3.1.12

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões



I

1. Logo a partir do primeiro verso, percebemos que estamos na presença de uma defini­ção em que predomina o elemento afetivo.

1.1. Repara na diferença de extensão dos dois termos da definição (1.° termo -"Amor", v. 1; 2.° termo - "é ferida... lealdade.", w. 1 a 11) e diz que conclusão podemos retirar desta desigualdade.

1.2. Transcreve três recursos estilísticos que contribuem para que esta definição seja uma definição poética.

1.3. Explica de que forma os oxímoros e a bipartição dos versos estão de acordo com o tema do poema.

2. Este soneto pode ser dividido em duas partes lógicas.

2.1. Delimita-as.

2.2. Diz, resumidamente, de que consta cada uma delas.

2.3. Salienta o valor do conetor que as separa.

2.4. Explica o recurso à interrogação retórica com que o soneto termina.

II

1. Lê o texto que se segue:

São escassos os dados biográficos conhecidos sobre o poeta Luís Vaz de Camões, expoente maior da cultura e da literatura portuguesas. De ascendência provavelmente nobre e galega, pouco se sabe sobre a sua vivência em Lisboa, junto da corte, onde cedo se tornou célebre pelos seus dons poéticos, bem como pela sua audácia amorosa, supondo-se que tenha cortejado algumas ilustres damas do paço. De concreto, está documentada a participação numa expedição militar ao Norte de África, entre cerca de 1549 e 1551, bem como a sua prisão, em 1552, na sequência de uma rixa com um criado régio. Depois de um ano de encarceramento, com a garantia do perdão da pena, parte para a índia, na armada comandada por Fernão Álvares Cabral. Da sua estada em Goa, há informações autobiográficas que ates­tam ter participado em expedições militares e ter tido, também aí, uma vida desa­fortunada (...). Ainda da permanência no Oriente, onde sofreu um naufrágio que terá supostamente vitimado a sua amada, Dinamene, é de crer que tenha estado em Macau, onde se presume tenha escrito uma parte de Os Lusíadas e alguns dos seus mais pungentes sonetos. (...)

O inexaurível legado literário que nos deixou constitui um dos mais preciosos tesouros da literatura portuguesa. (...)

Célia Vieira e Isabel Rio Novo, Literatura Portuguesa no Mundo, Dicionário Ilustrado, vol. II,

Porto Editora, 2005 (texto com supressões)

1.1. Diz se as afirmações que se seguem são verdadeiras (V), falsas (F) ou não prova­das (NP) tendo em conta a informação fornecida pelo texto.

a. Dinamene é o nome de uma das damas da corte que Camões terá cortejado.

b. Os únicos fatos provados acerca da vida de Camões são a sua participação numa expedição ao Norte de África e a sua prisão em 1552.

c. A armada de Fernão Álvares Cabral foi uma das que partiram para a índia em 1553.

d. Pensa-se que Camões terá escrito uma parte de Os Lusíadas em Macau.

1.2. Respeitando o sentido do texto, une os pares de frases que se seguem com os elementos indicados entre parênteses, evitando as repetições desnecessárias e fazendo as alterações convenientes.

a. Os dados biográficos de Camões são escassos. Podemos apenas supor que Camões terá ascendência nobre e galega, (embora)

b. A vida de Camões em Lisboa não foi fácil. A vida de Camões no Oriente não foi mais afortunada, (se bem que)

c. Camões deixou-nos um inesgotável legado literário. Este legado literário é um dos mais preciosos tesouros da língua portuguesa, (que)