14.2.11

Ideal

Aquela que eu adoro não é feita
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas,
Da antiga Vénus de cintura estreita...

Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortais entre ruínas,
Nem a Amazonas, que se agarra às crinas
Dum corcel e combate satisfeita...

A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...

É como uma miragem que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo...


Antero de Quental


1. «Aquela» refere-se a uma mulher ideal que o poeta caracteriza. Essa caracterização é feita pela afirmativa (uma visão, um ideal, uma nuvem, um sonho) e pela negativa (não é «feita / de lérios» e «rosas purpurinas», «Vénus, «Circe», «Amazona»).
a. Que tipo de mulher nos é dado pela caracterização negativa? E pela positiva? Justifique.
b. Nenhum destes tipos de mulher se enquadra dentro da sensibilidade realista. Qual deles representa o ideal clássico de mulher e qual deles o ideal romântico?

2. O título do soneto, Ideal, para qual desses dois tipos de mulher aponta? Baseando-se no texto, demonstre que é esse o tipo que o poeta adora.

3. Compreende-se facilmente que, estruturalmente, o texto se divide em duas partes, que correspondem à sua caracterização de cada um dos tipos de mulher.
Delimite cada uma das partes e redija, por suas palavras, o conteúdo de cada uma delas.