17.10.11

Retrato / Auto-retrato

"Magro, de olhos azuis, carão moreno",
como o poeta se auto-retratou e como o pintor (Elói) o viu


Magro, de olhos azuis, carão moreno,
bem servido de pés, meão na altura,
triste de facha, o mesmo de figura,
nariz alto no meio e não pequeno.

Incapaz de assistir num só terreno,
mais propenso ao furor do que à ternura,
bebendo em níveas mãos por taça escura
de zelos infernais letal veneno.

Devoto incensador de mil deidades
(digo, de moças mil) num só momento
e somente no altar amando os frades,

eis Bocage, em quem luz algum talento.
Saíram dele mesmo estas verdades
num dia em que se achou mais pachorrento.

Bocage


1. Delimita, no soneto de Bocage, a apresentação das suas características:
- físicas;
- psicológicas;
- ideológico-afectivas.

2. Demonstra que o auto-retrato físico do sujeito poético se aproxima da caricatura.

3. Relê a segunda e a terceira estrofes do poema.
3.1. Transcreve do poema o(s) verso(s) que exprimem, em relação ao eu poético:
- a incapacidade de se fixar;
- o temperamento arrebatador;
- a inconstância no amor;
- o seu suposto anticlericalismo.

3.2. Relaciona o sentido dos dois primeiros versos do primeiro terceto com o do primeiro verso da segunda quadra.

4. De que forma o último terceto atesta a autenticidade do auto-retrato apresentado?

5. Indica as principais características formais do poema.