26.6.10

A menina do mar


REENCONTRO

Numa manhã de nevoeiro o rapaz sentou-se na praia a pensar na Menina do Mar.
E enquanto assim estava viu uma gaivota que vinha do mar alto com uma coisa no bico. (…) A gaivota chegou junto dele, deu uma volta no ar e deixou cair a coisa na areia.
O rapaz apanhou-a e viu que era um frasco cheio duma água muito clara e luminosa.
- Bom dia, bom dia – disse a gaivota.
- Bom dia, bom dia – respondeu rapaz. – Donde é que vens e porque é que me dás este frasco?
- Venho da parte da Menina do Mar – disse a gaivota. – Ela mandou-me dizer que já sabe o que é a saudade. E pediu-me para te perguntar se queres ir ter com ela ao fundo do mar.
- Quero, quero – disse o rapaz. – Mas como é que eu hei-de ir ao fundo do mar sem me afogar?
- O frasco que te dei tem dentro suco de anémonas e suco de plantas mágicas. Se beberes agora este filtro passarás a ser como a Menina do Mar. Poderás viver dentro de água como os peixes e fora de água como os homens.
- Vou beber já – disse o rapaz.
E bebeu o filtro.
Então viu tudo à sua roda tornar-se mais vivo e brilhante. Sentiu-se alegre, feliz, contente como um peixe. (…)
- Ali no mar – disse a gaivota – está um golfinho à tua espera para te ensinar o caminho.
O rapaz olhou e viu um grande golfinho preto e brilhante dando saltos atrás da rebentação das ondas. Então disse:
- Adeus, adeus, gaivota. Obrigado, obrigado.
E correu para as ondas e nadou até ao golfinho.
- Agarra-te à minha cauda – disse o golfinho.
E foram os dois pelo mar fora.
Nadaram muitos dias e muitas noites através de calmarias e tempestades.
Atravessaram o mar dos Sargaços e viram os peixes voadores. E viram as grandes baleias que atiram repuxos de água para o céu e viram os grandes vapores que deixam atrás de si colunas de fumo suspensas no ar. E viram os icebergues majestosos e brancos na solidão do oceano. E nadaram ao lado dos veleiros que corriam velozes esticados no vento. E os marinheiros gritavam de espanto quando viam um rapaz agarrado à cauda dum golfinho. Mas eles mergulhavam e desciam ao fundo do mar para não serem pescados. (…)
Depois de nadarem sessenta dias e sessenta noites chegaram a uma ilha rodeada de corais. O golfinho deu a volta à ilha e por fim parou em frente duma gruta e disse:
- É aqui: entra na gruta e encontrarás a Menina do Mar.

Sophia de Mello Breyner ANDERSEN, A Menina do Mar




I

Lê atentamente o texto e responde, de forma completa e correcta, às questões que se seguem.

1. “Numa manhã de nevoeiro o rapaz sentou-se na praia a pensar na Menina do Mar.”
1.1. Situa a acção no espaço e no tempo.
1.2. Identifica o tipo de narrador.

2. Entretanto, uma gaivota chegou perto dele.
2.1. Vinha da parte de quem?
2.2. O que é que a gaivota perguntou então ao rapaz?
2.3. Este ficou muito contente...No entanto, mostrou-se também preocupado. Porquê?
2.4. Como é que ele conseguiria ir ao fundo do mar, sem se afogar?

3. “Foram os dois pelo mar fora...chegaram a uma ilha rodeada de corais.”
3.1. Foi uma longa viagem. Quanto tempo durou?
3.2. Como reagiam os marinheiros ao avistar o golfinho e o rapaz?

4. Indica um sinónimo de veloz

II

1. Um grande golfinho preto e brilhante estava à sua espera...
1.1. Classifica morfologicamente as palavras:
Um
golfinho
brilhante
estava

2. “Mas eles mergulhavam e desciam ao fundo do mar...”
2.1. Reescreve a frase, colocando a forma verbal...
...no pretérito perfeito do indicativo.
...no futuro do indicativo.
…no presente do indicativo.

3. Os marinheiros gritavam espantados.
3.1. Reescreve a frase, colocando o adjectivo no grau superlativo absoluto sintético.

4. A gaivota deu o frasco ao rapaz.
4.1. Faz a análise sintáctica da frase.


III

A amizade é muito importante para o rapaz. Diz o que é para ti a amizade (escreve entre 15 e 20 linhas).