25.9.11

Dario

Dario era um menino igual a todos os outros meninos: cabelos castanhos e finos; carita magra, áspera, queimada do sol e do vento; olhos negros e grandes com duas meninas a mexer lá dentro; corpito delgado e fino como um pinheiro novo; mexido e vivo como uma bola de futebol no jogo.
Gostava de pássaros, de peixes, de cachorros, de ovelhas e de bois.
Morava à beira do rio, no bairro novo, mas conhecia de cor todos os cantos da vila. Em toda a parte tinha amigos com quem jogava o pião, a bilharda, a bola, as caricas, ao mata; com quem tomava banho de manhã nas águas limpas do rio, ou à tarde no ribeiro das rãs de grandes olhos redondos, curiosos. No tempo das vindimas iam pelos campos colher as pernadas das uvas maduras que os vindimadores deixavam nas vinhas. Conversavam muito e por isso sabiam coisas do arco da velha. Conheciam todos os ninhos dos galhos, todas as histórias da ponte da Pinoca e todas as façanhas do burrinho Prim que bebia vinho. Falavam com as andorinhas que chegavam, com as que partiam e com os borrachinhos quase rebentados que apanhavam do chão em dias de vento.
E subiam a encosta para olhar a vila cheia de cor a brilhar ao sol como um postal ilustrado.
Na terra de Dario as pessoas gostavam de ver água e construíam as casas à beira do rio e voltadas para ele como lavadeiras de pés na margem.
Por cima dos telhados muito vermelhos subia a torre da igreja, com quatro sinos de bronze que faziam barulho doido nos dias de festa. As casas eram todas pintadas de cores claras e alegres e nas ruas frescas e asseadas havia aromas de eucalipto, de flores e de verdura. Nas varandas das janelas, as sardinheiras e os chorões, de raízes enterradas nos vasos, desfaziam-se em flores pelos muros abaixo. Cada porta tinha à entrada uma roseira vermelha ou uma latada verde cheia de passarinhos tontos a chilrear.
As pessoas conheciam-se umas às outras, paravam a cumprimentar-se e tinham um ar contente nos olhos.
Quando Dario chegava ao alto da encosta e olhava a sua terra refletida no rio, dizia com orgulho para os amigos:
— Eh pá, que linda! Toda metidinha na água de cabeça para baixo…
— E também de cabeça para cima. Ora vejam! — dizia o Quim. — Até parecem duas, agarradas pelos pés.
Vejam! Vejam lá!…

MARIA NATÁLIA MIRANDA, Dario, Sol nos Olhos Pés no Rio, Didáctica Editora, 1988




Depois de teres lido atentamente o texto «Dario», assinala como verdadeiras (V) ou falsas (F) as frases seguintes. Sempre que assinalares como falsa uma determinada afirmação, reescreve-a, tornando-a verdadeira.

A — Dario era um menino diferente de outros meninos.
B — Fisicamente era franzino mas muito calmo.
C — Dario gostava de animais.
D — Dario morava no Bairro Novo mas conhecia de cor todos os cantos da aldeia.
E — Eram poucos os amigos com quem Dario gostava de brincar.
F — Tomava banho ou nas águas límpidas do rio ou no ribeiro dos sapos.
G — No tempo das vindimas ia pelos campos apanhar as pernadas de uvas maduras que os vindimadores tinham deixado para trás.
H — Dario e os amigos conversavam muito mas não sabiam coisas interessantes.
I — Na terra de Dario a criançada tinha muito contacto com a Natureza.
J — A rapaziada não admirava o local onde vivia.
K — Naquela terra as pessoas tinham construído as casas no topo da encosta, bem longe da água.
L — Naquela localidade, as ruas eram limpas e no ar sentiam-se diferentes aromas.
M — Do alto da encosta só algumas casas estavam refletidas no rio.
N — As pessoas conheciam-se bem, por isso cumprimentavam-se e falavam umas com as outras.
O — Dario refere que a sua terra estava toda metidinha na água de cabeça para baixo porque tinha havido uma inundação.