23.4.12

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

GRUPO I
A

Lê atentamente o texto que se segue.

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grande navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que veem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Alberto Caeiro


Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.
1. Propõe uma possível explicação para o facto de um dos rios ser nomeado e o outro não.
2. Explicita as diferenças entre os dois rios referenciados.
3. Comenta o verso 6: “Para aqueles que veem em tudo o que lá não está.”
4. Identifica, no texto apresentado, três características da poesia do heterónimo Alberto Caeiro.

B

Em Dicionário de Literatura pode ler-se:

“ (…) Ricardo Reis (…) segue Caeiro no amor da vida rústica, junto da Natureza; mas enquanto o mestre, menos culto e complicado, é um homem franco, alegre, Reis é um ressentido, que severamente se molda a si mesmo; sofre por se saber efémero, (…) aflige-o a imagem antecipada da Morte, conhece a dureza do Fatum; por isso busca o refúgio dum epicurismo temperado de estoicismo (…).”

Jacinto do Prado Coelho, Dicionário de Literatura, vol. 3, 1982, Figueirinhas, Porto


Convoca os conhecimentos adquiridos sobre o heterónimo pessoano referido na citação e, num texto de 80 a 130 palavras, refere-te ao posicionamento que este assume perante a vida e a realidade com que se confronta.


GRUPO II

Lê com atenção o texto.

Álvaro de Campos visto por Ricardo Reis


Em tudo que se diz – poesia ou prosa – há ideia e emoção. A poesia difere da prosa apenas porque escolhe um novo meio exterior, além da palavra, para projetar a ideia em palavras através da emoção. Esse meio é o ritmo, a rima, a estrofe; ou todas, ou duas, ou uma só. Porém menos que uma só não creio que possa ser.
A ideia, ao servir-se da emoção para se exprimir em palavras, contorna e define essa emoção, e o ritmo, ou a rima, ou a estrofe são a projeção desse contorno, a afirmação da ideia através de uma emoção, que, se a ideia a não contornasse, se extravasaria e perderia a própria capacidade de expressão. […]
A poesia é superior à prosa porque exprime, não um grau superior de emoção, mas, por contra, um grau superior do domínio dela, a subordinação do tumulto em que a emoção naturalmente se exprimiria (como verdadeiramente diz Campos) ao ritmo, à rima, à estrofe.

Maria José Lencastre, in O essencial sobre Fernando Pessoa,
INCM (Instituto Nacional Casa da Moeda) – adaptado


1. Identifica as afirmações verdadeiras (V) e as falsas (F).
a) O segmento entre travessões na linha 1 apresenta uma ideia mais genérica do que o que é
referido anteriormente.
b) Em “A poesia difere da prosa…”, o sublinhado corresponde ao complemento oblíquo.
c) A oração “… para projetar a ideia em palavras…” apresenta um valor lógico de finalidade.
d) No segmento “Esse meio é o ritmo, a rima…”, o sublinhado é um exemplo de um deítico.
e) No último parágrafo estabelece-se uma relação de contraste com a ideia primeiramente expressa.
1.1. Converte as afirmações falsas em verdadeiras.

2. Considera as frases:
a) “… ao servir-se da emoção para se exprimir em palavras…”.
b) “… mas, por contra, um grau superior…”.
2.1. Transforma a alínea a) numa oração não finita gerundiva, fazendo as alterações necessárias.
2.2. Substitui o sublinhado na alínea b) por outra expressão equivalente


GRUPO III

“Este mundo rural secular opõe-se claramente ao mundo urbano, marcado por funções, atividades, grupos sociais e paisagens não só distintos mas, mais do que isso, em grande medida construídos "contra" o mundo rural.”

in http://www.estig.ipbeja.pt/~pmmsc/git/rurbanos_2.pdf


Redige uma reflexão, entre 200 e 300 palavras, sobre a importância dos dois espaços referidos
na afirmação.
Para fundamentares o teu ponto de vista, recorre a dois argumentos, ilustrando cada um com
um exemplo