4.1.12

O lugar da mulher por oposição ao do homem

Do homem público
à vida PRIVADA

José Machado Pais

O LUGAR DA MULHER POR OPOSIÇÃO AO DO HOMEM

O espaço público sempre foi gerido maioritariamente por homens. Uma «mulher pública» era, outrora, uma mulher de reputação duvidosa, uma «mulher da vida», uma prostituta. Por isso, quando, em meados do século passado, a mulher burguesa conquista o espaço público da cidade e o direito a passear-se pelas ruas chiques da moda, surgem por toda a Europa, concomitantemente, os projetos de regulamentação da prostituição, com a finalidade de proibir a circulação de prostitutas por esses novos espaços burgueses. (…)
Mas a larga maioria das mulheres sempre viveu presa à sua domesticidade, vinculada à família e à infância. E quando a Revolução Industrial provocou a separação entre a esfera de produção doméstica e a esfera mercantil, à condição de doméstica atribuiu-se uma categorização económica que, sobretudo, vincava a sua suposta inatividade. Ideologicamente, o trabalho apenas aparecia vinculado à produção e somente esse trabalho tinha valor monetário. As estatísticas oficiais ainda hoje consideram as mulheres domésticas como inativas, desvalorizando o seu trabalho intenso e quotidiano, sem o qual seria impossível a sobrevivência de muitas famílias.
A domesticidade das mulheres corresponde, pois, a uma construção social do género feminino, que as tem excluído de pertencerem, em igualdade de condições com os homens, ao espaço público e ao usufruto dos correspondentes direitos de cidadania. A universalização do direito de voto, consagrando-o também às mulheres, ocorreu apenas há menos de um século.
É certo que, a finais deste milénio, a influência das mulheres na política aumentou, mas de forma ainda residual. Por outro lado, continuam a ser cidadãs de segunda no plano laboral e, enquanto trabalhadoras, persistem vítimas de uma sobrecarga de tarefas domésticas – em regime de acumulação, na maior parte dos casos, com as atividades profissionais.
A emancipação das mulheres tem sido uma longa e dura batalha que está para durar. (…)

in Notícias do Milénio, 1999


I

Responda às instruções formuladas, utilizando frases completas e contextualizadas:

1. Atente no título e no subtítulo do excerto.
1.1. Explique o significado que os adjetivos presentes lhe sugerem.
1.2. Apresente um significado da palavra “PRIVADA” associado a negação, exemplificando com uma frase construída por si.
1.3. Expresse a sua opinião relativamente à utilização da palavra “oposição” no subtítulo, tendo em conta o contexto em que surge.

2. Complete as seguintes frases, recorrendo à informação do texto lido.
2.1. Quando a mulher burguesa adquiriu o direito de se movimentar no espaço público, …
2.2. Embora o trabalho doméstico, por tradição atribuído à mulher, seja imprescindível e muito intenso,…
2.3. A necessidade de a mulher que trabalha também se dedicar à vida doméstica impede-a…
2.4. Apesar de terem ocorrido algumas mudanças, a mulher necessita de despender um esforço muito maior do que o homem para intervir no espaço público, uma vez que…
2.5. A luta pela emancipação das mulheres dura há séculos e…

3. Reescreva o primeiro período do texto, iniciando-o por “Os homens…”.

4. Registe, por suas próprias palavras, o significado do período que abre o segundo parágrafo.

5. Atente no início do terceiro parágrafo: “A domesticidade das mulheres corresponde, pois, a uma construção social do género feminino, (…)”.
5.1. Explique a utilização do conector “pois” neste segmento.
5.2. Descreva o processo de formação de palavras implicado na passagem da palavra derivante ‘doméstica’ para ‘domesticidade’.

6. Atente na última frase do texto.
6.1. Explicite o significado atribuído às palavras “dura” e “durar”.
6.2. Explique a expressividade dos dois complexos verbais aí utilizados.

7. Escreva, em cerca de 50-70 palavras, o assunto do texto.

8. Complete o quadro apresentado, seguindo o exemplo:



II

Escreva uma carta de reclamação (com cerca de 150/200 palavras), dirigida a quem de direito, e inspirado(a) no assunto das seguintes propostas:

A. Imagine que se candidatou a um emprego para o lugar de motorista de transportes públicos e foi preterida em relação a um homem que também se candidatara ao mesmo cargo.

B. Imagine que se candidatou a um emprego para o lugar de balconista de uma loja de perfumes/roupa femininos(a) e foi preterido em relação a uma jovem que também se candidatara ao mesmo cargo.