4.5.11

O leão e o rato



Um leão estava a dormir no seu covil em certa tarde de verão, quando um rato lhe passou por cima do focinho e o acordou. O leão rosnou furioso e já ia esmagar o rato com a pata enorme quando:
— Oh, poupai-me, senhor — guinchou o rato. — Na verdade eu não mereço ser morto. Não vos fiz mal… e também não presto para comer.
O leão tornou a rugir, ensonado.
— Além disso — continuou o rato, — se me poupardes agora, talvez um dia possa fazer qualquer coisa por vós.
O leão rugiu uma enorme gargalhada, mas levantou a pata e o rato escapou-se a correr.
Passado algum tempo, o leão andava a caçar na floresta quando caiu numa ratoeira. Os caçadores tinham estendido uma grossa corda ligada a uma rede, no caminho por onde o leão costumava passar, de maneira que, quando o leão tropeçou na corda, a rede caiu-lhe em cima e fechou -se, deixando-o preso até ao dia seguinte.
O leão deu voltas e sacudiu-se, e arranhou e mordeu a rede, mas quanto mais lutava mais preso ficava nela. Por fim não podia nem mexer -se. Sem qualquer esperança de fuga, começou a rugir, e a sua voz ecoou em todos os recantos da floresta.
Mas aconteceu que o rato também saíra para caçar nessa noite. É claro que depressa reconheceu a voz do leão e correu logo para o sítio onde ele estava. E vendo o que se passava, disse:
— Não vos preocupeis, senhor, eu tiro-vos daí num instante. — Começou a roer e a mordiscar as grossas malhas de rede. Passado pouco tempo, o leão já tinha as patas da frente de fora; depois, a cabeça; a seguir, as patas traseiras; por fim a cauda.
O rato tinha feito qualquer coisa pelo grande leão, conforme prometera. De facto salvou-lhe a vida.

Fábulas de Esopo, versão de Ricardo Alberty, Verbo


I

1.Faz corresponder os acontecimentos às partes que constituem esta narrativa.

Parte da narrativa
1. Situação inicial
2. Problema
3. Peripécias
4. Desenlace

Acontecimento
a. O rato salvou o leão de morte certa.
b. Numa tarde de verão.
c. O rato acordou o leão.
d. O rato soltou o leão.
e. O leão soltou o rato.
f. O leão ficou preso numa armadilha e não conseguia soltar-se.
g. O leão dormia.
h. O rato implorou ao leão que não o matasse pois, poderia, um dia, vir a necessitar da sua ajuda.

2. Como reagiu o leão quando foi acordado pelo rato?

3. Enumera as razões que o rato dá ao leão para que não o mate.

4. Por que razão o leão deu uma gargalhada ao ouvir estas razões?

5. Que situação permitiu ao rato provar ao leão que poderia precisar dele?

6. Transcreve do texto a frase que prova que o leão não se conseguiu soltar sozinho.

7. Comprova que o narrador é um narrador não participante.

8. Localiza a ação no tempo e no espaço.

9. Dos três provérbios que se seguem, apenas três poderiam servir de moral à fábula.
Identifica-os.
a. As aparências iludem.
b. Vozes de burro não chegam ao céu.
c. Faz bem e não olhes a quem.
d. Devagar se vai ao longe.
e. O prometido é devido.

9.1. Seleciona um dos provérbios para responder à pergunta 12. e explica por que motivo se aplica à fábula.

II

Após ter soltado o leão, o rato decidiu escrever ao seu primo que vive no campo a contarlhe
o que lhe tinha acontecido, de que forma salvou o leão e a lição que lhe ensinou.
– Redige o email (entre 15 a 20 linhas) que o rato terá escrito ao seu primo.
Não te esqueças de:
• organizar devidamente as ideias;
• ser cuidadoso ao nível da caligrafia, ortografia, acentuação e pontuação;
• ser cuidadoso ao nível da construção frásica e do vocabulário usado.