10.2.10

A um Poeta

Surge et ambula

TU, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,

Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,
Afugentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio d’esses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! são canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!

Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faz espada de combate!

Antero de Quental


1. O soneto apresenta uma estrutura interna tripartida. Delimita-a.

2. O l. ° momento contém uma mensagem oposta à do último. Encontra todos os elementos que se opõem.

3. Faz o levantamento do campo lexical da guerra.
3.1. O que se pretende com esse vocabulário?

4. O poeta transcreveu, para o fronstispício do seu poema, as palavras bíblicas «surge et ambula», proferidas por Cristo a um paralítico que curou e fez andar.
4.1. Que razões terão levado o poeta a isso?

5. Para dar ainda mais força à sua missão, a que recorre o poeta?

6. Os poemas da fase combativa da vida de Antero dão-nos bem a sua teoria de que a poesia é a voz da revolução. Salienta a perspectiva antetiana sobre a missão do poeta.

7. Influenciado por Proudhon, a revolução pregada não é sangrenta, mas utópica: são anunciadas as ideias de Justiça, Amor, Liberdade, etc.. Faz um comentário sobre o valor desta poesia.