11.5.11

Em Lisboa com Cesário Verde

Em Lisboa com Cesário Verde

Nesta cidade, onde agora me sinto
mais estrangeiro do que os gatos persas;
nesta Lisboa, onde mansos e lisos
os dias passam a ver as gaivotas,
e a cor dos jacarandás floridos
se mistura à do Tejo, em flor também,
só o Cesário vem ao meu encontro,
me faz companhia, quando de rua
em rua procuro um rumor distante
de passos ou aves, nem eu sei já bem.
Só ele ajusta a luz feliz dos seus
versos aos olhos ardidos que são
os meus agora; só ele traz a sombra
dum verão muito antigo, com corvetas
lentas ainda no rio, e a música,
o sumo do sol a escorrer da boca,
ó minha infância, meu jardim fechado,
ó meu poeta, talvez fosse contigo
que aprendi a pesar sílaba a sílaba
cada palavra, essas que tu levaste
quase sempre, como poucos mais,
à suprema perfeição da língua.

Eugénio de Andrade



Tendo em conta o conteúdo do poema lido, associa cada segmento frásico da coluna A ao da coluna B que completa o seu sentido.

A

1. Este texto poético pode ser considerado...

2. Tal como Cesário Verde, também o "eu"...

3. A procura do sujeito poético é para si...

4. No texto estão presentes...

5. O sujeito poético mostra a sua...

6. O poema apresenta...

7. Muitos dos versos só concluem...

B

a) muito precisa e objetiva.

b) se sente perdido na cidade.

c) o seu sentido no verso seguinte.

d) admiração por Cesário Verde.

e) irregularidade métrica.

f) uma homenagem ao poeta invocado.

g) duas invocações: a Cesário e à infância do "eu" lírico.


1. Indica comportamentos do sujeito poético que se identificam com os assumidos pelo poeta invocado.

2. Explica o sentido do verso "ó minha infância, meu jardim fechado" (linha 17).

3. Realça o modo como o sujeito poético demonstra a sua admiração por Cesário Verde.