15.7.11

Férias

Férias – Palavra Mágica

Falta uma semana para as aulas terminarem. Na escola as conversas giram sempre sobre essa palavra que parece mágica: férias!
Fala-se da praia, da cidade, de Lisboa, do Algarve...
Eu e o Nicolau já sabemos o que nos espera.
As nossas férias vão ser no Pragal, a trabalhar, indo uma vez por outra a uma festa ver dançar os ranchos folclóricos, ouvir tocar uma banda de música ou um conjunto, entrar na procissão e, à noite, admirar o fogo-de-artífício: é tão lindo ver como os homens conseguem transformar a pólvora em alegria!
Esta tarde, o Nicolau e eu sentámo-nos à sombra de um pinheiro a conversar.
– Se passar de ano, o que duvido muito, não vou estudar mais – disse o Nicolau. – Sabes como é a nossa vida lá em casa... Não temos dinheiro e, além disso, faço muita falta em casa. Meus pais estão a ficar cada vez mais cansados, e os meus irmãos têm a vida deles, e vivem longe daqui. Também não percebo muito bem porque nasci quando os meus cinco irmãos estavam crescidos... Já viste?! É tão esquisito ter sobrinhos
mais velhos que o tio... Que coisa mais tola!
– Acho piada, Nicolau!
– Ah, sim? É uma piada de todo o tamanho! Toda a gente acha muita piada, é tudo muito engraçado. Mas eu não acho piada nenhuma, detesto esta situação. Ah, como eu me aborreço quando os meus irmãos aparecem aí e começam a brincar comigo, como se eu fosse um filhote deles. Acham um piadão terem um irmão serôdio!... Estou farto! Que raiva!
– Não gostaste de andar na escola?
– Para dizer a verdade, não. Já viste? Andámos ali aquele tempo todo com a mochila às costas e sentimos que aquilo pouco nos disse. É tudo tão diferente da nossa vida, do nosso dia a dia. Aprendemos coisas que não nos dizem nada, que não nos entusiasmaram. Como é que podíamos ser bons alunos se nem sequer temos condições para estudar em casa!...
E depois eu não tenho feitio para estar sentado a ver as horas a correr, suspirando pelas férias do Natal, pelas férias do Carnaval, pelas férias da Páscoa, pelas férias grandes, sabendo que o meu pai anda aí a trabalhar, manque-que-manque, com as pernas cheias de varizes, a carregar molhos às costas! É tudo muito complicado.
– O melhor da escola era a cantina, não era, Nicolau?
– Era! Gostava daquela comida, pelo menos diferente da que comemos em casa. Ah! Que revolta me dava quando via certos meninos mimados porem a comida de lado, cheios de nojo, a fazer caretas... De resto, pouco mais me deixa saudades!
– Nem as medalhas?
– Essas sim. Lembras-te daquela alegria toda quando eu ganhei a corrida?! Tu, coitadito, ficaste em décimo, mas já não foi mau... Dei mais de duzentos metros de avanço ao segundo! Que alegria! Tenho a medalha no meu quarto por cima da cama, mas não digas isto a ninguém, vê lá!...

António Mota, Pedro Alecrim, Edinter Jovem




I

Férias – Palavra Mágica
(Texto A)

1. “Na escola as conversas giram sempre (…)”
1.1. Indica a obra da qual foi retirado este texto.
1.2. É a última semana de aulas e os alunos já não falam do TPC, da ficha de avaliação que falta fazer…
Explica, por palavras tuas, o 2.o período do 1.o parágrafo.
1.3. Indica o tipo de narrador presente no texto e justifica a tua opção.
1.3.1 Transcreve uma frase na qual a presença deste tipo de narrador seja evidente.

2. Os colegas do narrador e do Nicolau mencionam alguns possíveis lugares para passarem as férias.
Regista-os.

3. Explica como vão ser as férias dos dois amigos na aldeia do Pragal.

4. O Nicolau afirma que não vai continuar a estudar. Porquê?

5. “Não gostaste de andar na escola?”
5.1. Além de não gostar muito de andar na escola, o Nicolau ainda tinha outro problema. Qual era?

6. O Nicolau preocupava-se com o pai. Refere as dificuldades do pai do Nicolau.

7. Na conversa sobre a cantina, percebemos atitudes diferentes em relação à comida que aí é servida,
por parte de dois grupos diferentes de alunos.
7.1. Como reagiam estes dois amigos ao almoço da cantina? Gostavam?
7.2. O que sentia o narrador, ao ver alguns meninos a não comerem e ainda a mostrarem-se enjoados com a comida?

8. Tinha havido um outro aspeto na escola, que, verdadeiramente, tinha entusiasmado o Nicolau. Explica esta afirmação.

Férias numa Caravana
(Texto B)

9. No ponto de vista desta família, a autocaravana apresenta muitas vantagens, como opção de férias. De acordo com a tua leitura deste artigo, completa o quadro.

A - TÓPICOS DO ARTIGO
a) Fácil transporte da bagagem
b) Liberdade para escolher lugares
c) Uma casa sobre rodas
d) Férias de verão
e) Fins de semana
f) Opção económica
g) Proximidade entre a família

B - RESUMO DA INFORMAÇÃO POR PALAVRAS TUAS

10. O Hugo, que é o mais novo da família, está sempre pronto para partir. Mas, mesmo assim, há uma parte que ele não aprecia. Qual é?


II

(Textos A e B)
1. Repara nas seguintes frases. Regista e identifica o tipo de sujeito de cada uma delas. Segue o exemplo.
a) “Eu e o Nicolau já sabemos o que nos espera.”
b) “não vou estudar mais.”
c) “Meus pais estão a ficar cada vez mais cansados.”
d) “Gosto muito de viajar assim,”
e) “Os meus pais e os meus irmãos pensam que sou sempre pequeno.”
Ex.: a) Eu e o Nicolau – sujeito composto.

2. Sublinha a azul os determinantes e a vermelho os pronomes que se encontram nas seguintes frases.
a) As minhas férias vão ser no Pragal e as vossas?
b) Esta tarde, o Nicolau e eu sentamo-nos a conversar, mas, daquela vez que nos zangamos, fomos embora.
c) Eu gostava de participar nas nossas atividades de Educação Física.
d) – Essas sim! Lembras-te de eu ganhar uma corrida?

2. “as conversas giram sobre essa palavra que parece mágica: férias!”
2.1. Organiza um campo lexical, a partir da palavra “férias”.

3. Estudaste dois processos irregulares de formação de palavras, como as que se seguem, destacadas nas frases. Identifica cada uma delas.
a) “temos tudo o que precisamos: casa de banho (…) leitor de DVD…” (texto B)
b) Quando era novo, o pai do Nicolau gostaria de ter ido para a GNR, mas não conseguiu.
c) A mãe do Nicolau acorda com o có-có-ró-có do galo de crista encarnada.

4. Sublinha os quantificadores numerais presentes nas seguintes frases.
a) “Pelo menos é o que pensa o André de 14 anos.”
b) “Dei mais de duzentos metros de avanço.”
c) A família Batista gasta um terço do dinheiro, indo de caravana para férias.
d) Os hotéis ficam pelo triplo do preço, na época alta.

5. Identifica as subclasses dos advérbios nas seguintes frases:
1. “não vou estudar”
2. “Dei mais de duzentos metros”
3. Não temos dinheiro
4. Assim, as férias são muito económicas
5. As férias são tão desejadas
6. – Sim, gosta da caravana (Hugo)

6. O Nicolau mostrou as medalhas aos sobrinhos.
6.1. Indica os constituintes principais da frase acima transcrita.
6.2. Indica, agora, as funções sintáticas presentes na mesma frase.

III

Tema 1 – “Na escola as conversas giram sempre sobre essa palavra que parece mágica: férias!”
Escreve um texto, no qual fales das conversas que “giram” à volta das férias. Vamos dar-te algumas ideias.
a) A quem ouves falar de férias?
Na televisão, nas aulas; no recreio; na casa de amigos…
b) Com quem falas de férias?
Com os teus colegas; com os teus melhores amigos; com os teus pais e irmãos.
c) É bom sonhar com férias?
Imagina que vais a lugares de que ouves falar; que vais andar de transportes de que tu gostas; carro, avião, barco; teleférico…

Tema 2 – Neste texto, vais falar das férias que tu gostarias muito de ter. Imagina que te aparece uma fada das histórias com uma varinha de condão e te diz: – Tudo o que desejares se realizará!”