11.4.10

As armas e os barões assinalados

1
As armas e os barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

2
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

3
Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandre e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto I


I

1. O poeta propõe-se cantar «as armas e os barões», «as memórias gloriosas dos reis», «aqueles que por obras valerosas se vão da lei da Morte libertando».
1.1. Que razões apresenta para cantar os dois primeiros tópicos apresentados?
1.2. Que verso da terceira estância engloba tudo o que se refere em 1?

2. Atenta no verso «Que da Ocidental praia Lusitana».
2.1. Indica a figura de estilo que lhe está associada, se o verso for entendido como:
a) um conjunto de palavras usado em vez de «Portugal»;
b) a parte pelo todo (a praia pelo pais que a contém).
2.2. Indica a que «praia» se refere o poeta.

3. A epopeia não dispensa o recurso à hipérbole.
Recolhe um exemplo no texto da «Proposição».

4. Na última estância da «Proposição», o poeta alude, entre outros, ao «sábio Grego» (Ulisses) e ao «Troiano» (Eneias) e às «grandes navegações que fizeram».
4.1. Como posiciona o poeta os Portugueses face aos heróis míticos a que se refere?

5. Demonstra com expressões do texto que a «Proposição» nos remete já para os quatro planos estruturais do poema: viagem, história, deuses, poeta.


II

Lê a estrofes 19 do Canto I de Os Lusíadas, a seguir transcritas, e responde, de forma completa e bem estruturada, . Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado.

Já no largo Oceano navegavam,
As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam,
Das naus as velas côncavas inchando;
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos, onde as proas vão cortando
As marítimas águas consagradas,
Que do gado de Proteu são cortadas.

côncavas – escavadas, cheias de ar, formando uma meia esfera.
consagradas – sagradas; sob o domínio das divindades.
escuma – espuma.
fermoso – formoso.
neto gentil do velho Atlante – Mercúrio, mensageiro dos deuses, particularmente de Júpiter.
Próteu – deus marinho que guardava os animais do oceano.

Redige um texto expositivo, com um mínimo de 70 e um máximo de 100 palavras, no qual explicites o conteúdo da estrofe 19.

O teu texto deve incluir:
• uma parte introdutória, onde corrobores ou infirmes a afirmação «a leitura da estância 19 transmite-nos a ideia de que as naus navegavam no mar alto e de que as condições atmosféricas eram propícias à navegação.»;

• uma parte de desenvolvimento, onde Identifiques o recurso estilístico presente nos versos 2 e 3 da estrofe 19, referindo o seu valor expressivo.

• uma parte final, em que justifiques a importância desta estrofe na economia da obra, inserindo-a de forma adequada e inequívoca a na estrutura interna da epopeia.