3.5.10

Violoncelo

(A Carlos Amaro)

Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...

De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.

Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...

Trémulos astros...
Soidões lacustres...
– Lemos e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!

Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
– Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.

Camilo Pessanha



Faz a análise do poema, desenvolvendo cada um dos seguintes aspectos:
- a simbologia presente nos arcos do violoncelo;
- a relação entre os arcos musicais e as imagens que constrói;
-as marcas fónicas: o ritmo e o equilíbrio dos fonemas;
- o impressionismo dado pelas imagens e sugestões semânticas;
- o tema e a expressão da solidão e angústia.