25.1.11

A Cerejeira Florbela




Eu sou a Florbela. Não vos digo a idade porque uma dama não a tem, ou não a diz. Só vos digo que já dei muitas cerejas e vi muitas crianças a ficarem com barba. Já vi e ouvi muitas coisas, algumas com juízo e outras nem por isso.
Por falar nisso, veio-me à memória uma conversa que escutei anteontem entre o caracol Roberto e a sua prima Sarita. Não é que o Roberto dizia que tinha pena das plantas, porque não podiam ir de um lado para o outro e a sua prima, que é uma lesma, chegou mesmo a afirmar que as árvores não têm liberdade?!
Porque é que as árvores não têm liberdade? Porque não andam? Então a liberdade está nas pernas?
Ainda há animais rastejantes muito ignorantes!
A liberdade é sermos o que pudermos ser. É ser independente, autónomo. É pensar pelo seu cerne. É saber que a minha começa onde acaba a tua. É por issoque aqui onde vivo, nenhuma árvore tem os ramos a tapar o sol às outras. Omesmo não se pode dizer dos animais; mesmo sem ramos, parece que não há solque chegue para todos. Mas isso é uma conversa muito longa.
Já que falei em liberdade, se me permitem, vou usar um pouco da minha, pois estou a ficar cansada.Vou acabar a minha conversa.
Adeus e até amanhã.

PSEUDÓNIMO: Monteiro Júnior
Gonçalo Monteiro, n.º 11, 8.º A, Colégio de Calvão



1. Escreve o diálogo entre o caracol Roberto e a sua prima Sarita.

2. Pertinho de Florbela está plantado, mesmo defronte, Camilo, o velho castanheiro. Todos os seus ramos estremecem, todos os picos dos seus ouriços amolecem ao ouvir a voz da linda cerejeira. Como ele gostaria de lhe poder tapar o sol!… Escreve o monólogo do castanheiro.

3. Uma das crianças que cresceram e ficaram com barba é Benjamim. Muitas cerejinhas ele papou daquela cerejeira, debicadas ramo a ramo. Mas (ah! o destino…) Benjamim hoje é lenhador e…
Continua a história.

4. A liberdade é…
Escreve um poema em que cada estrofe se inicie assim.