11.1.12

Três amores na vida

O grande amor nos tempos de glória de José Saramago foi a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Río, que conheceu em 1986, quando ela se deslocou expressamente a Lisboa para o conhecer. O interesse de Pilar despertara numa visita a uma livraria em Sevilha. Deparou com Memorial do Convento. numa estante. O título cativou-a. Comprou e “devorou-o”. Após essa primeira abordagem, Pilar, que então trabalhava para a TVE na Andaluzia, leu tudo o que estava traduzido de Saramago. Ao terminar O Ano da Morte de Ricardo Reis, a jornalista, que afirmou ter sentido "uma comoção muito forte", decidiu deslocar-se a Lisboa.
Saramago reconhece o papel então desempenhado por essa obra junto de Pilar ao dizer em 2002, numa entrevista: "Pelo menos dessa vez toquei no tecto (...) e toquei algo mais (...). Refiro-me a Pilar, claro está..."
O primeiro contacto entre ambos, ocorrido no Hotel Mundial, onde ela se hospedou, aguardando a visita de um homem que imaginara de baixa estatura, deu origem ao intercâmbio de livros e ideias, domínios em que detectaram a existência de grandes afinidades, designadamente de natureza política.
Saramago também a visitou em Espanha. Em 1997 passaram a viver em conjunto e no ano seguinte casaram em Portugal, cerimónia que repetiram em Espanha em 2007, na terra natal de Pilar, Castril.
Esta relação atenuou a estrita reserva mantida até então pelo escritor no que respeita à sua intimidade. A sua filha, Violante, reconheceu em 1999 que Pilar del Río o tornou "mais acessível, mais aberto, mais capaz de derramar os sentimentos." No entanto, o papel que a jornalista espanhola exerceu na vida do escritor ultrapassou em muito esse domínio. O editor brasileiro Luiz Schwarcz sugeriu-o numa frase muito aplaudida que proferiu em 12 de Maio de 2003, perante o casal e numeroso público: "É quase certo que Saramago não seria o que é sem a ajuda de Pilar del Río."
O ano em que Saramago conheceu a jornalista espanhola foi aquele em que se extinguiu a sua precedente relação amorosa, mantida desde 1966 com a escritora Isabel da Nóbrega. Curiosamente, tinha sido precisamente em 1966 que Saramago retomara a carreira literária, depois de uma paragem de 19 anos. E fê-lo não em prosa, mas com poesia - Os Poemas Possíveis.
A solidez e durabilidade da ligação então encetada transparece nas dedicatórias "a Isabel" que figuram em obras publicadas nesse período, designadamente os êxitos editoriais Levantado do Chão e Memorial do Convento. Foi uma "intensa paixão", segundo disse em 1999 Zeferino Coelho, editor e amigo de Saramago. Isabel da Nóbrega era, como disse o crítico de arte e historiador José Augusto França, "filha das chamadas boas famílias". Provinha, assim, de um meio social estranho à vivência e convicções de Saramago. No passar dos anos a relação degradou-se "com o convívio do dia-a-dia", reconheceu Zeferino Coelho. As reedições de obras ocorridas depois do termo da longa ligação amorosa deixaram de incluir as dedicatórias a Isabel.
Mais raras ou inexistentes são as menções feitas pelo próprio e por terceiros à ligação de Saramago com Ilda Reis. Casaram-se em 1944, tinha o futuro escritor 22 anos de idade. Ilda Reis era natural de Lisboa e trabalhava como dactilógrafa da CP, tendo mais tarde tornado-se conhecida como pintora. Divorciaram-se em 1970. A filha de ambos, Violante, único descendente de Saramago, nasceu em 1947 e licenciou-se em Biologia.

Correio da Manhã, 18.06.2010




1. As afirmações apresentadas (de A a G) referem-se a acontecimentos biográficos de José Saramago. Escreve a sequência de letras que corresponde à ordem cronológica desses acontecimentos, do mais antigo ao mais recente.
A. Divorcia-se de Ilda Reis, mãe da sua única filha, Violante.
B. Publica um livro de poesia e apaixona-se por Isabel Nóbrega.
C. Todos reconhecem que Pilar del Rio mudou, para melhor, José Saramago.
D. Conhece Pilar del Rio em Lisboa.
E. José Saramago casa com a jornalista espanhola, em Espanha.
F. José Saramago casa com a jornalista espanhola, em Portugal.
G. Em 1944 contrai matrimónio com a pintora Ilda Reis.


2. Das afirmações seguintes assinala com V as correctas e com F as falsas. Corrige as afirmações falsas.
1) No ano em que morreu José Saramago, Violante completou 63 anos.
2) Saramago e Pilar del Rio casam duas vezes, uma em 1997 e outra em 2007.
3) José Saramago nasceu em 1923.
4) Saramago era um homem de baixa estatura.
5) Zeferino Coelho considera que o grande amor do sogro foi Pilar del Rio.
6) As reedições dos livros de Saramago têm dedicatórias a Isabel da Nóbrega e a Pilar del Rio.
7) A filha de José Saramago, nascida em 1947, é pintora como a mãe.
8) Quando escreveu “Levantado do Chão” vivia com Isabel da Nóbrega.
9) José Saramago foi pai aos 25 anos.
10) O editor de José Saramago divorciou-se em 1970.
11) A relação do prémio Nobel com Isabel da Nóbrega durou 23 anos.
12) Quando Saramago conheceu Pilar del Rio, Violante tinha 40 anos.

3. Na expressão "O primeiro contacto entre ambos, ocorrido no Hotel Mundial..." a quem se refere a palavra «ambos»?

4. "No entanto, o papel que a jornalista espanhola exerceu na vida do escritor ultrapassou em muito esse domínio". A que se refere a expressão «esse domínio»?

5. Escreve, para cada alínea, a forma do verbo apresentado entre parênteses, de acordo com o tempo e o modo indicados.
a) Pretérito perfeito simples do indicativo
A UE (distinguir) alguns Estados-membros pela implementação de boas práticas ambientais.
b) Pretérito imperfeito simples do indicativo
Já em 1993, (haver) instituições preocupadas com o desenvolvimento sustentável.
c) Futuro do indicativo Acreditamos que os jovens (fazer) a diferença.

6. Escreve uma palavra que corresponda a cada alínea, respeitando a classe de palavras identificada em cada coluna. Preenche cada linha de modo que, na horizontal, figurem só palavras da mesma família.