3.2.10

Madalena

...e lhe regou de lágrimas os pés,
e os enxugava com os cabelos da sua cabeça.
Evangelho de S. Lucas.

Ó Madalena, ó cabelos de rastos,
Lírio poluído, branca flor inútil,
Meu coração, velha moeda fútil,
E sem relevo, os caracteres gastos,

De resignar-se torpemente dúctil,
Desespero, nudez de seios castos,
Quem também fosse, ó cabelos de rastos,
Ensanguentado, enxovalhado, inútil,

Dentro do peito, abominável cómico!
Morrer tranquilo, - o fastio da cama.
Ó redenção do mármore anatómico,

Amargura, nudez de seios castos,
Sangrar, poluir-se, ir de rastos na lama,
Ó Madalena, ó cabelos de rastos!

Camilo Pessanha



I

1. A Madalena da Bíblia é a mulher arrependida, redimida de uma vida de pecado. Atenta no esquema:



1.1. Faz um comentário à duplicidade desta figura.

2. Explica o simbolismo de: lírio, branca flor, moeda fútil, mármore anatómico.

3. Na Bíblia, o gesto de Madalena redimiu-a. Porque que é que o sujeito poético acha que tal gesto foi inútil?

4. O Poeta pretende identificar-se com Madalena. Porquê?

5. Madalena é o principal símbolo em volta do qual todo o poema gravita.
5.1. Explica o seu sentido.

6. O Poeta tenta recuperar Madalena antes do seu arrependimento. Porquê?

7. Qual o sentido global do texto?