1.6.11

Frei Luís de Sousa


I - Recorda as características do texto dramático, resolvendo a atividade seguinte.

1. Completa as frases, selecionando, na caixa, as expressões/palavras, que melhor se adequam à definição apresentada.

dramaturgo / representação /didascálias / cenários / itálico / tempo / principal / parentéticas / réplicas / espaços / secundário / cena / diálogo / personagens / ato / encenador / cenário

a) A descrição é apagada no texto dramático, uma vez que os ________ cumprem essa função.

b) No texto dramático, as ________ surgem destacadas do texto ________. Estão normalmente em ________ ou são apresentadas como frases ________, cons­tituindo o texto ________.

c) As falas ou ________ das personagens fazem parte do texto principal.

d) Tanto o ________ como os ________ são mais concentrados.

e) A mudança de ________ implica, normalmente, a mudança de ________.

f) A entrada de uma nova personagem origina uma mudança de _________.

g) Como o fim do texto dramático é a ___________, verifica-se o predomínio do __________.

h) Na representação têm papel fundamental o ___________ e as ___________. São eles quem dão vida ao texto criado pelo ________.


2. Apela, agora, à leitura e marcas de Frei Luís de Sousa e assinala as alíneas como verdadeiras (V) ou falsas (F).

a) O texto dramático garrettiano é uma tragédia clássica.

b) A tragédia é escrita em verso.

c) As personagens da obra de Garrett são todas nobres,

d) O conflito é originado pelo desaparecimento de Manuel de Sousa Coutinho.

e) A chegada de um romeiro desencadeará toda a desgraça.

f) A solução encontrada pelos dois esposos era a mais adequada perante a ilegitimidade do seu casamento.


II - Lê, agora, o excerto selecionado de Frei Luís de Sousa.

Madalena, Telmo e Maria

MARIA (Entrando com umas flores na mão, encontra-se com Telmo, e o f az tornar para cena.) - Bonito! Eu há mais de meia hora no eirado passeando - e sentada a olhar para o rio e a ver as faluas e os ber­gantins1 que andam para baixo e para cima - e já aborrecida de esperar. . . e o Senhor Telmo aqui posto a conversar com a minha mãe, sem se importar de mim! Que é do romance que me prometeste? Não é o da batalha, não é o que diz: "Postos estão, frente a frente, os dois valorosos campos": é o outro, é o da ilha encoberta onde está el-rei D. Sebastião, que não morreu e que há de vir um dia de névoa muito cerrada2... Que ele não morreu; não é assim, minha mãe?

MADALENA - Minha querida filha, tu dizes coisas! Pois não tens ouvido a teu tio Frei Jorge e a teu tio Lopo de Sousa contar tantas vezes como aquilo foi? O povo, coitado, imagina essas quimeras para se consolar na desgraça.

MARIA - Voz do povo, voz de Deus, minha senhora mãe: eles que andam tão crentes nisto, alguma coisa há de ser. Mas ora o que me dá que pensar é ver que, tirando aqui o meu bom velho Telmo (Chega-se toda para ele, acarinhando-o.), ninguém nesta casa gosta de ouvir falar em que escapasse o nosso bravo rei, o nosso santo rei D. Sebastião. Meu pai, que é tão bom português, que não pode sofrer estes castelhanos, e que até às vezes dizem que é de mais o que ele faz e o que ele fala, em ouvindo duvidar da morte do meu querido rei D. Sebastião... ninguém tal há de dizer, mas põe -se logo outro, muda de semblante, fica pensativo e carrancudo: parece que o vinha afrontar, se vol­tasse, o pobre do rei. Ó minha mãe, pois ele não é por D. Filipe; não é, não?

MADALENA - Minha querida Maria, que tu hás de estar sempre a imaginar nessas coisas, que são tão pouco para a tua idade! Isso é o que nos aflige, a teu pai e a mini: queria-te ver mais alegre, fol­gar3 mais, e com coisas menos. . .

MARIA - Então, minha mãe, então! Vêem, vêem?... também minha mãe não gosta. Oh! essa ainda é pior, que se aflige, chora. . . ela aí está a chorar. . . (Vai-se abraçar com a mãe, que chora.) Minha que­rida mãe, ora pois então! Vai-te embora, Telmo, vai-te: não quero mais falar, nem ouvir falar de tal batalha, nem de tais histórias, nem de coisa nenhuma dessas. Minha querida mãe!

TELMO - E é assim: não se fala mais nisso. E eu vou-me embora. (À parte, indo-se depois de lhe tomar as mãos.) Que febre que ela tem hoje, meu Deus! queimam-lhe as mãos. . . e aquelas rosetas4 nas faces. . . Se o perceberá a pobre da mãe!


Notas:

1 Embarcações: a primei­ra, era usada no Tejo e assemelhava-se a uma fragata à vela; a segun­da, era à vela e a remo, esguia e veloz, com um ou dois mastros de galé e 8 a 10 bancos para os remadores.

2 A crença popular era a de que D. Sebastião não teria morrido e regres­saria numa manhã de muito nevoeiro.

3 Divertir, distrair.

4 As manchas avermelha­das eram características da tuberculose.


1. O excerto pode inserir-se dentro da vertente sebastianista para que a obra garrettiana remete.

1.1. Comprova a veracidade da afirmação anterior.

1.2. Situa externa e internamente o excerto transcrito.

1.3. Salienta a importância desta passagem textual para o adensamento do clima trágico.


2. Maria assume nesta cena um papel de destaque.

2.1. Traça o seu retrato, atendendo às suas intervenções.

2.2. Descodifica a intenção subjacente ao tratamento por "Senhor Telmo".

2.3. Indica quem orientou Maria para a questão sebástica bem como as razões para tal atitude.


3. D. Madalena tenta demover Maria das certezas que esta diz ter.

3.1. Explica as razões dessa atitude.

3.2. Indica dois dos argumentos usados para contrariar as certezas de Maria.

3.3. Estabelece aproximações entre o papel de Maria nesta cena e o de Telmo junto de D. Mada­lena nas cenas anteriores.