27.2.10

Poema do Homem-Rã



Sou feliz por ter nascido
no tempo dos homens-rãs
que descem ao mar perdido
na doçura das manhãs.
Mergulham, imponderáveis,
por entre as águas tranquilas,
enquanto singram, em filas,
peixinhos de cores amáveis.
Vão e vêm, serpenteiam,
em compassos de ballet.
Seus lentos gestos penteiam
madeixas que ninguém vê.

Com barbatanas calçadas
e pulmões a tiracolo,
roçam-se os homens no solo
sob um céu de águas paradas.

Sob o luminoso feixe
correm de um lado para outro,
montam no lombo de um peixe
como no dorso de um potro.

Onde as sereias de espuma?
Tritões escorrendo babugem?
E os monstros cor de ferrugem
rolando trovões na bruma?

Eu sou o homem. O Homem.
Desço ao mar e subo ao céu.
Não há temores que me domem
É tudo meu, tudo meu.

António GEDEÃO. Poesia Completa



1. Os homens-rãs simbolizam uma época da História da Humanidade. Qual?

2. O sujeito poético manifesta um sentimento em relação aos homens-rãs e às suas actividades. Identifica-o.

3. Faz o levantamento dos vocábulos pertencentes à área vocabular de «mar».

4. Como é que o sujeito poético avalia a actuação dos homens-rãs?

5. «Oh que insólita beleza! Festivo arraial submerso.»
a) Por que razão é que a beleza é insólita?
b) O que é que há de belo nesta imagem dos homens-rãs a mergulhar?

6. Que recursos estilísticos utiliza o sujeito poético? Dá exemplos e explica-os.

7. Descreve a imagem subaquática observada pelo sujeito poético.

8. Atenta na última estrofe. Nela encontramos uma exaltação entusiástica do Homem moderno. De que forma é que o sujeito poético descreve esse Homem?