17.12.11

Uma corrida de vassouras



Era uma vez uma bruxa que tinha a mania das alturas. Não gostava nada de viver em cabanas ou cavernas e, por isso, escolheu um guindaste amarelinho e muito alto de onde podia ver tudo à sua volta. Gostava de espreitar para os telhados com as chaminés a deitar fumo, admirar os pombos
a voar e ver os carros e as pessoas lá em baixo nas ruas, tão pequeninos que quase pareciam de brincar. Esta bruxa que se chamava Cornélia era magra e alta. Tinha um gato preto de que gostava muito e alguns morcegos que lhe faziam os recados. Também tinha uma coleção de vassouras que usava conforme as ocasiões: uma que voava muito alto, outra muito depressa, outra que aguentava pouco peso e outra ainda que tornava invisível quem a usasse.
Ora, Cornélia tinha uma prima, a bruxa Tarancula, que era gorda e baixa e também gostava das alturas, mas preferia viver à beira do rio. Esta bruxa instalou-se num guindaste no Cais da Rocha, pois daí tinha uma bela vista para a ponte e para a outra banda do rio Tejo. Tarancula não usava vassouras, mas sim um barco voador em forma de crocodilo e uma boia mágica que era uma jiboia disfarçada.
Um dia, a bruxa Cornélia desafiou a prima para fazerem uma corrida de vassouras até ao Castelo de S. Jorge. Como era muito esperta e marota, emprestou a vassoura que não aguentava pesos à bruxa Tarancula. Esta apanhou o maior susto da sua vida, pois a vassoura partiu-se a meio da viagem e ela foi aterrar mesmo em cima da estátua de D. José, no Terreiro do Paço.
Uns dias mais tarde, foi a vez de a bruxa Tarancula convidar Cornélia para dar um passeio no barco crocodilo chamado Nilo. (...)
O barco ia tão pesado que começou a balançar perigosamente. E o gato ficou tão enjoado que se lançou borda fora. A bruxa Cornélia foi atrás dele, mas, como não sabia nadar, estava já a afogar-se quando a prima lhe atirou a boia jiboia que a trouxe de volta ao barco juntamente com o gato.
O susto foi grande porque a jiboia apertava com muita força. Mas, como estavam todos salvos, fizeram as pazes, arrependeram-se das partidas que tinham pregado uma à outra e deram grandes abraços.

Nicha Alvim, Uma corrida de vassouras



1. Que local escolheu a bruxa Cornélia para viver? Porquê?

2. Quais as características da sua coleção de vassouras?

3. Que desafio propôs a bruxa Cornélia à bruxa Tarancula?
3.1. Qual era o seu objetivo?
3.2. Conseguiu concretizá-lo? Justifica.

4. Como reagiu a bruxa Tarancula?

5. Qual é a moral desta história, na tua opinião?

6. Transcreve do texto uma frase que indique:
a. quando decorre a ação
b. onde decorre a ação
c. que o narrador é não participante

II

Faz o reconto (entre 15 a 25 linhas) das últimas férias que passaste com os teus pais.
No teu reconto deverás indicar: para onde foste, como foste e com quem foste; uma situação engraçada ou estranha que se tenha passado; o que fizeste para ocupares os teus tempos livres.

Não te esqueças:
• de ser rigoroso quanto à construção frásica, ortografia e caligrafia;
• de organizar devidamente a informação.