30.1.07

A Torre da Má Hora

I

1. Um dos planos narrativos desenrola-se no «lancil do largo».
1.1. Identifica as personagens que se encontram nesse espaço.
1.2. Campanelo revela desde o início uma técnica especial de contar histórias. Qual e para quê?
1.3. Que elementos do espaço físico são observáveis a partir do largo?
1.4. Situa no tempo o episódio que se desenrola no largo.
2. O encaixe do segundo plano no primeiro é feito através de um recurso estilístico.
2.1. Identifica-o.
2.2. Entre quem se estabelece-se a comparação?
3. Campanelo é o narrador de outra história.
3.1. Quem são os intervenientes na narrativa de Campanelo?
4. Indica os narradores dos dois planos da narrativa.


II

1. Recria a história de "A Torre da Má Hora" dando-lhe o desenlace que mais te agradar. Inicia a tua narrativa pela fórmula tradicional "Era uma vez. .."






28.1.07

Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente1.

Errei todo o discurso2 de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro génio3 de vinganças!

Luís de Camões, Poesia Lírica


1. Entenda-se: "a não desejar mais ser feliz".
2. Decurso.
3. Espírito, maléfico ou benéfico, que presidia ao nascimento e destino de cada pessoa.



I

1. O sujeito poético faz um balanço da sua vida.
1.1. Indique os factores que contribuíram para a sua desgraça.

1.2. No entanto apenas uma das causas teria sido suficiente para o seu infortúnio. Identifique-a.

1.3. Aponte o significado que a palavra "fortuna" assume no primeiro verso.

2. Atente, agora, na segunda estrofe.
2.1. Encontre um sinónimo para cada uma das formas do verbo passar em "Tudo passei" e "a grande dor das coisas que passaram"

3. Descreva a forma como o primeiro verso se desenvolve nos tercetos.

4. Manifeste o desejo do eu lírico nos últimos dois versos.

5. Faça o levantamento dos vocábulos e expressões que remetem para o sentimento de amargura.

6. Atente na construção do poema, ao nível da estrutura externa.
6.1. Indique o número de estâncias que o constitui, a designação que se dá a essas estâncias e o nome que se atribui a este tipo de composição poética.

6.2. Faça a escanção do primeiro verso e classifique-o quanto ao número de sílabas métricas.

6.3. Registe o esquema rimático da segunda estrofe do poema e classifique o tipo de rima.

21.1.07

A Torre da Má Hora

1. O conto apresenta dois planos narrativos perfeitamente articulados entre si. Indica o assunto de cada um deles.

2. Delimita no texto o momento de transição para o 2° plano da narrativa.

3. O encaixe da história secundária é feito através de uma comparação. Entre quem se estabelece a comparação?

4. Identifica neste conto os diferentes narradores e narratários.

5. Campanelo é um contador de histórias por excelência. Retira do texto expressões que revelem a sua técnica de grande comunicador e contador.

6. O "menino de bibe preto" é a personagem principal do 1° plano narrativo. Faz a sua caracterização física, psicológica e social (directa e indirecta).

7. Indica através de expressões do texto qual o espaço físico da narrativa principal.


II

“Campanelo vê o rapazinho do bibe preto erguer-se com os olhos rasos de água. Segue-lhe a mão estendida e ouve-lhe a voz esgarçada:
- Campanelo, onde é a Torre da Má Hora?!...
Sorrindo, Campanelo aponta ao acaso, o largo, as ruas da vila, os campos...
- Sei lá... em qualquer parte. Mas, olha, tu és como o teu avô: hás-de ir e voltar da Torre da Má Hora.
E, no círculo das crianças, o rapazinho do bibe preto, de pé, era mais alto que todos. Mais alto que Campanelo, sentado no lancil do largo, debaixo das estrelas, na noite quieta.”


Manuel da Fonseca, “A Torre da Má Hora” in Aldeia Nova. 1942


1. Num pequeno texto cuidado, diga o que representa a Torre da Má Hora.






19.1.07

O Sapateiro Pobre





Havia um sapateiro, que trabalhava à porta de casa, e todo o santíssimo dia cantava; tinha muitos filhos, que andavam rotinhos pela rua, pela muita pobreza, e à noite enquanto a mulher fazia a ceia, o homem puxava da viola e tocava os seus batuques muito contente. Defronte dele morava um ricaço, que reparou naquele viver, e teve pelo sapateiro tal compaixão, que lhe mandou dar um saco de dinheiro, porque o queria fazer feliz. O sapateiro lá ficou admirado; pegou no dinheiro e à noite fechou-se com a mulher para o contarem. Naquela noite o sapateiro já não tocou viola; as crianças andavam a brincar pela casa e faziam barulho, fizeram-no errar a conta e ele teve de lhes bater, e ouviu-se uma choradeira, como nunca tinham feito quando tinham mais fome. Dizia a mulher:
– E agora, o que havemos nós de fazer a tanto dinheiro?
– Enterra-se.
– Perdemos-lhe o tino; é melhor metê-lo na arca.
– Mas podem roubá-lo, o melhor é pô-lo a render.
– Ora isso é ser onzeneiro.
– Então levantam-se as casas, e fazem-se de sobrado, e depois arranjo a oficina toda pintadinha.– Isso não tem nada com a obra; o melhor era comprarmos uns campinhos; eu sou filha de lavrador e puxa-me o corpo para o campo.
– Nessa não caio eu.
– Pois o que me faz conta é ter terra; tudo o mais é vento.
As coisas foram-se azedando, palavra puxa palavra, o homem zanga-se, atiça duas solhas na mulher, berreiro de uma banda, berreiro de outra, naquela noite não pregaram olho. O vizinho ricaço reparava em tudo, e não sabia explicar aquela mudança. Por fim o sapateiro disse à mulher:
– Sabes que mais, o dinheiro tirou-nos a nossa antiga alegria! O melhor era ir levá-lo outra vez ao vizinho dali defronte, e que nos deixe cá com aquela pobreza que nos fazia amigos um do outro. A mulher abraçou aquilo com ambas as mãos e o sapateiro com vontade de recobrar a sua alegria e a da mulher e dos filhos, foi entregar o dinheiro e voltou para a sua tripeça a cantar e trabalhar como o costume.


I

1. Sublinha o sinónimo correspondente à palavra que se encontra em itálico. Só existe uma opção correcta, para cada frase.

1. … “isso é ser onzeneiro
a) comerciante b) avarento c) esperto c) pobre
2. …”o homem zanga-se, atiça” …
a) prega (bater) b) acende c) sacode d) esfrega
3. … “atiça duas solhas na mulher” …
a) peixes marinhos b) gargalhadas c) moedas d) bofetadas
4. … “voltou para a sua tripeça”…
a) ofício de sapateiro b) fazenda c) festa d) terra

2. Identifica as personagens deste texto.
3. Caracteriza-as.
4. Refere o que o vizinho decidiu fazer.
5. Explica o que aconteceu na casa do sapateiro depois de ter recebido a oferta.
6. Aponta a forma como o sapateiro e a mulher resolveram o conflito.
7. Salienta a moral que este conto pretende transmitir.
8. Este texto é um conto popular. Menciona as características ou a estrutura deste tipo de textos.
9. Este conto contém várias expressões populares.
9.1 Explica o sentido das seguintes:
a) … ”Perdemo-lhe o tino”…
b) … “puxa-me o corpo para o campo” …
c) … “tudo o mais é vento” …
d) … ”palavra puxa palavra” …
e) … “abraçou aquilo com ambas as mãos” …


II

1. Elabora um comentário sobre o texto publicitário, salientando as regras da publicidade e explicando a importância da publicidade no nosso dia-a-dia.


III

Num texto de 10 linhas, no mínimo, elabora UMA das sugestões apresentadas.

A – Elabora um conto cujo título é «As Três Mentiras da Avozinha»
B – Conto: O João Adivinhão


Se Helena apartar

Mote

Se Helena apartar
Do campo seus olhos
Nascerão abrolhos

Voltas

A verdura amena,
Gados, que paceis,
Sabei que deveis
Aos olhos de Helena.
Os ventos serena,
Faz flores de abrolhos
O ar dos seus olhos.

Faz serras floridas,
Faz claras as fontes:
Se isto faz nos montes,
Que fará nas vidas?
Trá-las suspendidas,
Como ervas em molhos,
Na luz dos seus olhos.

Os corações prende
Com graça inumana
De cada pestana
Uma alma lhe pende.
Amor se lhe rende
E, posto em geolhos
Pasma nos seus olhos.


I

1. Indique a temática presente neste vilancete.

2. Se atender aos efeitos dos olhos de Helena, poderá dividir as três voltas do poema em duas partes lógicas. Delimite-as, fazendo a síntese de cada uma delas.

3. Procede à caracterização dos olhos de Helena.

4.Confirmando com exemplos do texto, refira-se aos principais artifícios estilísticos de que o poeta se serve para exaltar a beleza de Helena.

5. Que relação se estabelece entre os olhos de Helena e a natureza?

6. Há no poema uma visão petrarquista da mulher e do amor. Baseando-se no texto confirme ou negue esta afirmação.



13.1.07

A Bela e a Cobra





Era uma vez um rei que tinha três filhas, uma das quais era muito formosa e ao mesmo tempo dotada de boas qualidades. Chamava-se Bela. O rei tinha sido muito rico, mas, por causa de um naufrágio, ficou completamente pobre.
Um dia foi fazer uma viagem. Antes, porém, perguntou às filhas o que queriam que ele lhes trouxesse.
– Eu – disse a mais velha – quero um vestido e um chapéu de seda.
– Eu – disse a do meio – quero um guarda-sol de cetim.
– E tu, que queres? – perguntou ele à mais nova.
– Uma rosa tão linda como eu – respondeu ela.
– Pois sim – disse ele.
E partiu.
Passado algum tempo, trouxe as prendas de suas filhas. E disse à mais nova:
– Pega lá esta linda rosa. Bem cara me ficou ela!
Bela ficou muito surpreendida e perguntou ao pai porque é que lhe tinha dito aquilo. Ele, a princípio, não lho queria dizer, mas ela tantas instâncias fez que ele lhe respondeu que no jardim onde tinha colhido aquela rosa encontrara uma cobra, que lhe perguntou para quem ela era. Respondeu-lhe que era para a sua filha mais nova e ela disse que lha havia de levar, senão que era morto.
Consolou-o a menina:
– Meu pai, não tenha pena, que eu vou.
Assim foi. Logo que ela entrou naquele palácio, ficou admirada de ver tudo tão asseado, mas ia com muito medo. O pai esteve lá um pouco de tempo e depois foi-se embora. Bela, quando ficou só, dirigiu-se a uma sala e viu a cobra. Ia deitar-se quando começaram a ajudá-la a despir. Estava ela na cama quando sentiu uma coisa fria. Deu um grito e disse-lhe uma voz:
– Não tenhas medo.
Em seguida foi ver o que era e apareceu-lhe a cobra. A menina, a princípio, assustou-se, mas depois começou a afagá-la. Ao outro dia de manhã apareceu-lhe a mesa posta com o almoço. Ao jantar viu pôr a mesa, mas não lobrigou ninguém. À noite foi-se deitar e encontrou a mesma cobra. Assim viveu durante muito tempo, até que um dia foi visitar o pai. Mas quando ia a sair ouviu uma voz que lhe disse:
– Não te demores acima de três dias, senão morrerás.

Lá seguiu o seu caminho, já esquecida do que a voz lhe tinha dito. E chegou a casa do pai. Iam a passar os três dias quando se lembrou que tinha de voltar. Despediu-se de toda a família e partiu a galope. Chegou já à noite e foi deitar-se, como tinha de costume, mas já não sentiu o tal bichinho. Cheia de tristeza, levantou-se pela manhã muito cedo, foi procurá-lo no jardim e qual não foi a sua admiração ao vê-lo no fundo dum poço! Ela começou a afagá-lo, chorando, e caiu-lhe uma lágrima no peito. Assim que a lágrima lhe tocou, a cobra transformou-se num príncipe, que ao mesmo tempo lhe disse:
– Só tu, minha donzela, me podias salvar! Estou aqui há uns poucos de anos e, senão chorasses sobre o meu peito, ainda aqui estaria cem anos mais!
O príncipe gostou tanto dela que casaram e viveram durante muitos anos.

Contos Tradicionais Portugueses
Publicações Europa-América



I

1. Identifica as personagens e classifica-as quanto ao relevo.
1.1. Caracteriza física e psicologicamente Bela.

2. Identifica e caracteriza os diferentes espaços no texto.

3. Bela, a filha mais nova do rei, pediu uma rosa.
3.1. Explica por que razão o pai diz que a rosa lhe ficou "bem cara".

4. Observa a frase: "- Meu pai, não tenha pena, que eu vou."
4.1. Indica a(s) função(ões) da linguagem patente(s) na frase transcrita.

5. "Era uma vez", "Um dia", "Passado algum tempo", e "viveram durante muitos anos" são algumas expressões temporais do texto.
5.1. Aponta as características que têm em comum com os contos tradicionais.



II


Faz o resumo do conto tradicional A Bela e a Cobra.


Aquela triste e leda madrugada


Aquela triste e leda madrugada,
Cheia toda de mágoa e de piedade,
Enquanto houver no mundo saudade,
Quero que seja sempre celebrada.

Ela só, quando amena e marchetada
Saía, dando ao mundo claridade,
Viu apartar-se dũa outra vontade,
Que nunca poderá ver-se apartada.

Ela só viu as lágrimas em fio,
Que de uns e de outros olhos derivadas,
Se acrescentaram em grande e largo rio.

Ela ouviu as palavras magoadas
Que puderam tornar o fogo frio,
E dar descanso às almas condenadas.

Luís de Camões

I

1. Que situação inspirou o poeta na criação deste soneto?
2. Em quantas partes lógicas se divide esta composição poética?
2.1. Delimita-as e refere o seu assunto.
3. Quais os sentimentos expressos no poema?
4. A madrugada assegura a unidade do poema e funciona como personagem principal.
4.1. Comenta esta afirmação, retirando exemplos do texto.
5. De que forma se estabelece uma relação entre a natureza e os sentimentos do poeta?
6. Aponta a razão por que a madrugada nos é apresentada como “triste e leda”.
7. Identifique as seguintes figuras de estilo:
7.1. Triste e leda
7.2. Se acrescentaram em grande e largo rio
7.3. Viu as palavras
7.5. Tornar o fogo frio

II

1. Atenta na construção do poema, ao nível da estrutura externa.
1.1. Indica o número de estâncias que o constitui, a designação que se dá a essas estâncias e o nome que se atribui a este tipo de composição poética.

2. Regista o esquema rimático do poema e classifica o tipo de rima presente.

3. Faz a escanção do primeiro verso e classifica-o quanto ao número de sílabas métricas.



III

1. Insere este poema de Camões numa das correntes líricas estudadas e refere quais as suas principais características.




12.1.07

A Torre da Má Hora

I PARTE

1. Transcreve todas as palavras e expressões do texto que permitem situar a acção no tempo e no espaço.
2. Campanelo narra uma história a uma assistência composta de crianças.
2.1. Indica as técnicas utilizadas por Campanelo para prender a atenção do seu público, com exemplos do texto.
2.2. Lê em voz alta a primeira fala de Campanelo, respeitando a indicação fornecida pelo narrador sobre a forma como as palavras foram ditas.
2.3. Que reacções provoca ele nos seus ouvintes?

3. Explica de que modo o tempo e o espaço terão influência nas reacções das crianças.

4. No grupo de crianças, destaca-se uma personagem.
4.1. Como é ela identificada?
4.2. Que sentimento a domina durante a narração da história da "Torre da Má Hora"?


II PARTE

5. Nesta parte, é interrompida a história de Campanelo para dar lugar à revelação dos pensamentos do " rapazinho do bibe preto".
5.1. Indica o que deu origem a esta interrupção.

6. Ao longo desta parte, o rapaz recorda factos da sua vida que comprovam as semelhanças entre si e o protagonista da história narrada por Campanelo.
6.1. Faz o levantamento das referidas semelhanças.
6.2. Caracteriza o rapazinho a partir do seu comportamento.

7. Há um episódio na vida do rapazinho que o marcou particularmente.
7.1. Reconta-o de uma forma resumida.
7.2. Explica por que razão este episódio foi importante para o rapaz.


III PARTE

8. "E à voz de Campanelo, que o leva à porta da Torre da Má Hora, tudo isto se agitara nele."
8.1. A que se referem as palavras sublinhadas? Substitui-as por outras que explicitem o seu sentido.
8.2. Identifica o tempo em que se encontra a forma verbal agitara e justifica a sua utilização.

9. Campanelo decide alterar o final da história.
9.1. Na tua opinião, por que razão o terá feito?
9.2. Como reagiram os seus ouvintes? E o rapazinho do bibe preto?

10. À pergunta do rapazinho sobre o local onde fica a Torre da Má Hora, Campanelo responde: "- Sei lá. ..Em qualquer parte. Mas, olha, tu és como o teu avô: hás-de ir e voltar da Torre da Má Hora."
10.1. O que simbolizará a Torre da Má Hora? E que significado terá o "ir e voltar da Torre da Má Hora"?
10.2. Que efeito provocaram no rapaz as palavras de Campanelo?
10.3. No último parágrafo, o adjectivo alto está usado no sentido próprio ou no sentido figurado? Justifica a tua resposta.


Torre da Má Hora

10.1.07

Maria Rosa Colaço


<span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"><span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0">buzio</span></span>.<span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"><span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1">jpg</span></span> (<span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"><span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2">image</span></span>)<span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3">buzio</span>.<span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4">jpg</span> (<span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5">image</span>)buzio.jpg (image)
E com um búzio nos olhos claros
Vinham do cais, da outra margem
Vinham do campo e da cidade.
Qual a canção? Qual a viagem?

Vinham pr'á escola. Que desejavam?
De face suja, iluminada?
Traziam sonhos e pesadelos.
Eram a noite e a madrugada.

Vinham sozinhos com o seu destino.
Ali chegavam. Ali estavam.
Eram já velhos? Eram meninos?
Vinham pr'á escola. O que esperavam?

Vinham de longe. Vinham sozinhos
Lá da planície. Lá da cidade.
Das casas pobres. Dos bairros tristes.
Vinham pr'á escola: a novidade.

E com uma estrela na mão direita
E olhos grandes e voz macia
Ali chegavam para aprender
O sonho a vida a poesia.

Vinham de longe. Vinham sozinhos.
Lá da planície. Lá da cidade.
Ali chegaram para aprender
O sonho a vida a poesia.

Maria Rosa Colaço



I

1. Explicita o assunto global desta composição.

2. Divide o texto em partes lógicas, justificando devidamente a tua resposta.

3. O sujeito lírico, ao longo da composição, refere-se a um grupo de pessoas.
3.1. Indica qual é e justifica a tua resposta.
3.2. Donde vinham e para onde se dirigiam?
3.3. Qual é o contraste que se estabelece entre a sua origem?
3.4. Qual o significado da escola para eles?
3.5. Transcreve o verso que ilustra a tua resposta anterior.

4. Explica o significado das várias frases interrogativas na primeira parte do poema.

5. Faz o levantamento das oposições presentes no poema.
5.1. Escolhe duas e explica o seu valor expressivo.

6. Atenta na penúltima estrofe do poema.
6.1. Faz o levantamento de dois recursos estilísticos aí presentes, referindo o seu valor expressivo.

7. Relaciona o título do poema com o seu assunto.

8. Identifica o género literário a que pertence este texto, referindo, pelo menos, três das suas características fundamentais.


II

Também tu te encontras, neste momento, numa outra margem...
Num pequeno texto, exprime os teus desejos e as tuas expectativas relativamente ao futuro.



8.1.07

A Torre da Má Hora



1. Divide o texto em sequências narrativas. Justifica a divisão efectuada.

2. Identifica a personagem principal. Justifica.

3. O texto apresenta duas acções fechadas, desenvolvidas cronologicamente em dois momentos diferentes.
3.1. Identifica essas duas acções.
3.2. Qual delas ocorre no momento considerado como o presente?
3.3. Qual o processo utilizado para organizar as duas acções?

4. Transcreve três expressões referentes ao tempo cronológico.

5. Refere três personagens secundárias.

6. Identifica duas personagens colectivas.

7. Explicita o sentido de «bibe preto» na caracterização do «menino», relativamente ao seu retrato psicológico e ao conjunto dos «meninos».

8. Indica o recurso estilístico presente na frase «Como o menino das falas do Campanelo, ele era o que a sorte e a sua vontade queriam.» Explica o valor da sua utilização.

9. Identifica o recurso expressivo presente na expressão «e a bofetada, e a bofetada!». Refere a sua intenção.

10. Explica o valor da caracterização do «rapazinho do bibe preto» efectuada no último parágrafo.

11. Classifica o narrador, quanto à sua presença e à sua posição. Justifica.

12. Apresenta a tua opinião sobre o significado do título do texto.




7.1.07

Diminutivos

Por Maria Judite de Carvalho,
(escritora portuguesa, 1921-1998)



Suamos diminutivos por todos os poros, é um exagero. Talvez seja resultado dos nossos brandos costumes, talvez, às vezes, de uma certa, embora ignorada, subserviência. Já o Melchior o Eça falava das enxergazinhas no chão. E depois, que lá pelos lençoizinhos respondia ele. «A gente apanhada sem um colchãozinho de lã, sem um lombozinho de vaca [...]. Ele sempre é uma leguazita de mau caminho...»
Somos o Zé Povinho, para começar. Estamos malzinho, coitadinhos, ou estamos bonzinhos, acontece. Estamos também piorzinhos, melhorzinhos, obrigados, melhor, obrigadinhos. Começamos a trabalhar cedinho, voltamos para casa à tardinha, à noitinha, conforme as esta-ções. Às vezes está fresquinho, cai uma chuvinha fria, mas no Verão ainda há uma restiazinha de sol, um calorzinho bom, sabe bem caminhar devagarinho. Chegamos ao exagero de dizer que agorinha mesmo vamos sair, mas caludinha, não nos demoramos, vamos depressinha e então até loguinho. É pertinho onde vamos, longinho às vezes. Não estamos nadinha preocu-pados com isto ou com aquilo. Mas então, nadinha.
Chegamos pois ao exagero dos advérbios, das conjunções c até das interjeições em diminutivo. O que é um espanto para os estrangeiros que começam a aprender a nossa língua. Há, porém, limites que, talvez porque somos gente - ou gentinha - muito receosa do ridículo - daquilo que para nós é ridículo, naturalmente - por nada deste mundo ultrapassamos.
É-nos, por exemplo, impossível conhecer os nossos políticos por um diminutivo. Ora isso é frequentíssimo no Novo Mundo. Os irmãos Kennedy eram -são - conhecidos por Jack, Bob e Ted. Cárter1 é Jimmy (Jaiminho).
Nós temos, porém, a nossa noção do ridículo e não podemos ultrapassá-la. Ela é uma das coisas mais duradouras e profundas que, tantas vezes sem o saber, herdámos, conservamos intacta e vamos deixar aos que ficam. Os nossos políticos podem pois estar tranquilos. Por mais que gostemos deles nunca lhes chamaremos Toninho* nem Lourdinhas.

O Jornal, 31 de Outubro de 1979




I

1. A crónica tem um estatuto ambíguo, oscilando entre o registo literário e o jornalístico.
1.1. Identifique essas marcas de hibridez no texto apresentado.
1.2. Caracterize o modo como a cronista trata o fenómeno por ela seleccionado.

2. Considera actual a observação contida no último parágrafo? Justifique.

3. Há duas partes no texto: uma em que a cronista se debruça sobre as regras do uso dos diminutivos e outra em que reflecte sobre uma excepção.
3.1. Delimite-as.
3.2. Verifique se nos exemplos que a cronista apresenta estão presentes todas as classes de palavras a que faz referência. Registe o seu levantamento em colunas: nomes, adjectivos, advérbios, conjunções, interjeições.

4. Leia os dois primeiros parágrafos em voz alta, fazendo regressar as palavras ao seu grau normal. Pondere as modificações de sentido produzidas por essa alteração. Tente defini-las.

5. A cronista dá uma explicação para o uso dos diminutivos.

6. Concorda com as teses da autora? Confronte este fenómeno com o equivalente nas línguas estrangeiras que conhece.


II

1. Embora o sufixo -inho seja o que mais frequentemente se usa na formação dos diminutivos, outros há também muito produtivos. Apresente alguns exemplos.

2. Reescreva os dois primeiros parágrafos do texto fazendo uso de outros sufixos diminutivos; avalie os efeitos produzidos.

3. Observe durante três minutos a caricatura do Zé Povinho e anote os aspectos para si mais relevantes. Organize um plano-guia a partir das suas notas, de modo a fazer uma descrição estruturada da imagem, destacando os processos caricaturais e os sentidos por eles produzidos.

Imagem:Zepovinho.jpg



6.1.07

Mónica


Mónica tinha acordado bem-disposta. Há muito tempo que isso não lhe acontecia. Às vezes, bastava um simples pormenor para ficar contente, a luz clara da manhã, o café a escaldar na chávena de flores vermelhas, a água límpida de Bora Bora na fotografia recortada da revista e colada na parede do quarto, o calor do duche, a voz do locutor a anunciar que são sete horas em Portugal Continental, seis na Madeira e cinco nos Açores. Arrepia-se quando ouve falar nas cinco horas, meu Deus!, o que seria se estivesse agora a levantar-se nos Açores para ir para o Salão Rosário, a escuridão que não deve fazer por lá.
Tem muita pena de não conhecer os Açores. Todas as manhãs sente vontade de lá ir, quando a rádio dá o sinal horário. Na Madeira já esteve algum tempo (...).
Mónica tem às vezes saudades da Madeira e apetece-lhe lá voltar, para ver tudo o que Alfredo Henrique viu e ela não. Mas sobretudo gostava de ir aos
Açores, ver as furnas e as lagoas e os vulcões, que só conhece da televisão e do À Deriva, que ela compra todos os meses. São cinco horas nos Açores. Lá fora, ainda mal amanheceu. Isto porque é quase Verão. Se fosse Inverno, era noite cerrada. Agora com este acertar de horas pela Europa, acordamos de noite e deitamo-nos com o sol a entrar pela janela dentro, pensa.
- Mania da normalização... - diz Mónica, enquanto passa água-de-colónia pelo corpo. - Qualquer dia ainda vamos andar todos carimbados como os frangos e as maçãs.
Não lhe apetece pensar nessas coisas para não estragar a alegria com que acordou. Alegria que nem sabe donde vem. "Alfredo Henrique já deve estar à minha espera", pensa, olhando para o relógio, que põe, apressadamente, no pulso direito.
- Nunca vi ninguém usar o relógio nesse braço - exclamara D. Gilberta, alguns dias depois de ela ter chegado. - É para as pessoas repararem em ti, é?
Calara-se, envergonhada. Depois, com esforço, lá foi dizendo que usava o relógio no braço direito porque se habituara na escola, assim era mais fácil ir vendo o tempo que faltava para entregar os testes, era só olhar para a mão que escrevia.
- Esquisitices do continente - murmurara D. Gilberta.
A verdade é que nunca se habituara a usar o relógio no braço esquerdo, como toda a gente.
Como D. Gilberta.
Como Alfredo Henrique, que já deve ter olhado vezes sem conta para o seu relógio, no braço certo, sentado a uma mesa do café onde, todas, as manhãs, antes, de abrir o stand onde vende automóveis, espera por ela.

Alice Vieira, Caderno de Agosto


I

1. De entre cada grupo de afirmações, assinala a que, segundo o texto, é verdadeira.

1.1. D. Gilberta é:
a. a dona do salão Rosário
b. a mãe de Mónica
c. alguém das relações de Mónica

1.2. Mónica:
a. está em Portugal e já viveu na Madeira
b. não quer voltar à Madeira
c. quer conhecer Bora Bora

2. Selecciona, no terceiro parágrafo, advérbios e/ou locuções adverbiais de:
tempo
lugar

3. O primeiro momento que regista discurso directo contém uma crítica. Esclarece em que consiste.

4. Atenta nas duas frases que dizem respeito ao discurso de D. Gilberta e no parágrafo que está entre elas.
4.1. Este fragmento da narrativa diz respeito a um tempo anterior ao da restante narrativa. Esclarece esta afirmação.
4.2. Faz o levantamento das formas verbais que confirmam a resposta à questão anterior e classifica-as.

II

Com base no texto, elabora um comentário com cerca de sessenta palavras, sobre a frase:

É impossível dominar o pensamento!