2.6.12

O Jardim



Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.

Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.

Um murmúrio de omissões, um cântico de ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis,
É aqui, é aqui que se renova a luz.


António Ramos Rosa



1. «Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas» (v. 1)

1.1 Caracteriza o jardim.

1.2 Identifica as figuras de estilo utilizadas no segundo verso do poema.

2. «Geometria que respira errante e ritmada» (v. 6)

2.1 Transcreve, do poema, todas as expressões que sugerem a existência de formas geométricas no jardim.

3. No poema, evidencia-se a alternância entre a visão objetiva e subjetiva.

3.1 Apresenta exemplos textuais.

4. Relê o último verso.

4.1 Interpreta a expressividade da repetição do deíctico de referência espacial.

4.2Apresenta uma expressão equivalente a «se renova a luz» (v. 15).