21.11.11

Sermão da Sexagésima



«Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo pode proceder de um dos três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. Para uma alma se converter por meio de um sermão há-de haver três concursos: há-de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há-de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há-de concorrer Deus com a graça, alumiando. Para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três cousas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz; há mister espelho e há mister olhos. Que cousa é a conversão de uma alma senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, é necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos que é o conhecimento. Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?»


P. António Vieira, Sermão da Sexagésima



1. Por que razão não faz fruto a palavra de Deus? (3 razões possíveis)

2. Os deveres de cada um:
a) O pregador…
b) O ouvinte …
c) Deus …

3. O que é a conversão da alma?

4. O que é necessário para que alguém se veja a si mesmo?

5. Para a conversão das almas é, então, necessário que … (3 aspectos)

6. Qual é a conclusão deste excerto?