3.2.10

Quem poluiu...

Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho,
Onde esperei morrer - meus tão castos lençóis?
Do meu jardim exíguo os altos girassóis
Quem foi que os arrancou e lançou no caminho?

Quem quebrou (que furor cruel e simiesco!)
A mesa de eu cear - tábua tosca de pinho?
E me espalhou a lenha? E me entornou o vinho?
- Da minha vinha o vinho acidulado e fresco...

Ó minha pobre mãe!... Nem te ergas mais da cova.
Olha a noite, olha o vento. Em ruína a casa nova...
Dos meus ossos o lume a extinguir-se breve.

Não venhas mais ao lar. Não vagabundes mais,
Alma da minha mãe... Não andes mais à neve,
De noite a mendigar às portas dos casais.

Camilo Pessanha



1. Divida o soneto em partes.

2. Confronte cada uma das partes, tendo em conta:
-os tipos de frase;
-os tempo verbais;
- a pontuação;
- a palavra-chave e as conotações que lhe estão associadas.

3. Identifique os símbolos positivos e negativos existentes no poema.

4. Relacione os aspectos aludidos em 2. com a violência da destruição expressa na l.ª parte.

5. A 2.ª parte é marcada pela recusa e pela negatividade.
5.1. Seleccione os aspectos formais que reforçam essa ideia.
5.2. Associe essa ideia à impossibilidade de concretizar o desejo expresso no verso 2.

6. De que forma o presente, o passado e o futuro (antecipado) se relacionam no poema?
(Sugestão: Note como se passa de uma morte desejada a uma morte imposta e inevitável.)

7. Atente na escola literária a que Camilo Pessanha pertence.
7.1. Indique que nome recebeu essa escola.
7.2. Evidencie os aspectos formais e de conteúdo característicos dessa escola e de Camilo Pessanha.