21.6.11

Mistério decifrado



O Álvaro obedeceu, retirou a mão que mantinha sobre o "rato". Então, o Tio murmurou:
- Duas vezes na terceira. Hmmm... só pode ser...
E levou a seta do "rato" à terceira ameia a contar da esquerda e fez "clique" duas vezes... e logo se abriu um quadrado no cenário. Todos batemos palmas.

Escreva a nova palavra-chave e carregue na tecla de execução.
(...)

Rapidamente, escreveu a palavra "Benfica" e carregou na tecla de execução.
De repente, o monitor ficou todo negro, depois ficou azul e começou a aparecer um texto em letras brancas:
Assalto à sede do Banco Sequeira Pinto no Porto. Por favor, entregar COMA MAIOR URGÊNCIA estes dados à Polícia Judiciária. Os dados foram-me confiados pelo agente Luís Ferreira antes de ser alvejado pelos assaltantes.
O Tio João soltou um longo assobio - longo mas um bocado fanhoso, porque não sabe assobiar muito bem. E a seguir apareceu uma palavra: Gás. E depois uma série de números e letras, que me pareceram fórmulas químicas e que eu não entendi. E a seguir vinha uma lista de nomes de pessoas. Eram todos nomes de homens, uns portugueses e outros estrangeiros. No fim, havia uma frase: Para sair, carregue nas teclas ALT+S.
Nós estávamos todos calados, com os olhos fixos no monitor, como se estivessem hipnotizados. Passado um momento, o Tio João murmurou:
- Então, era isto. A fórmula do gás desconhecido que adormeceu toda a gente no Banco e os nomes dos membros da quadrilha.
E eu acrescentei: - O tal agente Luís Ferreira era o amigo do Sr. Garcia. Com certeza, antes de ser abatido conseguiu entregar-lhe esta informação...
- É isso mesmo, Carlos. Por uma razão que ainda desconhecemos mas que não é difícil de adivinhar, esse agente entregou ao seu amigo Garcia os dados que permitem deitar a mão aos bandidos. Muito provavelmente, como estava infiltrado na quadrilha, o que aconteceu foi que os outros, a certa altura, descobriram que ele não era um seu "camarada" e sim um polícia disfarçado e então...
(...)
Calou-se de repente e levantou-se.
- Mas estou para aqui a falar e o tempo urge. É preciso avisar a Judiciária. Vou telefonar para Lisboa.

João Aguiar, O Jogo Misterioso, Ed. ASA


Notas:
murmurou: disse em voz baixa (outros verbos caracterizadores do discurso directo: dizer, responder, segredar, retorquir, inquirir, gritar, berrar, observar...).
ameia: abertura no alto da muralha de uma fortificação com o objectivo de avistar o inimigo.
monitor: ecrã.
fanhoso: roufenho; que fala como se tivesse o nariz tapado.
hipnotizados: sem vontade própria.
urge: requer pressa; aperta.




1. De entre cada grupo de afirmações, assinala a que, segundo o texto, é verdadeira.

1.1. O nome do narrador é:

  1. Carlos
  2. Álvaro
  3. Luís Ferreira

1.2. Ao todo, as personagens são:

  1. Três
  2. Cinco
  3. em número indeterminado

2. Faz o levantamento das palavras ou expressões que te permitem saber que as personagens estão a jogar um jogo num computador

3. O que se passou de extraordinário no jogo?

4. Indica quais as personagens intervenientes na acção do texto.

5. O que aconteceu ao agente infiltrado?

6. Arquitecta uma explicação que relacione o Sr. Garcia com o jogo que foi parar às mãos do tio João e dos sobrinhos.

7., Com base no excerto analisado, elabora um comentário com cerca de sessenta palavras, sobre a seguinte afirmação:

O agente Ferreira e o seu amigo Garcia foram bastante engenhosos.