8.2.11

Que me quereis, perpétuas saudades?



Que me quereis, perpétuas saudades?
Com que esperança inda me enganais?
Que o tempo que se vai não torna mais,
E se torna, não tornam as idades.

Razão é já, ó anos! que vos vades,
porque estes tão ligeiros que passais,
nem todos pêra um gosto são iguais,
nem sempre são conformes as vontades.

Aquilo a que já quis é tão mudado,
que quase é outra cousa, porque os dias
Têm o primeiro gosto já danado.

Esperanças de novas alegrias
não mas deixa a Fortuna e o Tempo errado,
que do contentamento são espias.


Luís de Camões


I

1. O poeta interpela as «perpétuas saudades»,
1.1. Explicita o significado da expressão sublinhada.

2. Interpreta os versos 3 e 4.

3. Identifica o sentimento dominante na primeira estrofe.

4. Atenta na segunda estrofe.
4.1 Esclarece o modo como o poeta experiência a passagem do tempo.

5. O primeiro terceto contrasta o passado e o presente da vida do «eu» poético.
5.1. Apresenta as causas que determinam essa oposição.

6. A Fortuna e o Tempo são responsabilizados pelo sujeito poético. Justifica.

7. Transcreve do poema uma personificação, uma anástrofe e uma anáfora.
7.1. Refere o seu valor expressivo.


II

1. Refere a classe e a subclasse das seguintes palavras.
a) «Que» (v. 1)
b) «vos »(v. 5)
c) «Aquilo» (v. 9)
d) «primeiro» (v. 11)
e) «já» (v. 11)
f) «mas» (v. 13)
g) «contentamento» (v. 14)

2. Escreve duas frases onde utilizes o vocábulo «Fortuna» com acepções diferentes.

3. Classifica as orações:
a) «Se torna» (v. 4)
b) «Que quase é outra cousa» (v. 10)
c) «Porque os dias / Têm o primeiro gosto já danado» (vs. 10-11)
3.1 Regista a função sintáctica dos vocábulos sublinhados.


III

Elabora um texto de carácter autobiográfico, de cento e vinte a duzentas palavras, desenvolvendo apenas um tema.
A- «Eu, Camões, me confesso...»
B - «Eu, Camões, nasci em 1524, em Lisboa...»
C - «A linguagem dos meus sentimentos.»