19.5.11

José Mourinho em entrevista

1. Lê a entrevista.


José Mourinho em entrevista «Não quero um Ferrari e uma quinta. Quero a alegria e ser reconhecido », diz José Mouri nho que nasceu a 20 metros do estádio do Bonfim, aprendeu a andar no relvado do estádio do Setúbal, jogou à bola com o pai (o antigo guarda redes Félix Mourinho), a quem disse que queria ser treinador de futebol. A ambição, extraordinária, é da medida do seu talento. Ninguém duvida que a carreira, a procissão, ainda vai no adro.
por Anabela Mota Ribeiro


Selecções do Reader`s Digest (SRD): Formou-se no ISEF aos 24 anos e completou um curso para treinadores na Escócia. Não é muito comum no mundo do futebol esta preocupação com a instrução.
José Mourinho (JM): Sempre existiu em mim a ambição de me licenciar, independentemente da minha vocação. Talvez influenciado pela minha família: «Não sabes qual vai ser o teu futuro no futebol, pelo menos constrói algo sólido».
SRD: Havia essa preocupação?
JM: Havia. O meu pai esteve a vida toda ligado ao futebol com todas as dificuldades inerentes ao mesmo. Se eu tivesse sido mal sucedido nesta minha aposta, como treinador, na pior das hipóteses era professor de educação física. Paralelamente a esta preocupação, sabia o que aquilo me podia dar. Tenho uma máxima, que não é minha, mas que ouvi em qualquer lado e que guardei para mim: «Um treinador de futebol que só sabe de futebol é um péssimo treinador de futebol.
SRD: De que outras coisas tem de saber?
JM: De tudo. Há áreas científicas que nos podem ajudar no nosso trabalho, nomeadamente psicologia, pedagogia, fisiologia. Posso falar com o meu departamento médico sobre lesões, músculos, biomecânica, teoria do treino. São temas que domino. Dominar as competências psicológicas, é fundamental. Pode fazer a diferença.
(…)
SRD: Aos 15 anos teve a noção de que queria ser treinador. E essa noção era acompanhada de uma outra: a de que dificilmente seria um jogador de exceção.
JM: Sim.
SRD: Ora o que queria para si era justamente a exceção. Porquê?
JM: Como qualquer miúdo, cresci a adorar jogar. Não posso dizer que não era um miúdo com talento. No meu grupo de amigos, era dos mais talentosos. Mas a via académica exigia-me responsabilidades, tive de fazer as minhas escolhas. Senti que não valia a pena arriscar porque as possibilidades de sucesso não eram grandes.
SRD: Isso é que é a coisa extraordinária: ter tido essa lucidez aos 15 anos.
JM: Sabia das minhas limitações e das minhas qualidades. O meu skill não era melhor do que o skill dos outros. As minhas qualidades físicas não eram de exceção; não era rápido, e a velocidade é fundamental para o futebol de alto nível. Aquilo que me fazia melhor do que os outros era a minha capacidade de ler, analisar equipas. A visão que tinha da situação. Eu conseguia ver coisas que os outros não conseguiam, inclusive adultos.
SRD: É verdade que o seu pai lhe pedia para fazer a observação das equipas adversárias?
JM: Sim.
SRD: Foi verdadeiramente a sua escola?
JM: A escola de qualquer treinador começa aí. Na capacidade de assistir a jogos com outros olhos. Não é ir para o futebol e ver o jogo como um adepto normal, preocupado se A ganha ou B ganha. É tentar perceber como é que uma equipa funciona, quais são os seus princípios de jogo.

http://www.seleccoes.pt (texto com supressões)



1. Faz a correspondência entre as duas colunas de forma a obteres afirmações corretas.

A
a. José Mourinho fez um curso de treinadores
b. A família sempre o incentivou a licenciar-se,
c. Para se ser treinador de futebol não basta saber de futebol:
d. Desde os quinze anos que queria ser treinador de futebol,
e. No entanto, tinha uma talento que fez dele o treinador que hoje é:
f. O seu talento excecional era reconhecido pelo pai,
g. O que distingue um treinador de um adepto normal

B
1. já que não sabia como iria ser a sua carreira no futebol.
2. porque sabia que seria um jogador vulgar.
3. por isso pedia-lhe que observasse as equipas adversárias.
4. após ter concluído o curso no ISEF.
5. é preciso ter conhecimento nas áreas da psicologia, pedagogia e fisiologia.
6. é a sua capacidade de ler a equipa adversária.
7. a capacidade de observar e analisar o jogo.