6.3.10

Soneto a duas mãos



A mão que me sustenta e eu sustento
é mão capaz das vinte e cinco linhas
e do selado azul de um requerimento
ou doutras diligências comezinhas...

Habituada por secretarias,
esperta, decidiu de um grave acento,
a vírgulas guindou torpes cedilhas
e mastigou papel, seu alimento...

Contraiu calos, revoltou-se às vezes,
contra certos despachos, tão soezes
que até o dedo auricular se ria...

Com dois dedos de aumento se curvava
e logo, altiva, à esquerda se mostrava...
Agora? Estão as duas na poesia...

Alexandre O'Neill


I

1. Refere o assunto do poema transcrito.
1.1. Assinala as suas partes constituintes e dá um título a cada uma delas, justificando a tua resposta.

2. O sujeito poético faz referência a apenas uma das mãos, ao longo de quase todo o poema.
2.1. Procura explicar o motivo de mudança de atitude no final do poema.

3. Elabora, com expressões do texto, o campo semântico que se relaciona com a profissão do sujeito poético.

4. Explica o sentido das expressões:
"mastigou papel"
"até o dedo auricular se ria"
"com dois dedos de aumento"

5. Identifica os recursos estilísticos presentes nas expressões:
"esperta, decidiu de um grave acento" "A mão que me sustenta e eu sustento" "mastigou papel"

6. Classifica o poema quanto à forma.
6.1. Traça o seu esquema rimático.
6.2. Classifica a rima.
6.3. Faz a escansão dos dois primeiros versos.
6.3.1. Classifica-os quanto ao número de sílabas.