9.5.10

Voz interior



Embebido num sonho doloroso,
Que atravessam fantásticos clarões,
Tropeçando num povo de visões,
Se agita meu pensar tumultuoso...

Com um bramir de mar tempestuoso
Que até aos céus arroja os seus cachões,
Através duma luz de exalações,
Rodeia-me o universo monstruoso...

Um ai sem termo, um trágico gemido,
Ecoa sem cessar ao meu ouvido,
Com horrível, monótono vaivém...

Só no meu coração, que sondo e meço,
Não sei que voz, que eu mesmo desconheço,
Em segredo protesta e afirma o Bem!

Antero de Quental



1. Caracteriza o pensar do poeta e o cenário que o envolve.

2. Caracteriza a linha da exterioridade e a linha da interioridade.

3. Forma dois conjuntos de palavras para comprovar os planos semânticos do ruído e do silêncio.

4. Mostra como o percurso do poema vai do negativo para o positivo.

5. Detecta o processo que permite ao poeta escutar a sua voz interior.

6. A "voz interior" e a voz do pensamento ou o inconsciente e o consciente.