28.3.10

Impressão digital


Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
uns descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros, gnomos, e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

António Gedeão


I

1. Na primeira estância, surge a oposição entre os "olhos" do "eu" poético e os "olhos" dos outros.
1.1. Explica em que consiste essa oposição.
1.2. Indica as palavras que remetem para essa diferença.

2. No poema são apresentadas formas distintas de percepcionar a realidade, dependendo daqueles que a captam.
2.1. Transcreve o verso que melhor traduz o sentido desta afirmação.

3. Refere o significado da utilização dos verbos ser e ver, na penúltima estância, tendo em conta a leitura global do poema.

4. Explicita o sentido das interrogações e respectivas respostas, nos dois últimos versos do poema.


II

Num texto expressivo e criativo, define (tendo em conta o valor conotativo que a expressão adquire no título do poema) a tua "impressão digital".