4.2.10

Vénus II



Singra o navio. Sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina...
_ Impecável figura peregrina,
A distância sem fim que nos separa!

Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor de rosa,
Na fria transparência luminosa
Repousam, fundos, sob a água plana.

E a vista sonda, reconstrui, compara,
Tantos naufrágios, perdições, destroços!
_ Ó fúlgida visão, linda mentira!

Róseas unhinhas que a maré partira...
Dentinhos que o vaivém desengastara...
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos...

Camilo Pessanha



I

1. No primeiro soneto, a imagem vogava; agora está no fundo do mar.
1.1. O Poeta vê o fundo do mar. Poderá também ver a figura feminina?
1.2. Qual o valor da pontuação?

2. Que diferença encontras entre a 1.ª quadra e a 2.ª quadra?

3. Que elementos apontam para a perfeição da imagem?

4. O sujeito poético parece atraído por essa perfeição.
4.1. Que elementos induzem nesse sentido?

5. Como se pode interpretar o verso: "Ó fúlgida visão, linda mentira!"?

6. Qual será o tema desse soneto?