2.8.10

Mors-Amor

(A Luiz de Magalhães)

ESSE negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

D’onde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebrosos e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor,
E o corcel negro diz: “Eu sou a Morte!”
Responde o cavaleiro: “Eu sou o Amor!”

Antero de Quental



1. O título está representado por duas personagens. Identifica-as.

2. Como se chama e qual a importância da figura pela qual se concretizam sentimentos ou ideias?

3. «E, passando a galope...». Como está sugerido, a nível do significante, o galope do negro corcel?

4. «Mors» e «Amor» têm quase os mesmos fonemas. Terá algum significado este facto?

5. Analisa atentamente a adjectivação.

6. Com que personagem se identifica o poeta?

7. Na poesia anteriana, é frequente a imagem da cavalgada. Qual será a importância desta recorrência?