2.7.12

Não passarão

Não desesperes, Mãe!
O último triunfo é interdito
Aos heróis que o não são.
Lembra-te do teu grito:
Não passarão!

Não passarão!
Só mesmo se parasse o coração
Que te bate no peito.
ó mesmo se pudesse haver sentido
Entre o sangue vertido
E o sonho desfeito.

Só mesmo se a raiz bebesse em lodo
De traição e de crime.
Só mesmo se não fosse o mundo todo
Que na tua tragédia se redime.

Não passarão!
Arde a seara, mas dum simples grão
Nasce o trigal de novo.
Morrem filhos e filhas da nação,
Não morre um povo!

Não passarão!
Seja qual for a fúria da agressão,
As forças que te querem jugular1
Não poderão passar
Sobre a dor infinita desse não
Que a terra inteira ouviu
E repetiu:
Não passarão!

Miguel Torga. Poesia Completa



1. jugular, extinguir, degolar, decapitar, matar.


I

1. Atenta no título do poema.

1.1. Antecipa o seu sentido, considerando, nomeadamente, o valor do advérbio de negação e do tempo verbal utilizado e a indeterminação do sujeito da frase.

2. A primeira estrofe esclarece o título do poema.

2.1. Comprova a veracidade da afirmação de 2.

2.2. Interpreta o uso da maiúscula utilizada na apóstrofe "Mãe".

2.3. Clarifica o valor do modo verbal utilizado nos versos 1 e 4.

3. Relê, agora, as estrofes dois e três.

3.1. Identifica a anáfora literária aí presente.

3.2. Encontra a forma verbal que está subentendida nessa anáfora.

3.3. Substitui a repetição anafórica por uma conjunção ou locução conjuntiva con­dicional que não altere o sentido dos versos onde aquela aparece.

3.4. Explica o predomínio do modo conjuntivo nestas duas estrofes.

4. Relê a quarta estrofe.

4.1. Indica os dois nomes que aí retomam a apóstrofe "Mãe!" do primeiro verso do poema.

4.2. Explicita o sentido da metáfora presente nos versos 17 e 18.

5. A última estrofe é uma espécie de síntese de tudo quanto atrás foi dito.

5.1. Explica, por palavras tuas, o sentido desses versos.

6. Comenta a importância da repetição do verso "Não passarão!" e do recurso ao encavalgamento na construção do ritmo do poema.

II

Um diário é um texto narrativo orientado, tal como o texto lírico, para a expressão do eu, que se carateriza, entre outros aspetos, pelo uso do discurso na 1.a pessoa.

Num texto que tenha entre cento e vinte e cento e quarenta palavras, faz o registo em forma de diário de acontecimentos que tenhas testemunhado ou de que tenhas sido personagem, num dos dias da passada semana.