12.4.12

O descobridor da Islândia (I)

O pirata Naddod esfregou os olhos julgando sonhar. Há dias e dias que andava perdido naquele mar de gelo. O vento tinha rasgado a vela, a corrente puxava para norte, sempre para norte, onde sabia muito bem que não havia terra. Só muita perícia lhe permitira escapar ao embate violento com uma verdadeira montanha de gelo flutuante que se deslocava na bruma.
Os homens tremiam de frio, as peles estavam encharcadas e na expressão feroz de cada um bailava agora um receio inconfessável de terminarem assim, sem fama nem glória!
E agora tinham pela frente um jacto de vapor branco, um esguicho altíssimo, como se um monstro soprasse das profundezas do oceano. Baleia não era, pois baleias conheciam eles muito bem...
Alguns companheiros debruçaram-se na amurada, ansiosos. Que raio de coisa tão estranha! Pareceu-lhes também que o ar aquecia e que o próprio mar se tornava mais quente. O barco ia-se aproximando, aproximando...
O nevoeiro dissipou-se e alguém gritou:
- Terra à vista!
A voz, porém, soava perplexa, indecisa. Terra, naquele fim de mundo? Pois era mesmo verdade! Talvez por andarem embarcados há muito, pareceu-lhes a mais linda e apetecível que tinham visitado.
As costas muito recortadas formavam uma imensidade de golfos polvilhados de ilhotas; no solo montanhoso e coberto de neve palpitavam pequenas crateras de vulcão. De uma delas escorria lava, e que lindo era o efeito do fogo derretendo a neve. Formava sulcos, primeiro incandescentes, depois baços e negros por fim. Não faltava água. Rios violentos precipitavam-se lá do alto em cascatas ruidosas.
- Que maravilha! - disse Naddod. - Quero ser o primeiro do grupo a pôr o pé em terra firme.
Mal ele sabia que não era só o primeiro do grupo, mas sim o primeiro homem a desembarcar naquela ilha. De pirata passava a descobridor.
Os companheiros seguiram-no encantados. Juntos deram largas à sua alegria. Depois de matarem a sede numa fonte de águas tépidas, pareciam crianças arremessando uns aos outros grandes bolas de neve.


Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Histórias e Lendas da Europa, Ed. Caminho



Notas:
perícia: habilidade; destreza; prática.
bruma: nevoeiro no mar; cerração.
jacto: saída impetuosa; jorro,
amurada: borda da embarcação.
perplexa: hesitante; duvidosa.
apetecível: desejável.
polvilhados: salpicados (as ilhas assemelhavam-se a pó ou sal espalhados nos golfos).
crateras: aberturas da chaminé de um vulcão.
incandescentes: em brasas.
cascatas: quedas de água por entre rochedos; cachoeiras.
arremessando: atirando com força.



1. De entre cada grupo de afirmações, assinala a que, segundo o texto, é verdadeira.

1.1. Quando Naddod viu a Islândia pela primeira vez:

  1. andava à procura de terra
  2. sentiu medo
  3. pensou que era gelo

1.2. Quando o nevoeiro se dissipou:

  1. viram um monstro
  2. viram terra
  3. descansaram

2. O texto agora apresentado foi retirado da mesma obra e fornece algumas infor­mações sobre a Islândia. Lê-o e coloca as vírgulas que entenderes necessárias.


3. Explica o sentido que atribuis ao segundo parágrafo.

4. Como se poderá explicar a alegria dos homens de Naddod ao desembarcarem na Islândia?

5. Que transformação provocou esta descoberta na vida de Naddod?

6. Que aspectos geográficos sobre a Islândia são referidos no texto?

7. Com base no excerto analisado e também com a ajuda de transcrições, elabora um comentário com cerca de sessenta palavras, sobre a frase:

A sensação da descoberta vivida pelos navegadores!