11.2.10

Não posso adiar o amor


Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sol montanhas cinzentas

Não, não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século minha vida
nem meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração


António Ramos Rosa, Viagem através de Uma Nebulosa (1960)



Faça uma leitura atenta do poema. Responda às questões a seguir expostas.
1. Identifique o motivo que leva o poeta a dizer «não posso adiar o amor".
2. Faça a divisão em partes e explicite o conteúdo de cada uma.
3. Mostre os sentimentos dominantes que surgem ao longo do poema.
4. Procure explicar a ausência da pontuação.
5. Identifique a figura de estilo em «este abraço / que é uma arma de dois gumes», documentando o seu valor expressivo.


II

1. Considere as duas frases que se seguem. Construa uma frase complexa que indi¬que urna hipótese ou condição necessária:
Vou a Lisboa este fim-de-semana. Não chove muito este fim-de-semana.
2. Diga e justifique se a terceira frase é conclusão legítima das duas anteriores.
a. Todas as crianças da minha escola sabem que se morre de fome na Etiópia.
b. 60% das crianças portuguesas andam na escola.
c. Quase todas as crianças sabem que se morre de fome na Etiópia.


III

A poesia e a literatura contemporânea, em geral, receberam influências do passado, mas procuram trilhar novos caminhos, quer a nível de estrutura, quer de conteúdo ou de motivações ideológicas e culturais. De qualquer forma, continuam a exprimir os sentimentos do homem e da mulher, pois são eles que, muitas vezes, explicam a razão de viver.
Faça um comentário à afirmação transcrita, procurando documentá-lo com referências às leituras feitas.