9.6.10

Amor é fogo que arde sem se ver


Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões



1. Delimite, no texto, as duas partes que o constituem.

2. Faça corresponder a cada uma das três primeiras estrofes do poema estas expressões:
- Amor é dependência
- Amor é insatisfação
- Amor é sofrimento.

3. O poema esboça uma tentativa de definição de «amor».
3.1. Indique, exemplificando, que figura de estilo melhor expressa as contradições do amor.
3.2. O amor define-se por tentativas, por um constante recomeçar. Que figura de estilo serve esta ideia?
3.3. Que efeito se tira do emprego do artigo indefinido e dos verbos no infinitivo?

4. Comente a interrogação feita pelo eu poético no segundo terceto.