15.12.10

Natal, e não Dezembro



Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira, Antologia Poética



I

1. Interpreta a expressividade de repetição da forma verbal «Entremos».

2. O poema é, socialmente, interventivo.
2.1 Transcreve expressões que fundamentem a afirmação anterior.

3. Usa uma única palavra para exprimir o conceito subjacente a «Das mãos dadas» (v. 14).

4. Explicita o sentido da metáfora «o fogo nasça» (v. 14).

5. Os últimos dois versos, de forma sintética, constituem-se como a expressão de uma enorme esperança.
5.1 Escreve um texto de cerca de sessenta palavras sobre a mensagem que eles veiculam.

6. Analisa o texto enquanto «Arte poética» e regista:
* elementos que lhe conferem ritmo (binário / ternário)
* elementos que lhe conferem musicalidade (aliteração, repetição, gradação, rima)


II

1. Selecciona, do texto, as palavras do campo semântico de «Natal».

2. Refere o acto ilocutório predominante no texto. Justifica.

3. Selecciona as conjunções presentes na primeira estrofe.
3.1 Justifica a sua utilização.

4. Identifica a classe do vocábulo «talvez».
4.1 Explica a sua expressividade no contexto em que é utilizado.


III


Num texto expressivo e criativo, de 100 a 150 palavras, desenvolve um dos seguintes temas:
* A amizade
* A solidariedade
* O respeito pela diferença
* A paz no mundo