Tinhas-me dito um negociante...
Duarte – Negociante, porque negoceia em papéis e descontos por atacado, e faz usura em grosso. Enfim, o meu honradíssimo homem, que já é comendador e sai conselheiro um dia destes, era o que me tinha emprestado o dinheiro. De sorte que na compra da casa, feitas bem as contas...
Brás Ferreira – E tu devias ao comprador?
Duarte – Uns dez a doze contos de réis.
Brás Ferreira – Então vendeste por trinta e três; tem de te dar ainda de tornas vinte e um contos.
Duarte (atrapalhado) – Vinte contos de réis... É o que lhe eu dizia... (aparte) Como hei-de eu sair desta?
Brás Ferreira (olhando para ele) – Dar-se-á caso que tu me pregasses uma das tuas... que tal comprador não exista? ...


Falar Verdade a Mentir, Almeida Garrett


I


1. Este texto, extraído da peça de teatro Falar Verdade a Mentir, fala-nos de um determinado vício.
1.1. Qual é o “maldito vício” de que fala Amália?
1.2. Como justifica Duarte o seu “vício”?
1.3. Que consequência(s) pode(m) vir a resultar deste defeito?

2. Considera o provérbio: “De promessas e de boas intenções está o Inferno cheio.”.
2.1. A que parte desta cena se pode aplicar este provérbio?
2.2. Explica porquê.

3. Explica por palavras tuas as expressões destacadas:
a) “Não é nada disso, é do seu maldito vício que nos deita a perder” (2ª fala de Amália)
b) “(...) as coisas contadas tais quais como elas são... ficam de uma sensaboria tal...” (3ª fala de Duarte)
c) “Em bem má ocasião, coa fortuna! Não tenho pinto.” (8ª fala de Duarte)

4. “Amália (com ironia) – Que não pode resistir ao desejo de as enfeitar, e de mostrar a riqueza da sua imaginação.”
4.1. Explica o que é a ironia.


II

1. Completa convenientemente as seguintes afirmações:

a) Um autor de um texto dramático denomina-se ____________________________________.
b) O ____________________ é uma das divisões do texto dramático sempre que há mudança de cenário.
c) O assunto da peça Falar Verdade a Mentir gira em torno de _________________________.
d) Chama-se _____________________ à modalidade discursiva em que várias personagens falam entre si e _________________________ à modalidade discursiva em que fala apenas uma personagem. Os _________________ são indicações que o actor dá e que se destinam a serem ouvidas apenas pelo público, provocando geralmente o riso.
e) Almeida Garrett, autor da peça Falar Verdade a Mentir, viveu no século _________.


III


1.Elementos da oração:
1.1- Identifica a função sintáctica dos elementos destacados de cada frase:
a) Brás Ferreira veio do Porto de comboio.
b) Amália e Joaquina estão muito apreensivas, desde ontem.
c) José Félix continua o jogo com as outras personagens.
d) Eles encobriram-lhe a verdade com mestria.

2. Identifica a oração subordinante (principal) e a oração subordinada em cada uma das frases apresentadas:

a) Ele ficou muito contente porque recebeu as cem moedas.
b) Para que o casamento se realize, Duarte não pode ser apanhado em mentiras.
c) Se ele adivinhasse as futuras aflições, não teria mentido tanto.
d) O general Lemos chegou quando eles estavam a almoçar.

21.7.08

Cena XVII


Cena XVII
Ditos, um criado, José Félix com farda de brigadeiro, ele.

Criado - O Senhor Lemos. José Félíx afectando desembaraço - Então que é isto, que é isto? General - Que vejo! É o meu brejeiro do meu Félix. José Félix - Ora vivam, meus Senhores... Adeus, meu Duarte. Duarte - Oh meu querido protector! Confesso que desta vez já não contava com o seu auxílio... Ainda bem que veio... Vou apresentá-lo a meu sogro e a seu primo. José Félíx, indo para eles com ar chibante, reconhece de repente o general - Santo Deus, meu amo!... General, aparte - E com a minha farda, o maroto! Brás Ferreira, espantado - Conhecem-se! Duarte, Brás Ferreira, José Félix e Amália ficam imóveis de admiração. General - Que painel! Enterraram-se todos até ao joelho. Ora vamos a dar-lhes a mão, que eles por si não se levantam, (para José Félix) Então, senhor meu primo... Todos - Seu primo! General - Que espanto é esse? Pois queria esconder de mim a sua volta a Lisboa? Duarte - O quê? Pois este senhor é seu primo, o coronel Francisco de Lemos que voltou da Ingla-terra? General - Sim senhor. Porquê ?... não lhe faz conta? Duarte - Certamente que faz - Mas é que isso hoje parece mesmo um acinte... não invento senão verdades. - Pois não é minha culpa, Senhor Brás; mas, em consciência, está obrigado a dar-me sua filha. General - Não há dúvida, Senhor Brás Ferreira; é preciso consentir neste casamento. Já não tem mentiras de que o acusar.

Almeida Garrett, Falar Verdade a Mentir


I

1. De que assuntos se fala neste texto?

2. Caracteriza o General, a partir do seu comportamento ao longo do texto.

3.Procede do mesmo modo para caracterizares José Félix.

4. Mas é que isso hoje parece mesmo um acinte... não invento senão verdades.
4.1. Explica o que teria Duarte pretendido dizer com esta afirmação.

5. Qual o motivo que levava Brás Ferreira a não querer o casamento de Duarte com Amália?
5.1. Transcreve do texto uma fala em que apareça evidente esta atitude.

6. Transcreve do texto, justificando o seu uso:
6.1. dois exemplos de didascálias;
6.2. dois exemplos de apartes.

7. Enterraram-se todos até ao joelho.
7.1. Transpõe esta fala do General para o discurso indirecto.

8. Num texto descritivo e original, tenta retratar a possível festa de casamento de Amália e Duarte.

20.7.08

CENA XII e XIII



CENA XII
JOAQUINA (só)

Pobre rapaz! ficou como pateta! Se ele não está costumado a isto... Condenado a falar verdade vinte e quatro horas a fio... Também, olhe que nos dá um trabalho! Porque mente com um desem-baraço e sem a menor consideração... Já se tinha esquecido da peta do almoço. Felizmente que nós estamos prevenidos, e graças ao bolsinho de minha ama e à vizinhança do Manuel Espanhol, em poucos minutos se fez da peta verdade... E José Félix! Não verão o meco sentado à mesa com meus amos como se fosse gente, o pedaço de lacaio!... Mas deixem estar que o tratante tem um ar, sabe tomar uns modos, que quem o não conhecer!... Em que ele se deita a perder decerto, é que aquilo é um comilão... 0 que lhe vale é fazer de inglês... não se repara. - Agora que mais falta? Vejamos. A tal visita de agradecimento ao general Lemos: essa não se pode evitar. Só se... É verdade; o general Lemos que venha cá... como têm vindo os outros. Vou avisar José Félix que se avie de almoçar e nos represente mais esse figurão. Não lhe há-de custar muito... é seu amo. -Ai! que é isto, que quer este senhor?

CENA XIII
JOAQUINA e o GENERAL


GENERAL - 0 Senhor Duarte Guedes está aqui, não é assim?
JOAQUINA - Está, sim, senhor, foi agora para a mesa almoçar com o Senhor Brás Ferreira, seu sogro que está para ser.
GENERAL - Um almoço de família, almoço de noivos. Não permita Deus que eu tal perturbe. Espe-rarei.
JOAQUINA - Se faz favor de dizer o seu nome.
GENERAL - Não é preciso.
JOAQUINA - Não é para saber... é que se fosse coisa que...
GENERAL - É coisa que eu lhe quero dizer só a ele ou a seu sogro.
JOAQUINA - Como queira.

Almeida Garrett, Falar Verdade a Mentir


I

Partindo da leitura das duas cenas e do conhecimento da obra, responde às seguintes questões:

1. Situa as duas cenas na estrutura da obra.
2. Joaquina diz: “É verdade; o general Lemos que venha cá…como têm vindo os outros.”
2.1. Por que razão há-de ir lá o general Lemos?
2.2. Quem são “os outros” a quem ela se refere?
3. Transcreve expressões de dois níveis de língua diferentes.
3.1. Estão esses níveis de língua de acordo com a classe social das personagens que os pronunciam? Justifica.
4. Refere, destas cenas, a personagem que irá contribuir para a resolução do conflito.
4.1. Resume a sua intervenção nas cenas seguintes.
5. Indica os modos de apresentação das falas das personagens presentes nas duas cenas.
6. Faz o levantamento dos elementos que nos dizem tratar-se de um texto dramático.
7. Justifica o título da obra.

II

1. Completa as seguintes frases de acordo com a leitura que fizeste da obra.
1.1. Toda a acção decorre...
1.2. Brás Ferreira é um negociante do Porto que tem ...
1.3. Duarte tem o costume de ...
1.4. No dia do casamento de Amália, Joaquina receberia ...
1.5. José Félix, para ajudar Duarte, representou os papéis de ...
1.6. O coronel Luís Guedes é ...
1.7. O General é o amo de ...
1.8. A peça retrata a sociedade do século ...

2. Completa as seguintes frases:
2.1. O artista que se dedica à criação dos cenários designa-se ...
2.2. O escritor de peças dramáticas designa-se ...
2.3. O responsável pelos ensaios de um espectáculo designa-se ...


III

1. Classifica sintacticamente as seguintes frases:
1.1. Brás Ferreira veio do Porto com Amália e Joaquina.
1.2. Amália e Joaquina estão muito apreensivas.
1.3. José Félix continua o jogo com afinco.
1.4. Eles encobriram-no com mestria.

2. Divide e classifica as orações das seguintes frases:
2.1. Ele ficou muito contente porque recebeu as cem moedas.
2.2. Para que o casamento se realize, Duarte não pode ser apanhado em mentiras.
2.3. Se ele adivinhasse as futuras aflições, não teria mentido tanto.
2.4. O general Lemos chegou quando eles estavam a almoçar.


IV

Joaquina diz: “Porque mente com um desembaraço e sem a menor consideração”.
Há, como sabes, um ditado popular assim:
“Apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo.”

Narra um facto real, ou então imaginado, que possa ter como título este provérbio.


19.7.08

Antes de Começar


Só as crianças é que gostam de bonecos!...

A BONECA - Não sei explicar a razão por que são tão pequenas as pessoas que vêm todas as noites ver o espectáculo!...
O BONECO - (Ri) São assim tão pequenas porque ainda não chegaram a grandes... As pessoas pequenas chamam-se crianças.

A BONECA - Isso não sabia eu... Era a única coisa que eu não tinha sido capaz de compreender!... Via umas pessoas maiores e outras mais pequenas, e não sabia a razão.

O BONECO- Ah! Ah! Ah!...

A BONECA- Naturalmente, estás-me a enganar?...
O BONECO - Não te estou a enganar, não... estou a rir-me do que terás para contar se não sabias que as pessoas antes de serem grandes começam por ser pequeninas!... ("Ri.)

A BONECA - E não sabia! É alguma obrigação saber essas coisas? Se começas a rir, não te posso perguntar outra coisa que também não sei e que também aconteceu comigo...

O BONECO - O que foi? Pergunta!

A BONECA - Para onde é que vão as pessoas grandes?

O BONECO- Vão ver outras coisas!

A BONECA- Então há outras coisas?!

O BONECO- São só p'ràs pessoas grandes.

A BONECA - Ainda nunca vi... nunca aconteceu comigo... só sei do que já aconteceu comigo...

O BONECO - As coisas que há p'ràs pessoas grandes só quando acontecem connosco é que se compreendem.

A BONECA - Talvez que ainda venham a acontecer comigo!... Contigo já aconteceram?

O BONECO - Também ainda não... Só as crianças é que gostam de bonecos... As pessoas grandes fartaram-se de ver bonecos e foram ver outras coisas...

Almada Negreiros, Antes de Começar, Obras Completas de Almada Negreiros
VII Teatro. Lisboa: I.N.-C.M., 1993.


I

1. Sobre que temas conversam as personagens?

2. Caracteriza a Boneca, a partir do seu comportamento e das opiniões que transmite ao Boneco.

3. Procede do mesmo modo para caracterizares o Boneco.

4. Faz o levantamento das diferenças e semelhanças entre os Bonecos e os Homens.

5. Indica o que mais intriga a Boneca relativamente às atitudes das crianças e dos adultos humanos.

6. As pessoas grandes fartaram-se de ver bonecos e foram ver outras coisas...
6.1. Analisa sintacticamente esta frase.
6.2. Reescreve-a, transpondo-a para o discurso indirecto.

7. Refere quantas cenas e actos existem neste texto dramático e justifica a tua resposta.

8. Retira do texto dois exemplos de didascálias e justifica a sua utilização.

9. As pessoas grandes fartaram-se de ver bonecos e foram ver outras coisas...
Num texto de opinião, explica aos Bonecos que «outras coisas» se encontram à disposição das «pessoas grandes», na sociedade dos nossos dias, para além do teatro, obviamente.



Luís de Sttau Monteiro, Felizmente há Luar!


Acto I

Ao abrir o pano, a cena está às escuras, encontrando-se uma única personagem intensamente iluminada, ao centro e à frente do palco. Esta personagem está andrajosamente vestida.

MANUEL: Que posso eu fazer? Sim: que posso eu fazer?
A pergunta é acompanhada dum gesto que revela a impotência da personagem perante o problema em causa. Este gesto é francamente «representado». O público tem de entender, logo de entrada, que tudo o que se vai passar no palco tem um significado preciso. Mais: que os gestos, as palavras e o cenário são apenas elementos duma linguagem a que tem de adaptar-se. (Dá dois passos em direcção ao fundo do palco, detém-se, e continua)
Vá-se a gente livre dos Franceses, e zás!, cai na mão dos Ingleses!
E agora? Se acabamos com os Ingleses ficamos na mão dos reis do Rossio...
Ao dizer isto a personagem está quase de costas para os espectadores. Esta posição é deliberada. Pretende-se criar, desde já, no público, a consciência de que ninguém, no decorrer desta peça, vai esboçar um gesto para o cativar ou para acamaradar com ele. (O réu não se senta ao lado dos juízes.)
Entre os três o diabo que escolha...
(Pausa)
Muda de tom à voz. Está a imitar, com sarcasmo, alguém que se não sabe quem seja.
Entende-se, todavia, que a personagem se refere ao ambiente político da época.
Deus todo-poderoso para a frente... Deus todo-poderoso para trás... Sua Majestade para a esquerda... Sua Majestade para a direita...
(Pausa)
Volta ao seu tom de voz habitual.
E enquanto eles andam para trás e para a frente, para a esquerda e para a direita, nós não passamos do mesmo sítio!
Ilumina-se, subitamente, o fundo do palco. De pé e sentadas, várias figuras populares conversam. Algumas dormem estendidas no chão. Uma velha, sentada num caixote, cata piolhos a uma rapariga nova. (Avança e detém-se junto duma mulher ainda nova, que dorme, no chão, coberta por uma saca)
MANUEL: A Rita dorme, A que horas chegou ela? A pergunta não é dirigida a ninguém.
POPULAR: (Levantando-se dum salto e macaqueando as maneiras dum fidalgo, finge tirar um relógio do bolso dum colete inexistente)
O gesto é lento, deliberadamente sarcástico.
Saiba, meu senhor, que a Senhora D. Rita chegou tarde. Eram quase cinco horas pelo meu relógio de ouro.
(Finge levantar o relógio para o ver melhor.
Desfaz o gesto com violência e continua em tom raivoso)
Alguém aqui tem relógio?
(Como ninguém responde, volta a dirigir-se a Manuel) O tom é irónico.
Esqueceram-se dos relógios em casa...

Luís de Sttau Monteiro, Felizmente há Luar!


I

1. O excerto transcrito é rico em referências que nos situam num determinado ambiente epocal.
1.1. Identifique esse ambiente.
1.2. Caracterize a personagem colectiva e a situação em que se encontra.
2. Na fala inicial, Manuel interroga-se: "Que posso eu fazer? Sim: que posso eu fazer?"
2.1. Identifique o estado de espírito da personagem.
2.2. Refira as razões desse estado de espírito.
3. Justifique as atitudes e as palavras do 1.° Popular.
4. "Pretende-se criar, desde já, no público, a consciência de que ninguém, no decorrer desta peça, vai esboçar um gesto para o cativar ou para acamaradar com ele. (O réu não se senta ao lado dos juizes.)"
4.1. Explique o sentido da afirmação, tendo em conta a situação a que se refere.
4.2. Comente a imagem final dessa afirmação.
5. Releia a didascália inicial. Tendo em conta o conhecimento que tem da obra na sua globali¬dade, indique em que medida se confirmam as seguintes afirmações:
5.1. "Manuel - O mais consciente dos populares"
5.2. "D. Miguel Forjaz/Beresford/Principal Sousa - Três conscienciosos governadores do Reino"
5.3. "O General Gomes Freire D'Andrade - que está sempre presente, embora nunca apareça."


II

Após o estudo da peça Felizmente há Luar!, comprove, num texto bem estruturado, de cem a duzentas palavras, a veracidade da seguinte afirmação:
«A defesa da liberdade e da justiça, atitude de rebeldia, constitui a hybris (desafio) desta tragédia. Como consequência, a prisão dos conspiradores provocará o sofrimento (pathos) das personagens e despertará a compaixão do espectador.»

16.7.08

Lamento



Pátria sem rumo, minha voz parada
Diante do futuro!
Em que rosa-dos-ventos há um caminho
Português?
Um brumoso caminho
De inédita aventura,
Que o poeta, adivinho,
Veja com nitidez
Da gávea da loucura?

Ah, Camões, que não sou, afortunado!
Também desiludido
Mas ainda lembrado da epopeia!
Ah, meu povo traído,
Mansa colmeia
A que ninguém colhe o mel!...
Ah, meu pobre corcel
Impaciente,
Alado
E condenado
A choutar nesta praia do Ocidente...

Miguel Torga, Diário XII, Ed. do Autor


I

1. Determine o tema/assunto do poema.

2. Identifique o tipo de frase que domina o texto e refira-se ao seu valor expressivo na transmissão da mensagem.

3. Em cada estrofe há um conceito de poeta.
3.1. Diga em que se afastam e/ou se aproximam esses conceitos.

4. Explicite os símbolos presentes nos versos iniciados pela interjeição "Ah".

5. Apresente uma explicação semântica para os versos livres.

6. Justifique o título "Lamento".


II

Num texto bem organizado de sessenta a cem palavras, comente esta citação, socorrendo-se de leituras sobre Miguel Torga, leituras da obra poética ou outras.
«Escritor situado no concreto, ligado ao húmus natural, dir-se-á que pela via do casticismo atinge a universalidade.»

Jacinto do Prado Coelho, Ao Contrário de Penélope

14.7.08

Kitty Corcoran e a Fada Vermelha




Kitty era uma rapariga nova, bonita, simpática, mas estava sempre doente. Ou melhor, adoentada. E ninguém descobria a origem do mal.
Paddy, o marido, levara-a aos melhores médicos da Irlanda. Como nenhum acertasse, procurou curandeiras, adivinhos, enfim, quem pudesse ajudá-lo a descobrir que doença tinha a mulher. Em vão!
Kitty levantava-se todas as manhãs com grande esforço. Pálida, tristonha, quase não tocava na comida e lá fazia os arranjos da casa sem entusiasmo nenhum. A vassoura parecia-lhe pesadíssima. O pano de pó provocava-lhe ataques de tosse; acender o lume e cozinhar então era o pior de tudo!
Para a pobre rapariga, as tarefas mais simples iam-se tornando gigantescas.
A única solução que encontrou foi habituar-se a ser muito metódica.
— Se não marcar uma hora para cada trabalho, o mais certo é não fazer trabalho nenhum!
Assim, ao nascer o Sol arrumava o quarto. Ao meio-dia em ponto servia o almoço. Ao fim da tarde lavava o chão; antes do pôr do Sol abria a janela de par em par e despejava o balde de água suja para o jardim.
Paddy, admirado com a sua força de vontade, gabava-a muito aos vizinhos:
— A minha mulher é um exemplo. Está cada vez mais fraquinha e nunca falta aos deveres de dona de casa.
Querendo ajudá-la a recuperar a saúde, cobria-a de mimos e atenções. Raro era o dia em que não lhe levava um petisco: manteiga fresca, doces, costeletas de carneiro. Mas não tinha outro remédio senão comer tudo sozinho, porque ela só de olhar para a comida ficava agoniadíssima.
(…)
Na época das colheitas, quando os campos ganham animação e o ar cheira a plantas cortadas de fresco, Kitty caiu numa melancolia profunda.
— Toda a gente está feliz menos eu! — suspirava.
Exausta como sempre, estendia-se ao comprido na cama junto da lareira. Embora fosse a estação mais quente, tinha tanto frio!
Certo dia, ouviu uma voz melodiosa chamar:
— Kitty! Kitty Corcoran!
— Quem está aí? — perguntou, soerguendo-se nas almofadas.
Na beira da cama viu então uma fada minúscula, linda, envolta num manto vermelho.
Estaria a sonhar? Ainda esfregou os olhos, mas a visão não se desvaneceu.
— Kitty Corcoran, ouve o que tenho para te dizer.
Ela acenou que sim, num misto de espanto e receio. Se uma fada se dera ao trabalho de a visitar, o melhor era escutá-la com deferência e não dizer coisa alguma, pois as fadas são muito susceptíveis e ofendem- -se ao mínimo deslize.
A voz doce e melodiosa continuou:
— Estás doente há mais de sete anos, não é assim?
— É.
— Pois fica sabendo que a culpa é tua.
— Minha? Porquê? Que mal é que eu fiz para merecer semelhante castigo?
A figurinha vermelha deu alguns passos sobre a colcha e explicou:
— Simpatizo contigo, portanto vou dizer-te a verdade. Eu pertenço ao «bom povo» [o povo das fadas, bruxas, gnomos, etc.]. Nos nossos passeios cruzamos a tua porta duas vezes ao dia. Uma de manhã, outra ao pôr do Sol. Ora quando atravessamos o jardim à tardinha, apanhamos sempre com baldes de água suja em cima da cabeça. Foi por isso que resolvemos castigar-te com esta doença que não anda nem desanda.
Kitty ficou muda, pois não sabia o que dizer. Era injusto, o castigo! Não podia adivinhar que o seu jardim pertencia ao caminho das fadas… mas reclamar, nunca! Na Irlanda, toda a gente conhece o feitio instável e imprevisível do «bom povo», que ora protege os humanos ora se diverte pregando-lhes partidas muito desagradáveis.
— Se prometeres nunca mais deitar água suja naquele sítio e àquela hora, ficas curada.
Claro que a resposta só podia ser uma:
— Prometo! Prometo, sim!
A figurinha vermelha sorriu e antes de se despedir disse ainda:
— Lembra-te de que se não cumprires a promessa não recuperas a saúde porque nenhum homem te pode curar!
Depois acenou e desapareceu como por encanto.
No dia seguinte Paddy teve a maior surpresa da sua vida. A mulher acordou bem-disposta, risonha, corada, e fez-lhe companhia à mesa, deliciando-se com belíssimas costeletas de carneiro!

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada,
Histórias e Lendas da Europa (Irlanda)
I

1. Qual era o estado físico de Kitty?

2. «Para a pobre rapariga, as tarefas mais simples iam-se tornando gigantescas».
2.1 Que solução arranjou ela para resolver este problema?

3. Perante a coragem da mulher, como se sentia o marido?
orgulhoso ?
indiferente ?
violento ?

4. Kitty foi visitada por uma fada que lhe explicou a razão da sua doença. Qual?

5. Depois de Kitty ter cumprido o que prometeu à fada, o que sucedeu?

11.7.08

Fiei-me nos sorrisos da Ventura

Fiei-me nos sorrisos da Ventura,
Em mimo feminis. Como fui louco!
Vi raiar o prazer, porém tão pouco
Momentâneo relâmpago não dura.

No meio agora desta selva escura,
Dentro deste penedo húmido e oco,
Pareço, até no tom lúgubre e rouco,
Triste sombra a carpir na sepultura.

Que estância para mim tão própria é esta!
Causais-me um doce e fúnebre transporte,
Áridos matos, lôbrega floresta!

Ah!, não me roubou tudo a negra Sorte:
Inda tenho este abrigo, inda me resta
O pranto, a queixa, a solidão e a morte.

Bocage


I

1. Identifica o assunto do poema.
1.1 Explicita devidamente a sua estrutura interna.
1.2 O texto está estruturado em dois momentos temporais. Retira do poema as expressões correspondentes a cada um desses momentos.

2. A leitura do poema permite-nos estabelecer um percurso para o EU do sujeito poético.
2.1. Identifica as “etapas” desse percurso.

3. Que relação se pode estabelecer entre o Eu/ Mulher/ Natureza?

4. De que forma o cenário se relaciona com o estado de espírito do sujeito poético?

5. Identifica e explica, pelo menos, dois recursos estilísticos presentes neste poema.


II

1. Integra este soneto na corrente literária correspondente, fazendo o levantamento das suas características clássicas e românticas.


III

1. Faz a análise formal do poema.


Mestre Finezas



1. Toda a acção do texto se desenvolve à volta de momentos que correspondem a diferentes fases da vida de duas personagens.
1.1. De que personagens se trata?
1.2. Quais as fases da vida de cada uma delas referidas no texto?
1.3. E a que momento corresponde cada uma dessas fases?

2. Os acontecimentos não são apresentados no texto de acordo com a ordem pela qual tiveram lugar.
2.1. Organiza os sucessivos acontecimentos segundo a sua ordem real.
2.2. Refere a ordem textual desses mesmos acontecimentos.

3. O ambiente social no qual as personagens se inserem exerce uma influência marcante nas suas vidas.
3.1. A partir dos elementos que o texto te fornece, caracterizar o mais completamente possível, esse ambiente social.
3.2. Explica de que maneira foram as vidas das personagens referidas influenciadas por tal ambiente.

4. Mestre Finezas e o narrador vão sendo ao longo da acção, colocados em paralelo.
4.1. Diz qual a evolução dos sentimentos do narrador em relação a Mestre Finezas.
4.2. Identifica as razões que estão por detrás dessa evolução.
4.3. Explica o facto de, no fim da acção, as duas personagens permanecerem unidas.

5. Em «Mestre Finezas» são utilizados vários modos de apresentação da narrativa.
5.1. Identifica esses vários modos.
5.2. Transcreve do texto um exemplo de cada um dos modos de apresentação aí representados.
5.3. Parece-te que algum desses modos é predominante? Se sim qual deles?

6. «Via-lhe os braços compridos arqueados como duas garras sobre a minha cabeça. Lembrava uma aranha.»
6.1. Diz qual a figura de estilo utilizada para caracterizar Mestre Finezas.
6.2. Dá o teu parecer sobre a expressividade deste recurso utilizado por Manuel da Fonseca.

7. O narrador recorre, neste conto, ao uso da 1ª pessoa.
Que indicação nos dá esse facto para o classificarmos quanto à sua presença ou ausência na narrativa?

9.7.08

Uma Abelha na Chuva


"A cada solavanco, Álvaro Silvestre escorregava sobre a mulher que sentia no flanco o peso desa-gradável; esquivava-se à pressão, encolhida no canto da bancada; e olhava para o homem de oiro, na boleia, sob a morrinha.
Primeiro, a fonte brotou tenuemente, muito ao longe, na infância; depois, a água mansa turvou-se ao longo do caminho, do tempo, com o lixo que lhe foram atirando das margens; e agora é cachoante, escura, desesperada.
A ruína entrou na casa de Alva: dinheiro, terras, móveis, levados pela voragem; lustres arrancados dos tectos (começou a seroar-se à luz de pobres lamparinas); velhas arcas de madeira olorosa e pesadas de belos linhos, reposteiros, cadeirinhas graciosas forradas a damasco, armários de talha, guarda-loiças de cristais finíssimos, camas torneadas, deu o sumiço em tudo; desapareceram os quadros das paredes, a prata dos talheres; a dona da casa arrancou as jóias do colo, os anéis dos dedos; venderam-se espingardas de caça, galgos, cavalos, traquitanas, relíquias de nebulosos tempos como aquele punhal antigo cravejado de diamantes; e quando ela fez dezoito anos, o pai fidalgo, que era Pessoa, Alva e Sancho, descendente de um coudel-mor, de um guerreiro das linhas de Elvas e primo do Bispo missionário de Cochim, negociou o casamento da filha com os Silvestres do Montouro, lavradores e comerciantes: sangue por dinheiro (a franqueza dum homem sem outra alternativa); assim seja, concordou o pai de Álvaro Silvestre, compra-se tanta coisa, compre-se também a fidalguia.
A charrete bateu rudemente num barranco e parou."

Uma Abelha na Chuva, Carlos de Oliveira



I

1. Situe o extracto no desenrolar da acção.
2. Indique o seu assunto.
3. Divida o texto em partes, justificando a sua articulação.
4. Caracterize as personagens, destacando a importância do cocheiro para D. Maria dos Prazeres e Álvaro Silvestre.
5. Estas personagens fazem parte de duas acções.
5.1 Indique-as.
5.2 Aponte as suas diferenças.
6. Indique o modo de focalização presente no texto.
7. Caracterize o tempo da história e o tempo do discurso.
8. Explique o papel de Jacinto dentro da ideologia da obra.
9. Explique a expressão: "o homem de oiro".
10. De que é símbolo a água na obra e neste extracto?
11. Aponte a importância do texto, tendo em conta a acção e a temática.


II

Analise o 2° parágrafo, destacando a expressividade dos seguintes elementos:
a) Aliteração;
b) Objectivação
c) Advérbios;
d) Verbos;
e) Gradação;
f) Metáforas.

4.7.08

A Gata e a Fábula

Ouvia-se o vizinho a roer nova dose de tremoços. […] A locomotiva do café chiava, exausta. Pelo mármore do balcão, escorria a espuma que transbordava dos copos de cerveja, rasados por mão afeita.
- Falaste do fim da guerra? – sibilou o pai. – Ainda vem longe, sabes? A tua imaginaçãozinha de trazer-por-casa faz-te acreditar na fábula para imbecis de que o Hitler está derrotado, não? Bem te enganas. Tão certo como eu estar vivo.
- Não, pai! Não se trata disso! Eu disse «quando a guerra acabar», acabe ela quando acabar.
- A guerra? Não acaba tão cedo, rapaz! Isso é história de ceguinhos! Cantam-na pelas ruas, trá-la-ri, trá-la-rá, mas está para dar e durar.
- Mas, pai, eu quero é saber se, quando ela acabar, o pai me autoriza a…
- Sim, sim! Queres então ir lá para fora, não é isso?
- Foi esse teu amigo que te meteu a coisa na cabeça?
- Não, pai. Ele só me trouxe de Lisboa os preços eventuais duma estada neste ou naquele país. Para eu escolher. Trouxe-me também programas e cursos. As estimativas são razoáveis. Pouco mais do que gasto em Coimbra.
- E que irias tu fazer?
- Pensei em ir para uma escola têxtil. Não gosto de Ciências… É tão frio!
- Não gostas de nada! Porque havias de gostar de Ciências? E porque hás-de gostar dessa coisa do Têxtil? Falta-te qualquer coisa lá por dentro, és oco, não gostas de nada.
- Gosto, pai. Acredite que sim. Eu gostaria tanto de ir lá para fora! A indústria têxtil vai ter uma enorme saída. Falei com um tipo do ramo, lá da Covilhã. Entusiasmou-me imenso. Depois da guerra… será um trunfo.

Fernanda Botelho, in A Gata e a Fábula




I

1. Situar no tempo e no espaço o diálogo transcrito. Justificar com o texto.
2. Que plano tem o filho? Que motivos o levaram a conceber tal plano?
3. Qual o estado de espírito do jovem?
4. Como reage o pai, ao ouvi-lo expor esses planos?
5. Que opinião tem o pai acerca do próprio filho?
6. Que tipo de relação entre pai e filho nos deixa o diálogo entrever?


II

Explica por palavras próprias o sentido de:
1. isso é história de ceguinhos
2. está para dar e durar
3. ir lá para fora
4. É tão frio
5. vai ter uma enorme saída
6. será um trunfo


III
Preposições

Completa as frases seguintes, inserindo as preposições adequadas, se necessário contraindo-as com o determinante artigo.

1. Eles emigraram ________ o Brasil ________ em 1961, ali continuando ________ ser agricultores, como ________ sua terra.
2. ________ que motivo é que a irmã ________ Joana não foi hoje ________ a escola?
3. ________ há três anos ________ cá, já trabalhou ________ cinco empresas diferentes, uma ________ quais ________ Marrocos.


IV
substantivo-adjectivo-verbo

Exemplos:
dia – diário/diurno – adiar
estímulo – estimulante – estimular
sorriso – sorridente – sorrir
1. favor _____________ _____________
2. _____________ juvenil _____________
3. _____________ mole _____________
4. _____________ _____________ alarmar


V

Em 15/20 linhas, dar conta das reflexões já feitas sobre o futuro percurso académico.
Eu pensei em ir para…




3.7.08

Barca Bela


Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Oh pescador!

Deita o laço com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Oh pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Oh pescador,

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela
Oh pescador!

Almeida Garrett, Folhas Caídas, 1853




I

1. Explique o sentido dado ao título do poema.

2. Atente nos vocábulos pescador, bela, estrela e barca e comente a sua expressividade.

3. A sereia é um ser mitológico cujo canto atrai os homens para a perdição.

3.1. Qual é a intenção do poeta ao utilizá-la neste poema?

4. Justifique o crescendo emocional com que o poema é construído.

5. Que razões levam o poeta a associar mar e amor?

6. Identifique duas figuras de estilo e comente o seu valor expressivo.

7. Refira alguns dos recursos fónicos de que o poeta se serve neste poema.

8. Em que modo se encontra a forma verbal da última estrofe do poema foge?

9. Identifique duas conjunções existentes no poema.

10. Construa uma frase complexa com as conjunções que encontrou.


II

Num máximo de quinze linhas, refira-se às características românticas existentes na obra de Almeida Garrett.