30.6.07

Ao Gás




E eu que medito um livro que exacerbe,
Quisera que o real e a análise mo dessem;
Casas de confecções e modas resplandecem;
Pelas vitrines olha um ratoneiro imberbe.

Longas descidas! Não poder pintar
Com versos magistrais, salubres e sinceros,
A esguia difusão dos vossos reverberos
E a vossa palidez romântica e lunar!

Que grande cobra, a lúbrica pessoa
Que espartilhada escolhe uns xales com debuxo!
Sua excelência atrai, magnética, entre luxo
Que ao longo dos balcões de mogno se amontoa.

(...)
Desdobram-se tecidos estrangeiros;
Plantas ornamentais secam nos mostradores;
Flocos de pós de arroz pairam sufocadores,
E em nuvens de cetins requebram-se os caixeiros.

Mas tudo cansa! Apagam-se nas frentes
Os candelabros, como estrelas, pouco a pouco;
Da solidão regouga um cauteleiro rouco;
Tornam-se mausoléus as armações fulgentes.

"Dó da miséria!... Compaixão de mim!..."
E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso,
Pede-me sempre esmola um homenzinho idoso
Meu velho professor nas aulas de Latim!


Cesário Verde, O sentimento de um Ocidental


I

1. A partir do texto Ao Gás explicita o tipo de poesia que Cesário deseja escrever: Não esqueças de relacionar com outras leituras da poesia deste poeta.

2. A figura feminina é uma presença constante na obra poética de Cesário Verde.
2.1 Relaciona a presença magnética desta «lúbrica pessoa» com o espaço envolvente.
2.2 Explica, tendo em conta o modus vivendi desta mulher e o modus vivendi do velho professor de latim, como se procede à crítica social neste excerto de «O sentimento de um Ocidental».

3. Identifica e explica a relevância dos recursos expressivos usados na configuração deste texto.

4. O heterónimo pessoano Alberto Caeiro afirmou, a respeito de Cesário Verde, que ele era um camponês que andava preso em liberdade pela cidade. Demonstra que esta afirmação se pode articular com o poema «O sentimento de um Ocidental».


II

Dos temas seguintes escolhe apenas um:

A
«Cesário foi um dissidente, na exacta medida em que, atento à lição dos realistas, dos parnasia-nos, dos naturalistas e dos românticos, constituiu e desenvolveu um projecto poético próprio, que não é realista, nem parnasiano, nem naturalista, nem romântico e, muito menos, a mera confluência destas poéticas.»

Num texto expositivo-argumentativo bem estruturado (duzentas a trezentas palavras), indica o projecto poético de Cesário.


B
«Mas artista, em Cesário [...], não é o que se limita a copiar o real, é o homem de imaginação privilegiada que dá sentido às coisas que cria, a partir do concreto, uma super-realidade.»
Jacinto do Prado Coelho, «Cesário e Baudelaire», Problemática da História Literária

Comente, num texto expositivo-argumentativo bem estruturado as ideias presentes neste excerto.

29.6.07

Cidade




Na cidade, quem olha para o céu?
É preciso que passe o avião...
Quem me dera o silêncio, a solidão,
Onde pudesse, alguma vez, ser eu!

Na cidade nasci; nela nasceu
A minha dispersiva inquietação;
E o meu tumultuoso coração
Tem o pulsar caótico do seu.

Ah! Quem me dera, em vez de gasolina,
O cheiro da terra húmida, a resina,
A flores do campo, a leite, a maresia!

Em vez da fria luz que me alumia,
O luar, sobre o mar, em tremulina...
—Divina mão compondo uma poesia.

Carlos Queirós




I

1. Com base no texto, caracteriza a vida no campo e na cidade.

2. Indica o efeito que a cidade exerce no poeta.

3. Refere o desejo que o poeta exprime no texto.

4. Apresenta o ambiente favorável à criação poética. Justifica.

5. "Onde pudesse, alguma vez, ser eu!"
a) Identifica a função da linguagem que predomina neste verso e aponta as respectivas marcas.
b) Indica o tempo e o modo da forma verbal "pudesse".
c) Divide esse verso em sílabas métricas.

6. Faz o esquema rimático de todo o poema e menciona os tipos de rima que ele apresenta. Classifica o texto quanto à forma. Justifica.


II

Imagina e conta um dia da vida do poeta Carlos Queirós passado no campo.

25.6.07

Conde de Gouvarinho

O conde, modestamente, protestou. Não: tinha simplesmente lançado uma palavra de bom senso, e de bom princípio. Perguntara apenas ao seu ilustre amigo, o Sr. Torres Valente, se, na sua ideia, os nossos filhos, os herdeiros das nossas casas, estavam destinados para palhaços!...
- Ah, esta piada, senhora condessa! exclamou o velho. Eu só queria que Vossa Excelência ouvisse esta piada... E como ele a disse! com um chique!
O conde sorriu, agradeceu para o lado, ao velho. Sim, dissera-lhe aquilo. E, respondendo a outras reflexões do Torres Valente, que não queria nos liceus, nem nos colégios, um ensino "todo impreg-nado de catecismo", ele lançara-lhe uma palavra cruel.
- Terrível - exclamou o velho num tom cavo, preparando o lenço para se assoar outra vez.
- Sim, terrível... Voltei-me para ele e disse-lhe isto: "Creia o digno par que nunca este país retomará o seu lugar à testa da civilização, se, nos liceus, nos colégios, nos estabelecimentos de instrução, nos outros os legisladores formos, com mão ímpia, substituirá cruz pelo trapézio..."
- Sublime - rosnou o velho, dando um ronco medonho dentro do lenço. Carlos, erguendo-se, decla-rou aquilo de uma ironia adorável.

Eça de Queirós, Os Maias



I

1. Refere o valor estilístico do advérbio de modo na frase que abre o excerto: "O conde, modesta-mente, protestou", tendo em conta a leitura global do texto.
2. Refere a posição enunciada pelo Conde de Gouvarinho em relação à educação em Portugal.
2.1, Transcreve a expressão que sintetiza a sua opinião.
3. Tendo ern conta a situação apresentada, refere a crítica subjacente às opiniões e atitudes do velho.
3.1 Identifica três recursos estilísticos que contribuem para a sua caracterização (transcreve as expressões em que estes se evidenciam).
4. Explica o sentido da intervenção de Carlos.
4.1. Justifica o facto de, ao contrário do que acontece em relação às outras personagens, a sua opinião ser emitida através do discurso indirecto.


II

1. Refere a tua perspectiva de leitor da obra Os Maias, de Eça de Queirós, em relação à função da personagem Carlos da Maia na construção da crónica de costumes.

Meu ser evaporei na lida insana




Meu ser evaporei na lida insana
Do tropel de paixões, que me arrastava;
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana!

De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mais eis sucumbe a Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua origem dana.

Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos.

Deus, oh Deus!... Quando a morte à luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.

Bocage



I

1. O soneto desenvolve-se em torno de uma atitude moral assumida pelo poeta. Identifica-a e demonstra-a.
1.1. Evidencia a importância da antítese temporal face a tal atitude.

2. Esta poesia revela uma linguagem (um discurso) confessionalista.
Aponta marcas dessa linguagem, desde as gramaticais a figuras de retórica.
2.1. Integras esta característica da poesia de Bocage no período neoclássico ou na corrente pré-romântica? Justifica considerando também este soneto.

3. Tendo em conta o contexto, indica o valor semântico dos usos do imperfeito do indicativo (2. ° e 3. ° versos) e do modo conjuntivo (13.° e 14.° versos).


II

Na sociedade actual, vários são os perigos que (também) ameaçam uma vida sã e equilibrada. Escolhe dois desses perigos e tece sobre eles um comentário devidamente ordenado, usando uma linguagem correcta.


20.6.07

Sermão de Santo António

Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal! (...)

Vos estis sal terrae. Haveis de saber, irmãos peixes, que o sal, filho do mar como vós, tem duas propriedades, as quais em vós mesmos se experimentam: conservar o são e preservá-lo para que se não corrompa. Estas mesmas propriedades tinham as pregações do vosso pregador Santo António, como também as devem ter as de todos os pregadores. Uma é louvar o bem, outra repreender o mal: louvar o bem para o conservar e repreender o mal para preservar dele. Nem cuideis que isto pertence só aos homens, porque também nos peixes tem seu lugar. Assim o diz o grande Doutor da Igreja S. Basílio: Non carpere solum, reprehendereque possumus pisces, sed sunt in illis, et quae prosequenda sunt imitatione: «Não só há que notar, diz o Santo, e que repreender nos peixes, senão também que imitar e louvar.» Quando Cristo comparou a sua Igreja à rede de pescar, Sagenae missae in mare, diz que os pescadores «recolheram os peixes bons e lançaram fora os maus»: Elegerunt bonos in vasa, malos autem foras miserunt. E onde há bons e maus, há que louvar e que repreender. Suposto isto, para que procedamos com clareza, dividirei, peixes, o vosso sermão em dois pontos: no primeiro louvar-vos-ei as vossas virtudes, no segundo repreender-vos-ei os vossos vícios. E desta maneira satisfaremos às obrigações do sal, que melhor vos está ouvi-las vivos, que experimentá-las depois de mortos.

Padre António Vieira, Sermão de Santo António



I

1. Vos estis sal terrae é a expressão bíblica que introduz este sermão. Porque são os pregadores o sal da terra?

2. Diz o autor que a terra está corrupta. Quais são as causas desta corrupção?

3. Que motivos levam o autor a pregar aos peixes?

4. O sal tem duas Propriedades. Indique-as.

5. Podemos encontrar estas duas propriedades nos pregadores? Justifique.

6. Comente a seguinte afirmação: «No Sermão de Santo António aos Peixes, o Padre António Vieira, descrevendo os hábitos predominantes de algumas espécies marinhas, constrói várias alegorias, através das quais castiga duramente certos tipos de pecadores: ou porque não têm as virtudes dos peixes ou então porque possuem os seus defeitos.»

7. Identifique duas figuras de estilo e comente o seu valor expressivo.


II

O Sermão de Santo António aos Peixes constitui um texto argumentativo. Enuncie as características deste género de texto.






18.6.07

Maria Monforte





Não a conhecia. Mas um rapaz alto, macilento, de bigodes negros, vestido de negro, que fumava encostado à outra ombreira, numa pose de tédio—vendo o violento interesse de Pedro, o olhar aceso e perturbado com que seguia a caleche trotando Chiado acima, veio tomar lhe o braço, murmurou lhe junto à face na sua voz grossa e lenta:
—Queres que te diga o nome, meu Pedro? O nome, as origens, as datas e os feitos principais? E pagas ao teu amigo Alencar, ao teu sequioso Alencar, uma garrafa de champanhe?
Veio o champanhe. E o Alencar, depois de passar os dedos magros pelos anéis da cabeleira e pelas pontas do bigode, começou, todo recostado e dando um puxão aos punhos:
—Por uma doirada tarde de Outono...
—André—gritou Pedro ao criado, martelando o mármore da mesa— retira o champanhe!
O Alencar bradou, imitando o actor Epifànio:
—O quê! Sem saciar a avidez do meu lábio?...
Pois bem, o champanhe ficaria: mas o amigo Alencar, esquecendo que era o poeta das “Vozes de Aurora’’, explicaria aquela gente da caleche azul numa linguagem cristã e prática!...
—Aí vai, meu Pedro, aí vai!
Havia dois anos, justamente quando Pedro perdera a mamã, aquele velho, o papá Monforte, uma manhã rompera subitamente pelas ruas e pela sociedade de Lisboa naquela mesma caleche com essa bela filha ao seu lado. Ninguém os conhecia. Tinham alugado a Arroios um primeiro andar no palacete dos Vargas; e a rapariga principiou a aparecer em S. Carlos, fazendo uma impressão—uma impressão de causar aneurismas, dizia o Alencar! Quando ela atravessava o salão, os ombros vergavam se no seu deslumbramento de auréola que vinha daquela magnífica criatura, arrastando com o passo de deusa a sua cauda de corte, sempre decotada como em noites de gala, e, apesar de solteira, resplandecente de jóias. O papá nunca lhe dava o braço: seguia atrás, entalado numa grande gravata branca de mordomo parecendo mais tisnado e mais embarcadiço na claridade loira que saía da filha, encolhido e quase apavorado, trazendo na mão o óculo, o libreto, um saco de bombons, o leque e o seu próprio guarda chuva. Mas era no camarote, quando a luz cata sobre o seu colo ebúrneo e as suas tranças de oiro, que ela oferecia verdadeiramente a encarnação de um ideal da Renascença, um modelo de Ticiano... Ele, Alencar, na primeira noite em que a vira, exclamara, mostrando a a ela e às outras, as trigueirotas de assinatura:
—Rapazes! É como um ducado de oiro novo entre velhos patacos do tempo do senhor D. João Vl!
O Magalhães, esse torpe pirata, pusera o dito num folhetim do “Português”. Mas o dito era dele, Alencar!
Os rapazes, naturalmente, começaram logo a rondar o palacete de Arroios. Mas nunca naquela casa se abria uma janela. Os criados interrogados disseram apenas que a menina se chamava Maria, e que o senhor se chamava Manuel. Enfim uma criada, amaciada com seis pintos, soltou mais: o homem era taciturno, tremia diante da filha, e dormia numa rede; a senhora, essa, vivia num ninho de sedas todo azul ferrete, e passava o seu dia a ler novelas. Isto não podia satisfazer a sofreguidão de Lisboa. Fez se uma devassa metódica, hábil, paciente... Ele, Alencar, pertencera à devassa.
E souberam se horrores. O papá Monforte era dos Açores; muito moço, uma facada numa rixa, um cadáver a uma esquina tinham no forçado a fugir a bordo de um brigue americano. Tempos depois um certo Silva, procurador da Casa de Taveira, que o conhecera nos Açores, estando na Havana a estudar a cultura do tabaco que os Taveiras queriam implantar nas ilhas, encontrara lá o Monforte (que verdadeiramente se chamava Forte) rondando pelo cais, de chinelas de esparto, à procura de embarque para a Nova Orleães. Aqui havia uma treva na história do Monforte. Parece que servira algum tempo de feitor numa plantação da Virgínia... Enfim, quando reapareceu à face dos céus, comandava o brigue “Nova Orleães’’, e levava cargas de pretos para o Brasil, para a Havana e para a Nova Orleães.
Escapara aos cruzeiros ingleses, arrancara uma fortuna da pele do africano, e agora rico, homem de bem, proprietário, ia ouvir a Corelli a S. Carlos. Todavia esta terrível crónica, como dizia o Alen-car, obscura e mel provada, claudicava aqui e além...
—E a filha?—perguntou Pedro, que o escutara, sério e pálido.
Mas isso não o sabia o amigo Alencar. Onde a arranjara assim tão loira e bela? Quem fora a mamã? Onde estava? Quem a ensinara a embrulhar se com aquele gosto real no seu xale de Caxemira?...
—Isso, meu Pedro, são mistérios que jamais pôde Lisboa astuta devassar e só Deus sabe!


Eça de Queirós, Os Maias



I

1. O texto gasta-se todo na elaboração de dois retratos: o de Alencar e o de Maria Monforte.
Mostre que a caracterização directa de Alencar está de acordo com a sua caracterização indirecta.
1.2. Que espécie de personagem é esta e qual a sua função na economia da obra?
1. 3. A caracterização de Maria Monforte processa se em três planos (a três níveis).
1.3.1. Como é apresentada esta personagem no primeiro plano? Este retrato representa a maneira de ver de quem? Será um retrato clássico, realista ou romântico?
1.3.2. Donde provêm as informações que constituem a caracterização do segundo plano? Esta segunda caracterização é mais ou menos abonatória que a primeira? Justifique a resposta.
1.3.3. Procure mostrar, se está de acordo, que o terceiro plano da caracterização de Maria Monforte (o que proveio de uma devassa metódica) obedece aos princípios do romance naturalista, se atendermos à relação de causalidade que se supõe existir entre esta personagem e os acontecimentos futuros da intriga central.

2. Que pontos de vista do narrador pode detectar no texto?

16.6.07

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá



1. Que relação há na obra entre o Gato e a Andorinha?

2. Quem são os responsáveis pela narração desta história?

3. Explica devidamente as tuas referências.

4. Comenta a divisão da obra a partir das estações do ano.

5. Por que motivo o capítulo inicial está fora do seu lugar habitual?

6. Como justifica o narrador a existência dos « parêntesis »?

7. Como é caracterizado o Gato no início da obra?

8. Caracteriza o Gato Malhado antes de conhecer a Andorinha e depois.

9. Quais os motivos que estão na base da alteração do comportamento do Gato após o primeiro encontro com a Andorinha.

10. Comenta a alteração do comportamento do Gato após o afastamento da Andorinha.

11. Justifica a atitude dos pais da Andorinha face ao « seu namoro » com o Gato.

12. Explica o papel da Vaca Mocha no desenrolar da acção.

13. Faz uma lista de todos os animais do Parque e mostra a opinião que cada um tinha sobre o Gato Malhado.

14. Comenta o desenlace da história.




15.6.07

Sagres




Vinha de longe o mar...
Vinha de longe, dos confins do medo...
Mas vinha azul e brando, a murmurar
Aos ouvidos da terra um cósmico segredo.

E a Terra ouvia, de perfil agudo,
A confidencial revelação
Que iluminava tudo
Que fora bruma na imaginação.

Era o resto do mundo que faltava
(Porque faltava mundo!).
E o agudo perfil mais se aguçava,
E o mar jurava cada vez mais mundo.

Sagres sagrou então a descoberta
Por descobrir:
As duas margens da certeza incerta
Teriam de se unir!

Miguel Torga, Poemas Ibéricos


I

1. Atente na 1ª estrofe do poema.
1.1. De onde vinha o mar?
1.2. Caracterize o mar. Que murmurava esse mar?

2. Atente na 2ª e 3ª estrofes
2.1. Qual o resultado da confidencial revelação feita pelo mar? Porque faltava mundo a terra ficou
curiosa. Qual a atitude do mar perante o apetite aguçado da terra?

3. Atente na 4 ª estrofe.
3.1. De que terra portuguesa se parte para a descoberta?
3.2. Qual o objectivo da partida para a descoberta?

4. Divida o poema nas partes que o constituem e resuma muito brevemente o assunto de cada uma delas.

5. A que período da história de Portugal se refere o poema. Justifique devidamente a sua resposta.

6. Identifique uma figura de estilo presente na primeira estrofe. Explique o seu sentido.

7. Explique por palavras suas o sentido dos seguintes versos:
Era o resto do mundo que faltava
(Porque faltava mundo!).

8. Retire do poema uma palavra de barba expressão que ilustra cada uma das seguintes sensações:
movimento / cor / som

9. Atente na última estrofe do poema.
9.1. Classifique-a quanto ao número de versos.
9.2. Qual o esquema rimático que lhe corresponde?
9.3. Como classifica a rima?

10.6.07

Luís de Sttau Monteiro, Felizmente há Luar!

Os últimos dias destruíram Sousa Falcão. Adquiriu, todavia, uma calma e uma paz interior que nunca tivera, talvez por ter revisto a sua concepção da posição do homem no mundo.
MATILDE: É o melhor dos amigos, António.
SOUSA FALCÃO: Nem isso sou! Só é digno de ser amigo de alguém quem de si próprio é amigo, Matilde, e eu odeio-me com toda a força que me resta.
Fosse eu digno da ideia que de mi m mesmo tinha, e estava lá em baixo, em S. Julião da Barra, ao lado de Gomes Freire, esperando a morte...
Quando os justos estão presos, só os injustos podem ficar fora das cadeias e eu, Matilde, vendi-me para estar, agora, aqui, a vê-lo morrer. As ideias de Gomes Freire são também as minhas, mas ele vai ser enforcado -e eu não.
Os motivos que os governadores tiveram para prendê-lo, também os tiveram para me prenderem a mim, mas a ele prenderam-no -e a mim não.
Faltou-me sempre coragem para estar na primeira linha...
Durante estes meses, duas vezes dei comigo à berma de lhe chamar louco, para desculpar a minha própria cobardia.
Há homens que obrigam todos os outros homens a reverem-se por dentro...
É por mim que estou de luto, Matilde!
Por mim...
MATILDE: ...Isto é o fim, António... Aceitou o inevitável.
SOUSA FALCÃO: É o fim... Quando virmos, lá em baixo, o clarão da fogueira, já ele morreu...
MATILDE: O clarão da fogueira! Quando o virmos, já ele está aqui ao pé de nós! Foi para o receber que eu vesti a minha saia verde!
(Pausa)
A partir deste momento os gestos e as palavras de Matilde são quase infantis. Está a despedir--se do homem que amou e fá-lo com uma ternura infinita e uma dignidade que a ninguém passa despercebida.
Vem dizer-nos adeus, António, vem abraçar-nos pela última vez. Nunca partiu para uma batalha sem se despedir de mim e, agora, que se acabaram só as batalhas, vem apertar-me contra o peito! [...]

Luís de Sttau Monteiro, Felizmente há Luar!


I

Após uma leitura atenta do excerto transcrito, elabore um comentário global de modo que integre o tratamento dos seguintes tópicos:
- os enquadramentos nas estruturas externa e interna;
- o relacionamento do sentimento de ódio com o paralelismo antitético entre duas personagens;
- as figuras de estilo e o seu valor expressivo;
- o símbolo da fogueira;
- a prosódia e a expressividade da linguagem, em Matilde.


II

Num texto bem organizado, de setenta a cem palavras, comprove que a afirmação seguinte bem pode aplicar-se à obra Felizmente há Luar!.
Luís de Sttau Monteiro, numa entrevista que concedeu ao Jornal de Letras, afirmou: «Para mim há uma coisa sagrada: ser livre como o vento.»


III

Resuma o excerto a seguir transcrito, constituído por trezentas e setenta e sete palavras, num texto de cento e dezasseis a cento e trinta e seis palavras.

Na sequência de uma carta de protesto contra a proibição, são presos por alguns dias, com grande escândalo nacional e internacional, vários dos «intocáveis» do oposicionismo: António Sérgio, Jaime Cortesão, Azevedo Gomes e Vieira de Almeida. E, em Maio de 1961, os 62 subscritores do Programa para a Democratização da República, entre liberais e homens da esquerda socialista (Azevedo Gomes, Acácio Gouveia, Mário Soares, Piteira Santos, Ramos da Costa e mui¬tos outros), são sucessivamente detidos pela polícia política. Os organismos unitários surgidos em fins de 1959 - as juntas de acção patriótica -, agrupando sobretudo personalidades comunistas e da esquerda oposicionista, são, por seu turno, alvo de duras medidas de repressão e desmantelamento nos anos seguintes, levando à prisão e a julgamento homens como Arlindo Vicente, Areosa Feio, Luís Dias Amado ou Nikias Skapinakis. Nem o escritor Aquilino Ribeiro se furta ao novo rigor repressivo: em Outubro de 1959 é processado por causa do livro Quando os Lobos Uivam, entretanto apreendido.
Em fundo, uma resposta implacável à agitação social e política que abala o País entre 1958 e 1962: a GNR e a polícia (a polícia de choque faz a sua estreia em Novembro de 1961) reprimem com violência e com alguns mortos as manifestações públicas que marcam as comemorações do 5 de Outubro, do 1° de Maio, do 31 de Janeiro, os protestos contra as «farsas eleitorais» de 1958 e 1961, as greves de estudantes de 1962 ou as lutas pelas oito horas de trabalho, no mesmo ano, no Alentejo.
A crispação repressiva de um regime crescentemente isolado e em luta por sobreviver é um traço que não mais abandonará o salazarismo até 1968. Só com a tropa, compreensivelmente, ele terá algum cuidado: os conspiradores militares da Sé são tratados com evidente brandura, e os putschistas da «Abrilada» de 1961 nem sequer serão incomodados. Mas o assato ao Quartel de Beja, em Janeiro de 1962, iniciativa mais desligada da hierarquia militar, voltará a ser alvo de uma duríssima repressão. Entre 1958 e 1960 a curva de presos políticos volta a subir: nesses dois anos, útimos em que se dispõe de dados compilados, a PIDE prende perto de 1200 pessoas. Mas só em cada um dos dois anos seguintes o número de presos políticos terá sido superior àquele valor.

José Mattoso (orient.), História de Portugal, VII vol. -
«O Estado Novo», Círculo de Leitores

8.6.07

As quatro portas do céu



O céu tem quatro portas.
A porta branca onde mora um velho chamado Inverno, a porta verde onde mora uma menina chamada Primavera, a porta amarela onde mora um rapaz chamado Verão e a porta dourada onde mora um homem chamado Outono.
O Inverno sai da sua porta branca com um saco cheio de maravilhas e verifica que a tinta da porta está um bocadinho esmurrada. Volta atrás a buscar uma trincha e conserta aquela pequena mancha. Depois segue, um bocado rabugento, e como não quer que o vejam, tira do saco uma embalagem de nevoeiro e espalha-o pelo caminho. Fica tudo cinzento e, embora esta não seja a sua cor preferida, sempre a acha melhor que os castanhos de mil e uma tonalidades que o Outono deixou atrás de si.
O Inverno, como já perceberam, não gosta de dar nas vistas, por isso sai no dia mais curto do ano, 21 de Dezembro, convencido de que ninguém dá por ele. E de facto, às vezes estamos tão entretidos a preparar o Natal que nem o sentimos.
Por onde passa, vai deixando a Natureza arrepiada. As árvores largaram as últimas folhas (algumas!, porque outras, chamadas de folha perene, nunca se despem da sua roupagem). Os bichinhos escondem-se nos seus abrigos onde guardaram comida para os meses frios. As formigas, por exemplo, são muito previdentes e fazem sempre isso. Há animais, como os ursos, que dormem durante a época em que não há comida. Metem-se nas suas cavernas e ali estão quentinhos a hibernar, a poupar energias, para não darem de caras com nevões e outras coisas de que não gostam. Há ainda os pássaros que, não podendo sobreviver ao frio, preferem ir passar esses meses para lugares mais quentes do planeta, para depois voltarem a casa, como nós fazemos no fim das férias.
É por isso que o Inverno é um bocado resmungão. Não encontra quase ninguém pelo caminho a não ser árvores despidas e bichinhos assustados. Às vezes encontra pessoas, mas não dá para conversar, porque elas vão à pressa para casa, embrulhadas nos seus agasalhos, a soprar bafo quente para as pontas dos dedos.
Irritado com esta falta de atenção, o Inverno tira do saco uma chuva torrencial, de que todos fogem, mas que é uma das suas maravilhas porque vai alimentar os rios e preparar a terra para mais tarde desabrochar.

Rosa Lobato Faria, As Quatro Portas do Céu


I

1. De entre cada grupo de afirmações, assinala a que, segundo o texto, é verdadeira.

1.1. O Inverno é apresentado através da alegoria de um velho por ser:
a. a última estação do ano
b. muito frio
c. desejado por todos

1.2. Menina, rapaz, homem e velho são personagens que representam:
a. os membros de uma família
b. a Natureza
c. ciclo da vida

2. Pontua o texto apresentado, retirado da mesma obra, introduzindo-lhe as vírgulas ou outros sinais de pontuação necessários.

Entretanto os homens já cortaram a madeira só a indispensável e já a puseram a bom recato semearam e protegeram produtos da horta que fazem falta na nossa alimentação como agriões alfaces espinafres ervilhas tomate e temperos como a salsa e os coentros. E semearam o centeio para fazer mais tarde aquele pão escuro e saboroso do qual comido quentinho até o Inverno gosta...

3. Explica o significado das cores referidas no segundo parágrafo.

4. Completa o seguinte quadro, transcrevendo palavras ou expressões que ilustrem algumas características da personagem Inverno.
Solitário
tímido
adjectivos que o caracterizam directamente

5. Faz corresponder uma palavra à expressão do quinto parágrafo "ir passar esses meses para lugares mais quentes do planeta".

6. O que há de comum entre migrações e férias?

II

Com base no texto, elabora um comentário com cerca de sessenta palavras, sobre a frase:

As estações do ano deram "asas" à criatividade do narrador do texto.



Seus olhos





Seus olhos - se eu sei pintar
O que os meus olhos cegou -
Não tinham luz de brilhar,
Era chama de queimar;
E o fogo que a ateou
Vivaz, eterno, divino,
Como facho do Destino.

Divino, eterno! - e suave
Ao mesmo tempo: mas grave
E de tão fatal poder,
Que, um só momento que a vi,
Queimar toda alma senti...
Nem ficou mais de meu ser,
Senão a cinza em que ardi.

Almeida Garrett, Folhas Caídas


I

1. Identifique as consequências da «luz» (v. 3) e do «fogo» (v. 5) no sujeito lírico.
2. Mostre como o sujeito poético exprime os seus sentimentos.
3. Clarifique a relação de oposição estabelecida no poema através das expressões «seus olhos» -«meus olhos».
4. Releia os dois últimos versos do poema: «Nem ficou mais de meu ser, Senão a cinza em que ardi.»
4.1. Explique o sentimento de frustração expresso nestes dois últimos versos.
4.2. Indique as causas dessa frustração.
4.3. Identifique o recurso estilístico na expressão «cinza em que ardi».
5. «Vivaz, eterno, divino» (v. 6)
5.1. Classifique morfologicamente os vocábulos transcritos.
5.2. Encontre dois sinónimos para cada um deles.


II

Recorde as leituras que fez da poesia de Almeida Garrett e refira-se aos seguintes aspectos:
1. A forma como o autor tratou a relação amorosa.
2. Características marcantes da linguagem e do estilo.



6.6.07

Diário, Sebastião da Gama


Fevereiro, 3 e 4

Estive em Coimbra, a fazer exames. Para eles se entreterem, encomendei-lhes uma redacção sujeita ao tema: " O Professor faltou ". O resultado só foi desanimador na medida em que eu peço sinceridade. Se é certo que eles gostam de Português e desamam Noções de Comércio, não é menos certo que é quase anormal o rapaz não ficar felicíssimo quando o professor falta; ora na maioria declaram-se pesarosos, tristes, pensativos, desgostados, aborrecidos! Não desanimo, porém; eles não têm culpa e com jeitinho levá-los-ei a dizerem com franqueza o que querem e o que pensam. De notável, houve o Gabriel, que teve a habilidade de me pôr ao corrente do que sentiam sem dizer a sua opinião pessoal: fez uma engraçada cena de teatro, em que uns aclamam, outros aborrecem a falta do professor!

In Diário, Sebastião da Gama



1. Explica, por palavras tuas, o significado das palavras e expressões:
a. sujeita ( l.2 )
b. pesarosos ( l. 6 )
c. declaram-se ( l. 5 )
d. pôr ao corrente ( l. 8 )

2. De acordo com o texto, qual a qualidade que Sebastião da Gama mais apreciava nos seus alunos?
2.1. E tu? Qual a qualidade que mais aprecias nos professores ?
2.2. Justifica devidamente a tua opinião.

3. Recorrendo ao texto, sempre que necessário, tenta fazer o retrato psicológico do autor.

4. Explica, em poucas linhas, o que o autor pretende dizer com a seguinte frase:
« ... eles não têm culpa ... »

5. Classifica este texto segundo a terminologia estudada na aula.
5.1. Faz o levantamento das suas características fundamentais.







3.6.07

O Velho e o Mar





Sentiu-se de novo a desmaiar, mas segurou no grande peixe com quanta força pôde. "Mexi-o, pen-sou. Talvez que desta vez o apanhe. Puxem, mãos. Aguentem, pernas. Cabeça, não me falhes. Não me falhes. Nunca me falhaste. Desta vez, apanho-o".
Mas, quando empregou a fundo o seu esforço, começando muito antes de o peixe estar ao pé do barco, aquele voltou-se, endireitou-se, e nadou para longe.
- Peixe! - disse o velho. - Peixe! Seja como for, tu vais morrer. Precisas também de me matar?
"Assim não se consegue nada", pensou. A boca, muito seca, não o deixava falar, mas não podia chegar à água. "Já não aguento muitas mais voltas. Sim, aguentas, disse consigo. Aguentas como nunca".
Na volta seguinte, quase o apanhou. Mas mais uma vez o peixe se endireitou e nadou devagar para longe.
"Tu estás a matar-me, peixe, pensou o velho. Mas tens todo o direito. Nunca vi uma coisa maior, ou mais bela, ou mais serena ou mais nobre do que tu, meu irmão. Vem e mata-me. Não quero saber qual de nós mata".
"Agora estás tu a perder a cabeça, pensou. E não deves perder a cabeça. Não a percas, e aprende a sofrer como um homem. Ou como um peixe".
- Reanima-te, cabeça - disse numa voz que mal ouvia. - Reanima-te.
Duas vezes mais aconteceu o mesmo.
"Não sei", pensou o velho. Estivera a ponto de sentir-se morrer, de cada vez. "Não sei. Mas torno a tentar".
Tornou a tentar, e sentiu-se esmorecer, quando voltou o peixe. O peixe endireitou-se, e afastou-se outra vez, lentamente, com a grande cauda balouçando no ar.
"Torno a tentar", prometeu o velho a si próprio, embora nem sentisse as mãos e ape¬nas visse por lampejos.
Tentou de novo, e foi o mesmo. "Pois é", pensou, e sentia-se desfalecer, antes de prin¬cipiar; "hei-de tornar a tentar".
Convocou toda a sua dor, quanto lhe restava de forças, e o seu orgulho perdido, e tudo lançou contra a agonia do peixe, e o peixe veio rente à borda e nadou mansamente junto à borda, com o nariz quase roçando o costado do barco, e começou a passar-lhe por baixo, longo, fundo, largo, prateado, listrado de púrpura, interminável nas águas.
O velho largou a linha, calcou-a com o pé, levantou o arpão ao alto e fê-lo descer, com toda a for-ça que tinha e mais força que no momento invocou, pelo flanco do peixe aden¬tro, mesmo por trás da grande barbatana peitoral que alta se erguia no ar à altura do peito do homem. Sentiu o ferro entrar e debruçou-se sobre ele e fê-lo entrar mais e car¬regou depois com o seu peso em cima.

Ernest Hemingway, O Velho e o Mar



I

Assinala com V ou F as afirmações que julgues verdadeiras ou falsas.

1.0 velho pescador falava:
a) consigo mesmo;
b) corn os outros pescadores;
c) com o seu amigo Manolin.

2. O velho pescador estava interessado:
a) em ver a grandeza do peixe;
b) em evitar a perseguição do peixe;
c) em pescar o peixe.

3. Ao ver o peixe, o velho pescador ficou:
a) admirado com o seu tamanho;
b) admirado com a sua beleza;
c) desiludido com a sua fealdade.

4. O velho pescador viveu um drama. Esse drama era:
a) matar o peixe;
b) não conseguir matar o peixe;
c) temer que o peixe o matasse.

5. O velho pescador teve sorte porque:
a) o peixe se deixou apanhar facilmente;
b) o arpão entrou no sitio certo do peixe;
c) o peixe não era assim tão grande e perigoso.


II

1. Verificando a grandeza do peixe, em quem confiou o pescador para o vencer?
1.1. Transcreve os elementos textuais que comprovam a tua resposta.

2. Faz a caracterização do peixe.

3. A luta entre o pescador e o peixe pode considerar-se um pequeno drama.
3.1. No que diz respeito apenas ao pescador, em que consiste esse drama?
3.2. E na relação do pescador com o peixe?

4. O pescador trata o peixe com uma atitude de superioridade ou com uma atitude de fraternidade?
4.1. Encontra as palavras que demonstram a tua afirmação.

5. No texto, repete-se cinco vezes o verbo "tentai".?
5.1. Identifica o objectivo dessa repetição.

6. "Convocou toda a sua dor, quanto lhe restava de forças, e o seu orgulho perdido."
6.1. Explica o sentido desta afirmação.
6.2. Das três realidades mencionadas, qual te parece a mais forte? Porquê?

7. Comprova que este texto se insere no género narrativo.

8. Paralelamente à luta entre o pescador e o peixe, podemos falar da luta entre o homem e o mar.
8.1. Comprova esta afirmação através de um episódio de Os Lusíadas.


III

1. "Mais uma vez o peixe se endireitou e nadou devagar para longe."
1.1. Classifica esta frase quanto ao tipo e à forma.
1.2. Divide as suas orações.
1.3. Classifica essas orações, indicando a relação que se estabelece entre elas.

2. Completa as frases:
a) Se o pescador __(desistir), não teria conseguido o objectivo.
b) Quando nós ___ (querer) chegar ao fim dum trabalho importante, teremos de enfrentar as ____ e nunca desistir.
c) Embora ______ (poder) ter problemas, a força de _vence sempre.


3. "Não a percas, e aprende a sofrer como um homem."
3.1. Explica o sentido da frase transcrita.
3.2. Indica a figura de estilo nela presente.

4. "Puxem, mãos. Aguentem, pernas. Cabeça, não me falhes."
4.1. Refere as figuras de estilo presentes nestas frases.
4.2. Explica o sentido dessas figuras.


IV

"Não há bem que sempre dure. Quem me dera que tivesse sido um sonho, que eu não tivesse pescado o peixe e estivesse sozinho na cama, em cima dos jornais."
- Mas o homem não foi feito para a derrota - disse. - Um homem pode ser destruído, mas não derrotado.

Ernest Hemingway, O Velho e o Mar


Com base na leitura deste excerto, propomos-te dois temas. Escolhe aquele que mais te interessar e desenvolve-o num texto bem estruturado.

Tema A: A importância do sonho para todos e, de forma especial, para os jovens.
Tema B: Querer é poder. Ninguém foi feito para a derrota.



1.6.07

O amor de Vénus pelos Portugueses (C.II, 34-44)



34
E, como ia afrontada do caminho,
Tão fermosa no gesto se mostrava,
Que as Estrelas e o Céu e o Ar vizinho
E tudo quanto a via, namorava.
Dos olhos, onde faz seu filho o ninho,
Uns espíritos vivos inspirava,
Com que os Pólos gelados acendia,
E tornava do Fogo a Esfera, fria.

38
(...)
Destarte a Deusa, a quem nenhüa iguala,
Mais mimosa que triste, ao Padre fala:

39
«Sempre eu cuidei, ó Padre poderoso,
Que, pera as cousas que eu do peito amasse,
Te achasse brando, afábil e amoroso,
Posto que a algum contrairo lhe pesasse;
Mas, pois que contra mi te vejo iroso,
Sem que to merecesse nem te errasse,
Faça-se como Baco determina;
Assentarei, enfim, que fui mofina.

40
«Este povo, que é meu, por quem derramo
As lágrimas que em vão caídas vejo,
Que assaz de mal lhe quero, pois que o amo,
Sendo tu tanto contra meu desejo,
Por ele a ti rogando, choro e bramo,
E contra minha dita, enfim, pelejo.
Ora pois, porque o amo, é mal tratado,
Quero-lhe querer mal: será guardado.»

44
«Fermosa filha minha, não temais
Perigo algum nos vossos Lusitanos,
Nem que ninguém comigo possa mais
Que esses chorosos olhos soberanos;
Que eu vos prometo, filha, que vejais
Esquecerem-se Gregos e Romanos,
Pelos ilustres feitos que esta gente
Há-de fazer nas partes do Oriente.»

Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto II



I

1. Situe o excerto que acabaste de ler no plano narrativo em que está inserido e justifique a sua resposta.

2. Identifique as personagens presentes no texto, tecendo um breve comentário às suas funções na obra Os Lusíadas.

3. Justifique a referência a Baco na estrofe 39.

4. Explique o significado do discurso de Vénus na estrofe 40.

5. Relacione as promessas de Júpiter (est. 44) com a proposição de Os Lusíadas.

6. Retire do texto dois exemplos de recursos de estilo e comente o seu valor expressivo.


II

O poema Os Lusíadas patenteia, de forma evidente, a época em que foi escrito - O Renascimento. Numa dissertação cuidada, justifique esta afirmação, documentando as suas opiniões com referências ilustrativas da concepção renascentista.