3.2.10

Inscrição

Eu vi a luz em um país perdido.
A minha alma é lânguida e inerme.
Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se, como faz um verme…

Camilo Pessanha


Obs. - (*) Simbolismo do título: valor semântico ligado a pedras tumulares, aquilo que assinala o lugar do corpo; sem «luz» e sem «alma», conota fixação, o contrário de efemeridade.


I

1. É um poema desesperado. O sujeito poético caracteriza-se a si mesmo como "alma lânguida e inerme" = esgotado física e psicologicamente.

2. País e sujeito poético correspondem-se: são espelho um do outro.

3. A partir dessa situação de esgotamento, o sujeito poético deseja afastar-se do mundo real e iniciar uma caminhada para um mundo ideal.
3.1. Que vocábulos corporizam esse desejo?

4. Destacar a relação de semelhança e oposição entre luz e alma, por um lado, e chão e verme, por outro.

5. Neste pequeno poema encontram-se os principais temas da obra:
-a inadequação do poeta ao mundo concreto;
- o desejo de fuga deste mundo;
- a procura de um mundo ideal;
- a anulação do tempo e do espaço;
- o desejo da morte;
-a permanência pelo que vence a efemeridade: a escrita.

6. O título do poema confirma estes dados. "Inscrição" é uma palavra simbólica que sugere o que se vê escrito nas pedras tumulares = morte, por um lado, por outro, lugar de permanência = escrita.