11.5.10

Lágrima de preta



Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterlizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Madei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão



1. Atenta na palavra inicial de cada uma das cinco primeiras estrofes e anota características constantes.

2. Faz o levantamento do vocabulário científico presente neste poema.
2.1. Comenta o efeito produzido pela penetração do vocabulário científico na linguagem poética.

3. Na sua estrutura interna este poema desenvolve-se segundo a sequência dos procedimentos próprios de uma experiência científica.
3.1. Faz o relatório:
-Hipótese?
-Materiais?
-Procedimentos?
-Conclusão?
3.2. Escreve uma «fórmula poética» esclarecedora do tema do poema.