25.9.10

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos
como estes pinheiros altos
que em verde e ouro se agitam
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma. é fermento,
bichinho alacre e sedento.
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel.
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
para-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra som televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre a mãos de uma criança.

António Gedeão



1. Qual o sentido global do poema?

2. Menciona o destinatário do discurso poético.
2.1. Aponta o vocábulo que o define.

3. O sujeito poético defende que o "sonho" é necessário para viver.
3.1. Indica a forma como o poeta o caracteriza, tendo em conta que ele é uma "coisa" "concreta e definida", atentando:
3.1.1. na primeira estância
3.1.1.1. na figura de estilo utilizada
3.1.1.2. nos elementos evocados
3.1.2. na segunda estância
3.1.2.1. no léxico utilizado para caracterizar o sonho
3.1.2.3. na terceira estância
3.1.3.1. nos vocábulos que se ligam a determinadas áreas do saber
3.1.4. na última estância
3.1.4.1. na comparação final

4. Refere a forma verbal utilizada ao longo do poema para definir o sonho.
4.1. Assinala o modo e o tempo verbais em que se encontra.