15.2.11

David e a Estrela



Certa manhã de dezembro, já perto do Natal, Ciryl e Paola tiveram uma ideia: foram pelas escolas e desafiaram as crianças: “Vamos semear pinheirinhos novos e deixar a nossa serra toda verde como era dantes.”
“Vamos!”, disseram os meninos.
“Vamos!”, disseram as meninas.
De súbito, foi como se um sino tivesse tocado no coração do mundo.
Parecia uma só voz o que se ouviu e ecoou por todo o lado, das casas ao mar.
E tinha tanta força essa voz que os pais dos meninos, e as mães, e as avós, e os tios, e as tias, e os primos, e as primas, e as madrinhas, e os padrinhos vieram também. Traziam pás, ancinhos, enxadas, pequenos sachos, regadores. Era como um filme.
Pela serra inteira, gente que andava, parava, ria, abria buracos e plantava árvores.
Ao fim da tarde, cansados, os pais e as mães, os primos e as primas, os tios e as tias, os padrinhos e as madrinhas, as crianças, os velhos e os assim-assim juntaram o pão e a salada, o queijo, os pastéis de bacalhau e o bolo-rei, a alegria e o coração contente e fizeram uma grande festa.
A serra parecia pintada de verde fresco e nos olhos de todas as pessoas havia um brilho diferente. Todos se falavam, mesmo os que de manhã não se conheciam e as gargalhadas que davam eram como água fresca que apetecia beber e repartir.
Só David, um dos mais pequeninos, o que tinha olhos azuis e reflexos de ouro nos cabelos lisos, indiferente à festa, continuou a subir a serra.
Subiu, subiu. Subiu muito.
Com a sua pequena enxada de plástico cavou um buraquinho. Quando acabou de plantar o seu cedro do Líbano, deitou-se na terra fresca e adormeceu. Então, inexplicavelmente, a árvore começou a crescer, a crescer, e cobriu-o de sombra.
Uma ave veio dos lados do sol nascente e embalou-lhe o sono com o seu cantar.
Quando a noite desceu, perfumada, uma estrela desceu de mansinho e pousou no ramo mais alto, iluminando todos os caminhos. De repente, no meio da festa, alguém deu pela falta de David.
Olharam a serra.
Lá no alto, iluminado, enorme, o cedro era um sinal.
Correram todos para lá.
Um grande silêncio desceu na serra. Todos se olhavam estupefactos. Ninguém sabia explicar por que crescera assim, em tão poucas horas, aquela árvore que uma estrela iluminava.
E quando viram David a dormir, segurando ainda na mão o pequeno sacho, com a cara toda lambuzada de amoras e terra, Ciryl disse sorrindo e simplesmente: “Oh! Parece o Menino Jesus!”
E regressaram.
Cantando.

Colaço, Maria Rosa, Não Quero Ser Grande



1. “Certa manhã de dezembro (…)”
1.1. Indica a autora deste texto.
1.2. Diz de que obra foi retirado.
1.3. Em que época do ano se passa esta história?
1.4. Transcreve o desafio que Ciryl e Paola fizeram às crianças das escolas.
1.5. Quando ouviram o desafio, os alunos e as alunas:
(Escolhe a resposta certa.)
a) ficaram a pensar no assunto.
b) concordaram, com entusiasmo.
c) não se mostraram interessados.
d) ficaram pouco entusiasmados.

2. “(…) foi como se um sino tivesse tocado no coração do mundo.”
2.1. Indica o recurso expressivo ou retórico presente na frase acima transcrita.
2.2. Explica por palavras tuas o significado daquela afirmação.
2.3. O narrador afirma que essa “voz” tinha tanta força, que muitos a ouviram.
2.4. Aquelas pessoas todas não chegaram de mãos vazias. O que traziam elas para a plantação?

3. No fim da tarde, as pessoas que tinham participado estavam:
(Escolhe a resposta certa.)
a) cansadas e aborrecidas.
b) cansadas e felizes.
c) descansadas e contentes.
d) cansadas e apressadas.

4. Depois da plantação de pinheirinhos, qual era o aspeto da serra?

5. “Todos se falavam, mesmo os que de manhã não se conheciam (…)”
5.1. Porque é que as pessoas se tinham tornado amigas?

6. “Só David, um dos mais pequeninos, (…)”
6.1. Regista as características físicas do David.

7. “Subiu, subiu. Subiu muito.”
7.1. Indica o recurso expressivo ou retórico presente na frase acima transcrita.
7.2. David plantou a sua árvore e adormeceu. Explica o que aconteceu a essa árvore.
7.3. Quando deram pela falta do David, as pessoas encontraram-no, com facilidade. Porquê?

8. Ciryl comparou o pequeno David com o Menino Jesus, porque:
(Escolhe a resposta certa.)
a) o David também se encontrava numa cabana.
b) os pais de David também tinham feito uma longa viagem.
c) uma estrela brilhava a indicar o lugar onde se encontrava.
d) os Reis Magos também vinham visitar o David.

II

1. “Vamos semear pinheirinhos novos (…)”
1.1. Indica a classe e a subclasse das palavras destacadas.
1.2. Indica o grau em que se encontra a palavra “pinheirinhos”.
1.3. Indica o tipo de frase acima transcrita.
1.4. Rescreve essa frase, dando-lhe um valor negativo.

2. Repara na afirmação “deixar a nossa serra (…)”
2.1. As palavras destacadas pertencem à classe dos determinantes. Identifica as subclasses a que pertencem.

3. Indica a relação que existe entre o par de palavras destacadas, nas seguintes frases.
“Parecia uma só voz o que se ouviu (…)”
Quero que vós canteis a outra canção.

4. Reescreve no singular todos os nomes comuns que se encontram no plural no 1.o período do 6.o parágrafo.

5. Indica os constituintes principais da seguinte frase.
As crianças plantaram pinheiros.
5.1. Desta mesma frase, indica as funções sintáticas.

6. Identifica o tempo e o modo das formas verbais presentes nas frases seguintes:
a) “gente que andava (…)”
b) “e plantava árvores”
c) “cavou um buraquinho”
d) “Quando acabou de (…)”
e) “a árvore começou a crescer”
f) Se olhassem para a estrela
viam o caminho.
g) Eles regressariam felizes.

III

As decorações de Natal
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Tópicos que podes seguir
• Decorações nas ruas, nas lojas, nas igrejas e em outros espaços públicos.
• Decorações nas nossas casas. Decoração do pinheirinho de Natal.
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