26.1.11

De que me serve fugir




Mote

De que me serve fugir
da morte, dor e perigo,
se me eu levo comigo?

Voltas
Tenho-me persuadido,
por razão conveniente,
que não posso ser contente,
pois que pude ser nacido.
Anda sempre tão unido
o meu tormento comigo
que eu mesmo sou meu perigo.

E se de mi me livrasse,
nenhum gosto me seria;
que, não sendo eu, não teria
mal que esse bem me tirasse.
Força é logo que assi passe,
ou com desgosto comigo,
ou sem gosto e sem perigo.

Luís de Camões


I

O poema desenvolve-se em torno de uma afirmação do sujeito poético: "não posso ser contente" (v. 6).

1. Transcreve dois versos que evidenciem a causa do seu descontentamento.

2. Ainda que existisse a possibilidade de se afastar de si mesmo, o poeta não ficaria feliz.
2.1. Usando palavras tuas, explica porquê.

3. Aponta a conclusão a que o sujeito lírico chega sobre a sua vida.

4. Que imagem de si próprio nos apresenta o eu enunciador?

5. Explicita a funcionalidade dos versos que constituem o mote.

6. Elabora a descrição formal do poema.

7. Indica o tempo e o modo em que se encontram as formas verbais "livrasse" e "tirasse".
7.1. Redige frases em que as distingas das formas "livra-se" e "tira-se".