23.4.10

Floriram por engano as rosas bravas

Terracotta Container of Summer Plants in a Rose Garden, Little Malvern Court Worcester Photographic Print

Floriram por engano as rosas bravas
No Inverno: veio o vento desfolhá-las...
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?
Castelos doidos! Tão cedo caístes!...
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que um momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...
Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze - quanta flor! - do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?

Camilo Pessanha


O subjectivo no domínio da percepção

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- assunto;
- carácter ilusório da condição humana;
- valor simbólico das metáforas: «rosa» e «castelos doidos»;
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- tipos e formas de frase utilizados;
- estrutura formal.