23.4.12

Chove. Que fiz eu da vida?

GRUPO I
A

Lê atentamente o texto que se segue.

Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim…
De pensada, mal vivida…
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter…

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, ‘stou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!

Fernando Pessoa



Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem.
1. Regista três traços caracterizadores do “eu”, fundamentando-te no texto.
2. Explicita a relação de sentido entre o tempo meteorológico e o estado emocional do sujeito poético.
3. Identifica uma expressão textual que aponte para a fragmentação do “eu”, explicando o seu sentido.
4. Comprova a natureza circular do poema.


B
Num texto entre 80 a 130 palavras, e apoiando-te nos conhecimentos que possuis da obra poética pessoana, comenta a afirmação que se segue.

A nostalgia da infância é um dos temas mais tocantes da poesia de Pessoa ortónimo, que recorda o tempo em que era feliz sem saber que o era.



GRUPO II

A tradicional empatia da nossa inteligência para com a França vem a ter um inesperado auxiliar com as alterações políticas decorrentes da ditadura de João Franco. Entre os exilados por força das suas atividades revolucionárias conta-se Aquilino Ribeiro (1885-1963), jovem publicista que é acolhido como correspondente parisiense da revista Ilustração Portuguesa. Aí dá conta, em alguns artigos, das primeiras exposições do cubismo de Picasso e de Braque, bem como do choque provocado por essas manifestações estéticas.
Se a pintura era então o campo em que mais visivelmente se evidenciava a rutura com os modelos tradicionais de expressão artística, a situação alterar-se-á com o aparecimento do futurismo, cujo manifesto de fundação é publicado no jornal Le Figaro de 20 de fevereiro de 1909. Promovido por F. T. Marinetti, italiano de origem egípcia, residindo em Milão, e que em breve se tornará um globe-trotter do movimento, o manifesto apela a favor de uma arte em consonância com o século XX, a época da eletricidade e do automóvel, cortando de vez com o espírito crepuscular e decadente do simbolismo e recusando-se a olhar para o passado, como pretendem as academias.
O manifesto de Marinetti é publicado em 1909 no Diário dos Açores, sem consequências imediatas.
No entanto, a colaboração de Marinetti no Mercure de France, revista conhecida em Portugal, e os contactos que ele mantém com a Península através da sua revista Poesia (1905-1909) tornam o seu nome familiar nos nossos meios literários.

Nuno Júdice, Viagem Por Um Século de Literatura Portuguesa,
Lisboa, Relógio D’Água Editores, 1997, pp. 44-45 (adaptado)


1. Seleciona a alínea correta, de acordo com as informações textuais.
1.1. Aquilino Ribeiro desenvolveu atividades na revista Ilustração Portuguesa, em França,
a) em virtude do seu espírito revolucionário.
b) em consequência do seu exílio por motivos pessoais.
c) pelo facto de ter sido publicista.
d) em consequência do seu exílio, motivado pelo seu espírito irreverente e pelo regime ditatorial de João Franco.

1.2. Começaram a surgir novas manifestações estéticas, tais como:
a) o cubismo na arte arquitetónica.
b) o futurismo a marcar o corte com a tradição.
c) o futurismo, difundido num manifesto de Picasso e Braque.
d) uma arte que cantava a época da eletricidade e do automóvel


2. Atenta na seguinte frase retirada do texto.

dá conta, em alguns artigos, das primeiras exposições do cubismo de Picasso e de Braque, bem como do choque provocado por essas manifestações estéticas.

2.1. Identifica o tipo de coesão que se verifica em cada um dos casos assinalados a cores diferentes.

3. Há situações em que a mesma palavra, em contextos diferentes, pode ser um anafórico ou um deítico.
3.1. Redige duas frases em que tal se verifique.
3.2. Explicita a diferença entre as duas ocorrências.
3.3. Refere se na frase dada em 2. ocorre a situação apresentada


GRUPO III

As manifestações artísticas são a expressão cultural de uma nação.

Partindo da afirmação, redige uma reflexão, entre 200 e 300 palavras, sobre a importância da arte e suas manifestações para a afirmação da cultura de um país. Para fundamentares o teu ponto de vista, recorre a dois argumentos, ilustrando cada um deles, com pelo menos um exemplo significativo.