17.2.12

As Aventuras de Pinóquio




Para salvar a vida ao cão Alidoro, Pinóquio lança-se à água mas fica preso numa grande rede, no meio de um montão de peixes…
Nesse mesmo momento viu sair da gruta um pescador horrível, mesmo horrível, que parecia um monstro marinho. Em vez de cabelos tinha na cabeça um monte densíssimo de ervas verdes, e verde era também a pele do corpo, os olhos e a própria barba enorme que lhe chegava quase até aos pés. Mais parecia um enorme lagarto hirto andando apenas nas patas de trás.
Quando o pescador acabou de puxar as redes, gritou todo contente:
– Graças a Deus, hoje posso apanhar uma bela pançada de peixe!
“Ainda bem que eu não sou um peixe!”, pensou Pinóquio, retomando um pouco a coragem.
A rede foi puxada para dentro da gruta, escura e cheia de fumo, no meio da qual se via uma grande frigideira com óleo, a qual deitava um cheiro a cera que dificultava a respiração!
– Ora vamos cá a ver que peixes apanhei – exclamou o pescador verde e metendo uma mão enorme, que mais parecia a pá de um padeiro, começou a tirar cá para fora todo o tipo de peixes.
O último a ficar na rede foi o Pinóquio.
Assim que o pescador o tirou, ficou espantadíssimo com aquela maravilha que os seus olhos verdes viam, e gritou quase amedrontado, assustado e curioso:
– Que raça de peixe será este? Ah! Já percebi; deve ser um caranguejo.
Pinóquio, aí, ficou mortificado e zangado por ver que o pescador o confundia com um caranguejo, e disse num tom de ressentimento:
– Mas qual caranguejo, nem meio caranguejo! Olha só como ele me trata! Eu, para sua informação, sou um fantoche!
– Fantoche? – replicou o pescador. – Pois vou ser franco, peixe-fantoche para mim é um peixe novo! Melhor assim! Vou comer-te ainda com mais vontade.
– Comer-me? Mas não percebes que eu não sou um peixe? Não percebes que falo e raciocino como tu?
– Isso é verdade – concordou o pescador – e, como vejo que és um peixe com essas faculdades, devo mostrar por ti o devido respeito.
– E qual será esse devido respeito?
– Como prova de amizade e de estima muito particular, vou deixar-te escolher a forma como queres ser cozinhado. Preferes ser frito na frigideira ou cozido na panela com molho de tomate?


Carlo COLLODI, As Aventuras de Pinóquio,
Tradução de Maria Irene Vieira, Círculo de Leitores (texto adaptado)


I

1. Identifica as personagens do texto.

2. Identifica o tipo de narrador, justificando a tua resposta.

3. Neste texto é descrita uma estranha criatura...
a. Relê o primeiro parágrafo e completa as frases:

Ele viu um pescador _________ que parecia um ___________ marinho. Na cabeça tinha __________ em vez de cabelos. A pele do seu corpo era ________ assim como os ___________ e a barba ______________. Parecia um enorme ____________ .

b. A que animal é comparada essa estranha criatura? Porquê?
c. Completa o esquema com palavras retiradas do primeiro parágrafo:
NOMES
ADJETIVOS
VERBOS

4. Naquele dia a pescaria foi abundante.
a. Quando acabou de puxar as redes, como se sentiu o pescador?
b. O que tencionava fazer com ela?

5. “– Ainda bem que eu não sou um peixe!”
a. Quem tem este pensamento?
b. Classifica esta frase quanto ao tipo e quanto à forma.

6. “O último a ficar na rede foi o Pinóquio.”
a. Que reacções provocou no seu pescador?
b. Com que animal foi confundido?
c. Qual era o destino que o esperava?

7. Arruma no esquema as seguintes formas verbais e escreve-as também no pretérito-mais-que-perfeito:


PRETÉRITO PERFEITO
PRETÉRITO IMPERFEITO
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO

8. Escolhe um dos seguintes temas para a tua composição:
a. O que terá acontecido a seguir? Imagina e escreve as aventuras e desventuras de um pobre fantoche aprisionado.
b. Conta uma situação complicada, vivida por ti.
(O que se passou? Quando se passou? Onde? Quem foram os intervenientes? Qual foi o momento mais difícil? Como é que tudo acabou?)